A doença de Pompe é multissistêmica e as manifestações clínicas são bastante heterogêneas – os pacientes apresentam variabilidade no que se refere à idade de início dos sintomas, à gravidade e à velocidade de progressão da doença.4

Mais de 400 mutações diferentes já foram descritas no gene GAA, e a quantidade de mutações familiares específicas dificulta o estabelecimento de correlações genótipo-fenótipo; dependendo do tipo de mutação, as consequências sobre a atividade da α-glicosidase ácida são diferentes, o que contribui para o amplo espectro de manifestações clínicas.5,6
Os pacientes são classificados em dois grupos, de acordo com a idade de início: Pompe infantil (IOPD, do inglês infantile-onset Pompe Disease), em que os sintomas aparecem já nos primeiros dias ou durante o primeiro ano de vida; ou Pompe de início tardio (comumente chamada de LOPD, do inglês late-onset Pompe disease), com o início dos sintomas durante a infância ou na idade adulta.1,4 

Os principais sintomas de IOPD são cardiomiopatia hipertrófica, insuficiência respiratória e hipotonia muscular generalizada.1,3,4 A doença geralmente manifesta-se logo após o nascimento, e a progressão dos sintomas ocorre rapidamente. Para a maioria dos pacientes, os primeiros sinais e sintomas são hipotonia muscular generalizada, dificuldade de sucção do leite materno, choro fraco, rosto hipomímico e macroglossia.1,3,4

Devido à hipotonia, muitos indivíduos não conseguem sentar, ficar em pé nem andar, nem mesmo sustentar a cabeça (floppy babies).1-3 Outras manifestações clínicas são dificuldade para se alimentar, déficit de crescimento, infecções respiratórias recorrentes e perda auditiva.1-4,7 Se o paciente não for tratado, geralmente vai a óbito nos dois primeiros anos de vida, em consequência de parada cardiorrespiratória.2 Apesar de ser considerado o fenótipo clássico da doença, o IOPD apresenta incidência menor que o do fenótipo tardio (LOPD), com estimativas de 1:138.000 e 1:57.000 nascidos vivos, respectivamente.2

Adultos e crianças com LOPD apresentam sintomas predominantemente associados à disfunção muscular esquelética, o que resulta em deficiências motoras e respiratórias, com comprometimento progressivo das funções.1,4 A ausência de cardiomiopatia no primeiro ano de vida e a progressão lenta da miopatia são características da LOPD.1,4 Fraqueza muscular de cintura e membros e fadiga prejudicam a participação em atividades esportivas e até mesmo a execução de atividades do dia a dia, como subir escadas e caminhar.1,4 
Os sintomas respiratórios podem incluir: perda de função de músculos respiratórios, redução da capacidade vital, hipoventilação durante o sono, tosse prejudicada, insuficiência respiratória crônica e, eventualmente, parada respiratória.1,4,8 Alguns pacientes podem evoluir para a necessidade de ventilação mecânica e cadeira de rodas.1 As manifestações em outros sistemas abrangem dor neuropática, malformações cerebrovasculares, ptose e oftalmoplegia, incontinência urinária e distúrbios gastrointestinais.4

O diagnóstico clínico de LOPD é desafiador, devido à heterogeneidade de manifestações, além de os pacientes apresentarem sinais e sintomas que são comuns a outras doenças neuromusculares.4 Dessa maneira, o(a) médico(a) deve considerar a investigação de doença de Pompe como diagnóstico diferencial das seguintes condições: distrofias musculares de cintura, distrofia muscular de Becker, distrofia muscular facioescapuloumeral, síndrome escapuloperoneal, síndrome da coluna rígida, miastenia grave, atrofia muscular espinhal, polimiosite, fibromialgia, síndrome da fadiga crônica, doenças de armazenamento de glicogênio dos tipos IIIa, IV, V e VII, doença de Danon, artrite reumatoide e miopatias mitocondriais.4,9,10

 

REFERÊNCIAS

  1. van der Ploeg AT, Reuser AJ

    Pompe's disease

    Lancet. 2008;372:1342‐1353

  2. Ausems MG, Verbiest J, Hermans MP, Kroos MA, Beemer FA, Wokke JH, et al

    Frequency of glycogen storage disease type II in The Netherlands: implications for diagnosis and genetic counselling.

    Eur J Hum Genet. 1999;7(6):713-6.

  3. Lagler FB, Moder A, Rohrbach M, Hennermann J, Mengel E, Gökce S, et al

    Extent, impact, and predictors of diagnostic delay in Pompe disease: A combined survey approach to unveil the diagnostic odyssey

    JIMD Rep. 2019;49(1):89-95.

  4. Chan J, Desai AK, Kazi ZB, Corey K, Austin S, Hobson-Webb LD, et al.

    The emerging phenotype of late-onset Pompe disease: A systematic literature review.

    Mol Genet Metab. 2017;120(3):163-172.