O quadril é uma das articulações mais comumente afetadas pela osteoartrite (OA). Devido à inexistência de uma cura terapêutica para a OA do quadril, é de especial interesse prever quais pacientes têm uma probabilidade maior de progressão da doença, principalmente se esses fatores forem potencialmente modificáveis.

 

Estudos anteriores identificaram vários fatores preditivos para a progressão da OA do quadril. Entretanto, também existem evidências contrárias em relação a alguns desses fatores.

 

Portanto, pesquisadores realizaram um estudo com o objetivo de revisar sistematicamente as evidências existentes sobre os fatores relacionados aos pacientes, sua saúde e variáveis de diagnóstico, que estão associadas à progressão da OA do quadril.

 

Para a revisão, que foi publicada no periódico científico Arthritis Research & Therapy, os investigadores realizaram uma pesquisa bibliográfica em bases de dados sobre estudos de coorte e caso-controle que avaliaram os fatores associados à progressão da OA de quadril. Os autores excluíram os estudos com período de acompanhamento inferior a um ano ou sobre patologias subjacentes específicas da osteoartrite. 

 

No total, foram incluídos 57 artigos que descrevem 154 fatores diferentes. Entre esses, uma síntese de melhores evidências revelou 103 fatores para progressão clínica, radiológica e para a atroplastia total de quadril (ATQ). Foram encontradas fortes evidências de uma maior progressão clínica em pacientes com comorbidades. Também foram encontradas fortes evidências de uma maior progressão para a ATQ para pacientes com um grau mais alto no índice de Kellgren e Lawrence (K-L), migração superior ou súpero-lateral da cabeça do fêmur e esclerose subcondral. Os pesquisadores também encontraram fortes evidências de não associações, em relação à progressão clínica, para gênero, apoio social, uso de analgésicos, qualidade de vida e amplitude de movimento limitada de rotação interna ou externa. Além disso, foram encontradas fortes evidências de não associações em relação à progressão radiológica dos marcadores telopeptídeo carboxi-terminal do colágeno tipo I (CTX-I), proteína oligomérica da matriz cartilaginosa (COMP), telopeptídeo N-terminal do colágeno tipo I (NTX-I), propeptídeo N-terminal do procolágeno tipo I (PINP) e tipo III e (PIIINP) e, em relação à progressão para ATQ, para o índice de massa corporal.

 

Os autores da revisão concluíram que existem evidências consistentes de que quatro fatores, comorbidade, índice de K-L, migração superior ou súpero-lateral da cabeça do fêmur e esclerose subcondral, são preditivos de progressão da OA do quadril. Outros fatores não foram preditivos ou as evidências encontradas eram fracas ou conflitantes. Na opinião dos autores, os profissionais de saúde que cuidam de pacientes com OA do quadril poderão se beneficiar da percepção de fatores prognósticos para, por exemplo, iniciar um tratamento sintomático intensificado ou de encaminhamento precoce a um cirurgião ortopédico nos pacientes com maior probabilidade de progredir rapidamente.

 

Acesso em 03 Dez 2019. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6708123/pdf/13075_2019_Article_1969.pdf

Existem evidências consistentes de que quatro fatores, comorbidade, índice de K-L, migração superior ou súpero-lateral da cabeça do fêmur e esclerose subcondral, são preditivos de progressão da osteoartrite do quadril.

REFERÊNCIAS

  1. Teirlinck CH, Dorleijn DMJ, Bos PK, Rijkels-Otters JBM, Bierma-Zeinstra SMA, Luijsterburg PAJ.

    Prognostic factors for progression of osteoarthritis of the hip: a systematic review.

    Arthritis Res Ther. 2019 Aug 23;21(1):192.