A síndrome de fibromialgia foi descrita décadas atrás, mas continua sendo um desafio para a maioria dos médicos, incluindo aqueles dedicados à atenção primária até os especialistas em dor, passando por reumatologistas, neurologistas, fisiatras e ortopedistas. Ainda, nos tempos atuais, existem muitas divergências e compreensões sobre o que seria a fibromialgia entre os médicos da mesma especialidade. Na Noruega, os médicos em dois momentos distintos informaram ser o diagnóstico de fibromialgia aquele que eles se sentiam menos confortáveis em realizar. Porém, a despeito da dificuldade de um consenso entre os médicos, os pacientes continuam apresentando sintomas desconfortáveis, como dor crônica e, muitas vezes, não são atendidos como deveriam ser.

Para solucionar esse sério problema que afeta a qualidade assistencial da medicina, o diagnóstico de fibromialgia pressupõe que o paciente apresente dores crônicas em várias localizações do corpo.

Para tanto, uma abordagem inicial poderá incluir que o paciente marque em uma figura do corpo humano onde as dores são mais frequentes. 

As informações iniciais para o diagnóstico da síndrome de fibromialgia podem ser descritas como: 

- história familiar de dor crônica precoce, como dor lombar, ou referência a "reumatismo";
- história pessoal de dor (cabeça, abdômen, articulações) na infância e adolescência;
- história prolongada de dor local;
- início da dor generalizada relacionada ao estresse físico e/ou psicossocial, como luto, divórcio e desemprego;
- dor com localização e intensidade variáveis, muitas vezes referida como “em queimação” e associada a mudanças de temperatura ambiente e a estresse em geral;
- hipersensibilidades tátil, sonora, gustativa e olfativa;
- diagnóstico prévio de uma ou mais condições, como dispepsia funcional, síndrome do intestino irritável, síndrome da bexiga dolorosa, cefaleia tensional e enxaqueca. 

 

Os autores recomendam que o diagnóstico inclua a presença de quatro a seis pontos com dor e gravidade maior dos sintomas.

Além dessa abordagem, será necessário pesquisar diagnósticos psiquiátricos, o uso de medicamentos como estatinas, bifosfonatos e mesmo analgésicos opioides.  
Exames físicos articular e neurológico precisam ser detalhados, mas a pesquisa de ponto gatilho não mostrou validade nem reprodutibilidade. Exames laboratoriais contribuem somente para diagnósticos diferenciais de hipotireoidismo ou polimialgia reumática. 

Os autores recomendam que o diagnóstico inclua a presença de quatro a seis pontos com dor e gravidade maior dos sintomas. Além disso, dor generalizada definida pela dor que ocorre em pelo menos quatro das cinco regiões do corpo (quatro quadrantes e o eixo), exceto face e abdome, deve estar presente. 

É importante ressaltar que a fibromialgia pode ser concomitante tanto a outras doenças articulares como a psiquiátricas. 

A abordagem mais importante em pacientes com fibromialgia, tal como nas demais doenças, é o seguimento continuado por um mesmo médico. O tratamento inicial deve incluir atividade física e uso de medicamentos na fase aguda. Uma escala de dor deverá sempre ser apresentada ao paciente a cada consulta para verificar a evolução. Os casos que não apresentam melhora necessitam de abordagem multidisciplinar e uso continuado de medicamentos, mas sempre sob supervisão de um mesmo médico.
 

REFERÊNCIAS

  1. Häuser W, Sarzi-Puttini P, Fitzcharles MA.

    Fibromyalgia syndrome: under-, over- and misdiagnosis.

    Clinical and Experimental Rheumatology. 2019;S90-S97.