A urticária crônica (UC) pode ser definida como a ocorrência diária, ou quase diária, de urticária e/ou angioedema durante um período igual ou superior a 6 semanas. Esta condição afeta entre 0,1 e 0,3% das crianças e ocasiona altos custos diretos em termos de consultas, investigações e tratamentos. Diversos fatores etiológicos têm sido associados ao aparecimento da UC, mas na maioria dos casos é de origem idiopática. Mesmo assim é importante identificar as investigações diagnósticas relevantes que devem ser realizadas em crianças com UC.

Assim, pesquisadores realizaram uma revisão sistemática da literatura com o objetivo de examinar estudos que abordem a frequência relativa de diferentes etiologias da UC em crianças, para fornecer orientações sobre quais testes devem ser realizados.

Para o estudo, que foi publicado no periódico científico Acta Dermato-Venereologica, os investigadores realizaram buscas nos bancos de dados PubMed, EMBASE e Cochrane sobre estudos que avaliaram a frequência relativa de fatores etiológicos associados à UC em crianças.

Foram incluídos na revisão apenas seis estudos que atenderam aos critérios dos pesquisadores analisando 565 crianças. De forma genérica a UC foi mais comumente classificada como idiopática (55,9%), seguida por autoimune (28,4%) e física (15%).
 
Os achados encontrados pelos autores do estudo mostraram que na maioria dos casos os testes diagnósticos raramente são necessários em crianças com UC e, caso seja identificada a necessidade de realizá-los, devem ser guiados pelo histórico médico e pelo exame físico. Segundo os autores, a urticária física pode ser o fator evitável mais comum associado à UC e, entre os gatilhos físicos, se destacam os estímulos colinérgicos, frio, dermografismo, exposição ao sol e pressão. Em relação aos alimentos, aditivos, pólen, medicamentos e infecções, os investigadores encontraram uma incidência relativamente baixa, e sugerem que os testes para alergia e infecções sejam realizados apenas quando houver histórico de correlação causa-efeito. Entre as causas relacionadas à autoimunidade, a pesquisa mostrou que as investigações sobre doenças da tireoide ou vasculares conjuntivas não foram úteis, e sua detecção deve ser empregada apenas quando há evidências claras de que tratamentos diferentes e mais eficazes podem ser utilizados.

Os achados encontrados pelos autores do estudo mostraram que na maioria dos casos os testes diagnósticos raramente são necessários em crianças com urticária crônica e, caso seja identificada a necessidade de realizá-los, devem ser guiados pelo histórico médico e pelo exame físico.

Por fim, os pesquisadores ainda sentem a necessidade da realização de novos estudos de alta qualidade para avaliar as causas da urticária crônica na infância.

Acesso em 13 Nov 2019. Disponível em
: https://www.medicaljournals.se/acta/download/10.2340/00015555-1511/ 

SABR.SA.20.02.0208c
 

REFERÊNCIAS

  1. Caffarelli C, Cuomo B, Cardinale F, Barberi S, Dascola CP, Agostinis F, et al.

    Aetiological factors associated with chronic urticaria in children: a systematic review.

    Acta Derm Venereol. 2013 May;93(3):268-72.