O tromboembolismo venoso (TEV) é causa comum de morbimortalidade entre pacientes hospitalizados. Aproximadamente um terço das cerca de 150.000 a 200.000 mortes anuais por TEV nos Estados Unidos ocorre após uma cirurgia.1


A alta incidência de TEV após cirurgia e a existência de métodos efetivos de prevenção impõem considerar a profilaxia em todos os pacientes cirúrgicos.1


A taxa de incidência de TEV é de cerca de 10% a 40% entre pacientes clínicos ou cirúrgicos sem profilaxia.222    Com profilaxia, a incidência de TEV no pós-operatório é de 1,14% em mulheres com doença ginecológica, de 0,7% em pacientes submetidos a cirurgia laparoscópica ginecológica, de 0,3% em pacientes uroginecológicas e de 4% em pacientes com câncer ginecológico.3,6


Dessa forma, para reduzir a incidência de TEV, deve-se aceitar o risco, estratificá-lo corretamente e fazer a profilaxia correta pelo tempo adequado. A profilaxia, como será demonstrado a seguir, baseia-se em medidas gerais, que abrangem a hidratação pós-operatória e a deambulação precoce; as mecânicas, representadas pelas meias elásticas de compressão graduada e pelos dispositivos de compressão pneumática intermitente; e a farmacológica, representada especialmente pelas heparinas. Cada uma das modalidades será mais oportuna de acordo com a estratificação de risco.1,2,4


As orientações preconizadas são as seguintes:1

 

• Na cirurgia geral e abdominopélvica em pacientes de risco muito baixo (escore de Caprini= 0; risco de TEV <0,5%), recomenda-se deambulação precoce (grau 1B).

 

• Na cirurgia geral e abdominopélvica em pacientes de baixo risco (escore de Caprini= 1-2; risco de TEV ≈1,5%), recomenda-se profilaxia mecânica (grau 2C).

 

•  Na cirurgia geral e abdominopélvica em pacientes de risco moderado (escore de Caprini= 3-4; risco de TEV ≈3,0%), recomenda-se profilaxia farmacológica com heparina de baixo peso molecular – HBPM – (grau 2B), heparina não fracionada – HNF – (grau 2B) ou profilaxia mecânica (grau 2C).

Tabela 1

Risco de TEV segundo o escore de Caprini

Tabela 2

Modelo de Caprini

Tabela 3

Dose sugerida

• Na cirurgia geral e abdominopélvica em pacientes de alto risco (escore de Caprini ≥5, risco de TEV ≈6,0%), recomenda-se profilaxia farmacológica com HBPM (grau 1B) e com HNF (grau 1B), associada a profilaxia mecânica (grau 2C).

 

• Na cirurgia geral e abdominopélvica em pacientes de alto risco (escore de Caprini ≥5; risco de TEV ≈6,0%) operados por câncer, recomenda-se a extensão da profilaxia farmacológica com HBPM por quatro semanas (grau 1B). (Tabela 1)

Na grande maioria dos estudos que demonstraram eficácia na redução de TEV, a dose inicial de HBPM foi administrada 2 horas antes da cirurgia, embora haja efetividade e associação a menor sangramento na administração da primeira dose 12 horas antes do procedimento cirúrgico.

Na grande maioria dos estudos que demonstraram eficácia na redução de TEV, a dose inicial de HBPM foi administrada 2 horas antes da cirurgia, embora haja efetividade e associação a menor sangramento na administração da primeira dose 12 horas antes do procedimento cirúrgico.9,11

 

Para as pacientes submetidas a cirurgia ginecológica, recomenda-se a continuidade da profilaxia até a alta hospitalar (grau 1A).11   A tabela 3 apresenta as doses de heparina sugeridas.

 

Os anticoagulantes orais de ação direta (DOACs) não são liberados para tromboprofilaxia em pacientes submetidos a cirurgias não ortopédicas, estando autorizados apenas para profilaxia em prótese total de quadril e joelho.14

 

Aproveite e veja também a opinião do Dr. André Malavasi, atual Presidente da Comissão Nacional de Trombose na Mulher da FEBRASGO, onde foi abordado o tema “Profilaxia de TEV em Cirurgias Ginecológicas”, já que muitas surgem dúvidas durante a estratificação de risco destas pacientes e as condutas a serem adotadas em cada caso, como por exemplo, quando iniciar ou interromper a profilaxia medicamentosa antes da cirurgia, caso esta esteja indicada.

 

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REFERÊNCIAS

  1. Gould MK, et al

    Prevention of VTE in nonorthopedic surgical patients: Antithrombotic Therapy and Prevention of Thrombosis, 9th ed: American College of Chest Physicians Evidence-Based Clinical Practice Guidelines.

    Chest. 2012;141(2 Suppl):e227S-77S.

  2. Geerts WH, et al.

    Prevention of venous thromboembolism: the Seventh ACCP Conference on Antithrombotic and Thrombolytic Therapy.

    Chest. 2004;126(3 Suppl):338S-400S.

  3. Suzuki N, et al.

    Risk factors for perioperative venous thromboembolism: a retrospective study in Japanese women with gynecologic diseases

    Thromb J. 2010;8:17

  4. Nick AM, et al.

    Risk of thromboembolic disease in patients undergoing laparoscopic gynecologic surgery.

    Obstet Gynecol. 2010;116(4):956-61.

  5. Solomon ER, et al

    Risk of deep venous thrombosis and pulmonary embolism in urogynecologic surgical patients.

    Am J Obstet Gynecol. 2010;203(5):510.e1-4.

  6. Peedicayil A, et al.

    Incidence and timing of venous thromboembolism after surgery for gynecological cancer.

    Gynecol Oncol. 2011;121(1):64-9.

  7. Caprini JA, et al

    Effective risk stratification of surgical and nonsurgical patients for venous thromboembolic disease.

    Semin Hematol. 2001;38(2 Suppl 5):12-9.

  8. Caprini JA

    Thrombosis risk assessment as a guide to quality patient care

    Dis Mon. 2005;51(2-3):70-8

  9. Bula Clexane ANVISA.

    Disponível em: http://www.anvisa.gov.br/datavisa/fila_bula/frmResultado.asp

    Acesso em: 4 fev 2019.

  10. Bergqvist D, et al.

    Low molecular weight heparin started before surgery as prophylaxis against deep vein thrombosis: 2500 versus 5000 XaI units in 2070 patients.

    Br J Surg. 1995;82(4):496-501.

  11. Geerts WH, et al.

    Prevention of venous thromboembolism: American College of Chest Physicians Evidence-Based Clinical Practice Guidelines (8th Edition).

    Chest. 2008;133(6 Suppl):381S-453S.

  12. Bula Fragmin. ANVISA

    Disponível em: http://www.anvisa.gov.br/datavisa/fila_bula/frmResultado.asp.

    Acesso em: 4 fev 2019

  13. Comissão de Circulação Pulmonar da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia.

    Recomendações para a prevenção do tromboembolismo venoso.

    J Pneumologia (SP). maio/jun 2000;26(3).

  14. Guyatt GH, et al.

    Executive summary: antithrombotic therapy and prevention of thrombosis, 9th ed: American College of Chest Physicians Evidence-Based Clinical Practice Guidelines.

    Chest. 2012;141(2 Suppl) 7S-47S.

  15. Cód. Zinc: SABR.ENO.19.02.0207