A hiperlipidemia tem sido associada com um risco maior de doenças cardiovasculares (DCVs), mas a redução farmacológica das concentrações plasmáticas do colesterol de lipoproteína não de alta densidade (HDL-C) circulante é benéfica para a prevenção de DCVs primárias e secundárias. As calculadoras de risco de DCV frequentemente incluem medições bioquímicas clássicas de concentrações de colesterol total, HDL-C ou uma combinação de ambas. Essas medições são essenciais para a avaliação desse risco, mas existe um debate contínuo sobre a utilidade de outros parâmetros para esta previsão.

Nesse contexto, pesquisadores investigaram se medições adicionais de lipídios/lipoproteínas poderiam melhoram a previsão de eventos cardiovasculares em comparação aos índices de risco já estabelecidos.

Para o estudo, que foi publicado no periódico científico Circulation, os investigadores recrutaram 346.686 indivíduos sem DCV e sem tomar estatinas, mas com medidas lipídicas relevantes, para uma análise primária. Durante um acompanhamento médio de 8,9 anos, ocorreram eventos cardiovasculares em 6.216, sendo que 1.656 foram fatais. Os pesquisadores, então, compararam as associações de medições de concentrações feitas sem jejum de lipídeos (colesterol total, HDL-C, não HDL-C, colesterol lipoproteína de baixa densidade [LDL-C] direta e calculada e apolipoproteínas [Apo] A1 e B) com a incidência de DCVs, ajustadas para fatores de risco, clássicos, para determinar sua utilidade preditiva. A utilidade preditiva dessas medições também foi testada em 68.649 participantes, com ou sem a presença de DCV, que utilizavam estatinas (3.515 eventos de DCV).

Os resultados mostraram que a ApoB, LDL-C e não HDL-C foram altamente correlacionados entre eles, enquanto HDL-C foi fortemente correlacionado com ApoA1. Após os ajustes para os fatores de risco, clássicos, o aumento de 1 DP (desvio padrão) na ApoB, LDL-C direta e não HDL-C tiveram associações semelhantes com eventos DCV fatais e não fatais compostos. As associações com o aumento de 1 DP no HDL-C e ApoA1 também foram semelhantes. A adição do colesterol total e HDL-C, ou ApoB e ApoA, a um modelo de previsão de risco de DCV resultou em uma melhoria semelhante. Quando o colesterol total e o HDL-C estavam presentes no modelo de predição, não foi encontrada nenhuma melhoria substancial com a adição de ApoB ou qualquer medição de LDL-C. Nos participantes que estavam tomando estatinas, os fatores de risco clássicos foram melhorados pelo não HDL-C ou pela ApoB. No entanto, a adição de ApoB ou LDL-C a um modelo já contendo o não HDL-C não melhorou a discriminação.
Os autores do estudo concluíram que, a capacidade preditiva das medições de concentrações plasmáticas de colesterol total e HDL-C sem jejum, no contexto de outros fatores de risco clássicos, não é aprimorada pela adição ou substituição pelas medições de apolipoproteínas na avaliação do risco de DCV. Da mesma forma, o não HDL-C pareceu adequado para avaliar a terapia de redução de lipídios durante o tratamento nesse cenário. Segundo os autores, embora as medições de lipoproteínas (a) possam ter um papel em alguns contextos, os dados encontrados suportam a medição do colesterol total padrão e HDL-C como sendo perfeitamente adequados para avaliar o risco de DCV associada a lipídios, assim como para determinar o não HDL-C como alvo de tratamento para aqueles pacientes que já utilizam estatinas.


Acesso em 25 Nov 2019. Disponível em: https://www.ahajournals.org/doi/pdf/10.1161/CIRCULATIONAHA.119.041149

REFERÊNCIAS

  1. Welsh C, Celis-Morales CA, Brown R, Mackay DF, Lewsey J, Mark PB, et al

    Comparison of Conventional Lipoprotein Tests and Apolipoproteins in the Prediction of Cardiovascular Disease.

    Circulation. 2019 Aug 13;140(7):542-552.