O ganho de peso gestacional é necessário para garantir um feto saudável, mas o ganho de peso gestacional excessivo tem sido associado ao risco de complicações na gravidez, retenção de peso pós-parto e obesidade nas crianças.

Altos índices de massa corporal (IMC) pré-gestacionais também foram associados com um menor ganho de peso gestacional e maior risco de desfechos adversos maternos e infantis. As diretrizes existentes para ganho de peso gestacional da US National Academy of Medicine dos EUA apresenta limitações, devido aos poucos estudos observacionais sobre a influência do ganho de peso gestacional sobre os desfechos maternos e de seus descendentes. Além disso, essas diretrizes não incluem recomendações para mulheres com obesidade grau 1, 2, e 3 separadamente.

Nesse sentido, pesquisadores agruparam dados de participantes de 25 coortes de gravidez e nascimento da Europa e América do Norte para avaliar as associações entre o ganho de peso gestacional com os desfechos maternos e infantis, e estimar as faixas ótimas de ganho de peso gestacional por categoria de IMC pré-gestacional.

Para o estudo, que foi publicado no periódico científico JAMA, os investigadores realizaram uma meta-análise individual usando dados de 196.670 participantes. Os intervalos ideais de ganho de peso gestacional foram estimados para cada categoria de IMC pré-gestacional, selecionando a faixa de ganho de peso associada com o menor risco para qualquer desfecho adverso. O principal resultado, denominado como desfecho adverso foi definido como a presença de um ou mais dos seguintes diagnósticos: pré-eclâmpsia, hipertensão gestacional, diabetes gestacional, cesárea, prematuridade e tamanho pequeno ou grande para a idade gestacional ao nascer.

Entre as 196.670 mulheres participantes, 7.809 (4,0%) foram categorizadas como abaixo do peso (IMC <18,5), 133.788 (68,0%) com peso normal (IMC, 18,5-24,9), 38.828 (19,7%) com excesso de peso (IMC, 25,0-29,9), 11.992 (6,1%) com obesidade grau 1 (IMC, 30,0-34,9), 3.284 (1,7%) com obesidade grau 2 (IMC, 35,0-39,9) e 969 (0,5%) com obesidade grau 3 (IMC, ≥ 40,0). No geral, algum resultado adverso ocorreu em 37,2% (n = 73.161) das mulheres, variando de 34,7% (2.706 de 7.809) entre as mulheres classificadas como abaixo do peso até 61,1% (592 de 969) entre as mulheres classificadas com obesidade grau 3. Os intervalos de ganho de peso gestacional ótimo variaram entre 14 e menos 16 kg para mulheres abaixo do peso, entre 10 e menos de 18 kg para mulheres com peso normal, entre 2 e menos de 16 kg para mulheres com excesso de peso, entre 2 e menos de 6 kg para mulheres com obesidade grau 1, perda de peso ou ganho entre 0 e menos de 4 kg para mulheres com obesidade grau 2, e entre 0 e menos de 6 kg para mulheres om obesidade grau 3. Esses ganhos de peso gestacionais foram associados com índices baixos e moderados de desfechos adversos.
Os autores do estudo concluíram que o risco de desfechos maternos e infantis adversos variou de acordo com o ganho de peso gestacional e com o IMC pré-gestacional. Segundo os investigadores, as estimativas de ganho de peso gestacional ideal encontradas podem fazer parte do aconselhamento pré-natal.

Acesso em 19 Set 2019. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/31063572

REFERÊNCIAS

  1. LifeCycle Project-Maternal Obesity and Childhood Outcomes Study Group, Voerman E, Santos S, Inskip H, Amiano P, Barros H, Charles MA, et al.

    Association of Gestational Weight Gain With Adverse Maternal and Infant Outcomes.

    JAMA. 2019 May 7;321(17):1702-1715.