A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é um distúrbio endocrinológico observado em 6% a 10% das mulheres. A SOP é a principal causa de infertilidade em quase 20% das mulheres inférteis.

Existe uma relação bidirecional entre obesidade e SOP, já que ambas se exacerbam de uma maneira cíclica interminável. A prevalência de obesidade em mulheres com SOP é de 30% a 75%.

Com o objetivo de avaliar os parâmetros clínicos, metabólicos, hormonais e as diferentes respostas ao clomifeno entre as mulheres com SOP obesas ou não, cerca de 164 mulheres com infertilidade relacionada à SOP foram incluídas nesse estudo observacional prospectivo. Os grupos de estudo eram SOP com obesidade [índice de massa corporal (IMC) ≥23 kg/m2) e SOP sem obesidade (IMC <23 kg/m2).

No total, 124 (75,61%) mulheres com SOP estavam com IMC ≥23 kg/m2 e 40 (24,39%) não apresentavam obesidade. Entre essas mulheres, a prevalência de irregularidade menstrual era de 82,34%, de hipertensão, de 3,66%, de resistência à insulina (RI), de 59,76%, de síndrome metabólica, de 24,39% e de resistência ao clomifeno, de 53,7%.

O escore de Ferriman-Gallwey, irregularidade menstrual, RI [insulina em jejum e Avaliação do Modelo Homeostático de Resistência à Insulina (HOMA-IR)], síndrome metabólica, perfil lipídico desarranjado e resistência ao clomifeno foram estatisticamente mais frequentes no grupo das mulheres obesas com SOP (p<0,05). Hipertensão, perfil glicêmico, níveis de testosterona e androstenediona e hiperplasia endometrial foram mais frequentes no grupo das mulheres obesas com SOP, mas os resultados não foram estatisticamente significativos.

A prevalência de hiperplasia endometrial entre as mulheres com SOP nesse estudo foi de 7,93% e foi maior no grupo de SOP com obesidade. De fato, hiperplasia com atipia foi observada exclusivamente no grupo obeso da SOP. O risco de câncer endometrial na hiperplasia sem atipia é de <1% e naquelas com hiperplasia endometrial com atipia é tão alto quanto 33%. Assim, o manejo da obesidade em mulheres com SOP ajuda a reduzir o risco de hiperplasia endometrial e câncer endometrial.

Não foram encontradas diferenças significativas nos níveis de hormônio luteinizante (LH), hormônio folículo-estimulante (FSH), razão LH-FSH e 17-hidroxiprogesterona (17-OHP) entre os dois grupos.
Dessa forma, as mulheres obesas com SOP têm maior risco de apresentar resultados adversos como hipertensão, RI, síndrome metabólica e hiperplasia endometrial. Portanto, o controle da obesidade em mulheres com SOP não só ajuda a prevenir resultados adversos, mas também melhorará a resposta ao citrato de clomifeno.

Acesso em 23 de setembro de 2019. Disponível em:  https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/pmid/31161114/

REFERÊNCIAS

  1. Sachdeva G, Gainder S, Suri V, Sachdeva N, Chopra S.

    Obese and non-obese polycystic ovarian syndrome: comparison of clinical, metabolic, hormonal parameters, and their differential response to clomiphene.

    Indian J Endocrinol Metab. 2019 Mar-Apr;23(2):257-62.