A obesidade é uma condição causada principalmente por uma alteração no consumo de energia, gerando um balanço energético positivo, que pode ser influenciado por fatores genéticos e ambientais. A prevalência da obesidade está aumentando globalmente, com mais de um bilhão de adultos com excesso de peso e pelo menos 300 milhões de pessoas clinicamente obesas. Os pacientes com obesidade mórbida apresentam concomitantemente condições graves de saúde, como hipertensão, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, acidente vascular cerebral e tromboembolismo venoso.

O trato gastrointestinal distal está colonizado por um grande número de espécies microbianas. A disbiose da microbiota intestinal leva a um desequilíbrio da composição e função desses microorganismos intestinais. Diversos estudos demonstram que os microorganismos intestinais desempenham um grande papel na saúde, podendo estar envolvidos em distúrbios gastroenterológicos localizados, doenças neurológicas, respiratórias, hepáticas e cardiovasculares, e síndromes relacionadas ao metabolismo. Estudos também mostraram que determinadas comunidades microbianas intestinais estavam associadas à obesidade e que a obesidade levaria a reduzir a diversidade de microrganismos. Os hábitos alimentares têm fortes influências na seleção da microbiota intestinal, sendo que a microbiota de indivíduos obesos tem uma maior capacidade de captar energia da dieta, contribuindo com a obesidade. No entanto, ainda não está esclarecido até que ponto e por qual mecanismo a microbiota intestinal contribui para o desenvolvimento da obesidade.

Neste sentido, pesquisadores recrutaram crianças e adolescentes obesos e saudáveis para comparar a composição da comunidade da microbiota intestinal, e revelar as potenciais características funcionais relacionadas com a obesidade.

Para o estudo, que foi publicado no periódico científico BioMed Research International, os investigadores avaliaram o gene 16S rRNA, enterótipos e a quantidade da microbiota intestinal de 87 crianças obesas e de 56 crianças saudáveis, verificando as diferenças entre as microbiotas intestinais durante o processo de redução de peso nas crianças obesas.

Os resultados revelaram que a composição da microbiota intestinal foi significativamente diferente entre crianças obesas e as saudáveis. Os pesquisadores também constataram que nas crianças obesas as alterações funcionais, incluindo o sistema de fosfotransferase, ATP Binding cassete (ABC), montagem flagelar e a quimiotaxia bacteriana estiverem aumentadas, enquanto que a biossíntese e o metabolismo de glicanos estiveram diminuídos. Além disso, a quantidade de Bifidobacterium e Lactobacillus aumentou significativamente nas crianças obesas que passaram por um processo de redução de peso.
 
Os autores do estudo concluíram que, a composição da microbiota intestinal foi significativamente diferente entre as crianças obesas e saudáveis analisadas no estudo. As categorias de bactérias de Enterococcus, Blautia, Sutterella, Klebsiella e Collinsella, se apresentaram predominantes nas crianças obesas, enquanto que Bacteroides, Parabacteroides, Anaerotruncus e Coprobacillus eram predominantes nas crianças saudáveis. Essas características, segundo os autores, seriam responsáveis por alterações funcionais nas crianças obesas, como o aumento do transporte do sistema de fosfotransferase e ABC, montagem flagelar e motilidade celular relacionada à quimiotaxia bacteriana, e diminuição na biossíntese e metabolismo de glicanos. Além disso, a quantidade de Bifidobacterium e Lactobacillus aumentou entre as crianças obesas durante o processo de redução de peso. Na opinião dos autores, estes resultados podem fornecer uma base clínica para o tratamento da obesidade, e recomendam que os microrganismos Bifidobacterium e Lactobacillus podem ser utilizados como indicadores de condições saudáveis em crianças e adolescentes obesos, bem como sua suplementação com prebióticos e probióticos na dieta pode ser um tratamento auxiliar para a obesidade. 

Acesso em 01 Nov 2019. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5682041/pdf/BMRI2017-7585989.pdf 
 

A composição da microbiota intestinal foi significativamente diferente entre as crianças obesas e saudáveis analisadas no estudo.

REFERÊNCIAS

  1. Hou YP, He QQ, Ouyang HM, Peng HS, Wang Q, Li J, et al. 

    Human Gut Microbiota Associated with Obesity in Chinese Children and Adolescents. 

    Biomed Res Int. 2017;2017:7585989.