As atividades artísticas são classificadas como intervenções de saúde “multimodais”, porque combinam múltiplos fatores psicológicos, físicos, sociais e comportamentais com uma motivação estética intrínseca ao envolvimento. Estudos anteriores já mostraram uma associação entre o envolvimento com as artes e a prevenção e tratamento de problemas mentais e condições físicas de saúde, incluindo depressão, demência e dor crônica. No entanto, ainda há uma incerteza se o envolvimento com as artes realmente confere benefícios à sobrevivência das pessoas. 

Assim, pesquisadores realizaram um estudo para explorara a associação entre diferentes frequências de envolvimento com artes e mortalidade em adultos com 50 anos ou mais, por um período de acompanhamento de 14 anos. 

O estudo observacional, que foi publicado no periódico científico BMJ, contou com a participação de 6.710 indivíduos, sendo que 53,6% eram mulheres. O nível de envolvimento com as artes foi autorrelatado pelos participantes e considerou as idas a museus, galerias de arte, exposições, teatro, concertos e óperas. A mortalidade foi avaliada por meio de interligação com os dados de registro central do Serviço Nacional de Saúde.
 
Os resultados encontrados mostraram que as pessoas que se envolviam com atividades artísticas com pouca frequência, uma ou duas vezes por ano, apresentaram um risco 14% menor de óbito durante o acompanhamento (809/3.042) quando comparadas com aqueles que não se envolveram nesse tipo de atividades (837/1.762 mortes). Adicionalmente, as pessoas que se envolveram com atividades artísticas com maior frequência, três vezes por ano ou mais, apresentaram um risco 31% menor de óbito (355/1.906 mortes), independentemente de fatores relacionados à saúde, demográficos, socioeconômicos, comportamentais e sociais. Os resultados se mantiveram robustos mesmo após uma série de análises de sensibilidade, sem evidência de moderação por sexo, status socioeconômico ou fatores sociais.

As pessoas que se envolveram com atividades artísticas com maior frequência, três vezes por ano ou mais, apresentaram um risco 31% menor de óbito (355/1.906 mortes), independentemente de fatores relacionados à saúde, demográficos, socioeconômicos, comportamentais e sociais.

Segundo seus autores, o estudo sugere que o envolvimento com artes poderia ter associações protetoras longitudinais independentes com a longevidade em adultos mais velhos. Essa associação parece ser parcialmente explicada por diferenças em fatores como cognição, saúde mental e atividade física entre aqueles que se envolvem e que não se envolvem com as artes, mas parecem ser independentes desses fatores.

 

Acesso em 31 Jan 2020. Disponível em: https://www.bmj.com/content/367/bmj.l6377.full.pdf

REFERÊNCIAS

  1. Fancourt D, Steptoe A.

    The art of life and death: 14 year follow-up analyses of associations between arts engagement and mortality in the English Longitudinal Study of Ageing.

    BMJ. 2019 Dec 18;367:l6377.