A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) é o distúrbio esofágico mais comum na prática médica, e pode ser definida como uma condição que se desenvolve quando o refluxo do conteúdo gástrico causa sintomas desconfortáveis e/ou complicações. As estimativas mostram que a prevalência de DRGE no Brasil seja de aproximadamente 7,3%. O método de diagnóstico principal para as complicações provocadas pela DRGE é a endoscopia digestiva alta (EDA) que permite, inclusive, dividir a doença em dois grandes grupos: esofagite erosiva (EE) e não erosiva (não-EE).

Um fator importante para diversas áreas da saúde é a comparação entre fatores de risco e achados na EDA, mas existe uma carência de estudos sobre sintomas gastroesofágicos na população brasileira para auxiliar a definir as correlações entre dados epidemiológicos, clínicos e endoscópicos. 
 
Nesse sentido, pesquisadores realizaram um estudo para avaliar os achados endoscópicos de pacientes brasileiros com sintomas gastroesofágicos e compararam os resultados encontrados com a epidemiologia e fatores de risco.

Para o estudo, que foi publicado no periódico científico Arquivos de Gastroenterologia, os investigadores examinaram retrospectivamente relatórios de EDA em pacientes com sintomas de DRGE, como pirose, regurgitação, tosse, pigarro, globus e dor torácica. A EE foi determinada com base na classificação de Los Angeles. 
 

Os autores sugerem que os fatores de risco para as formas erosivas e não erosivas da esofagite sejam diferentes.

No total foram examinados os relatórios endoscópicos de 984 pacientes. Destes, 676 foram selecionados para análise, sendo 281 com EE e 395 com a forma não-EE. A maioria dos pacientes analisados era do sexo feminino 381 (56,36%) e apresentavam uma média de idade de 44,01 anos. A hérnia hiatal esteve presente em 47 (6,96%) e o tabagismo em 41 (6,07%) pacientes. A regressão logística univariada mostrou que, ser do sexo masculino e apresentar hérnia hiatal, foram preditores independentes de erosões no grupo EE. A presença de hérnia hiatal, tabagismo e ser idoso foram também indicados como fator de risco para EE grave.

Os autores do estudo concluíram que quase metade dos pacientes analisados tiveram um achado de EE na endoscopia, prevalecendo as formas mais leves. Ser do sexo masculino e a presença de hérnia hiatal foram fatores de risco associados à EE. Além disso, hérnia hiatal, envelhecimento e tabagismo foram correlacionados com os graus mais severos de EE. Por fim, os autores sugerem que os fatores de risco para as formas erosivas e não erosivas da esofagite sejam diferentes.

Acesso em 21 Nov 2019.
Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/ag/v56n1/1678-4219-ag-56-01-51.pdf
 

REFERÊNCIAS

  1. Meira ATDS, Tanajura D, Viana IDS.

    Clinical and Endoscopic Evaluation in Patients with Gastroesophageal Symptoms. Arq Gastroenterol.

    2019 May 20;56(1):51-54