Um novo estudo sugeriu que as pessoas empregadas em trabalhos de período integral que passam longas jornadas se deslocando da sua casa até o local de trabalho podem ter mais problemas de sono e um estilo de vida mais sedentário, do que seus colegas que trabalham mais próximos de suas casas.

Entre indivíduos que trabalham mais de 40 horas por semana, um deslocamento diário de mais de meia hora até o trabalho foi associado a um risco 25% maior de ter um estilo de vida sedentário e um risco 16% maior de apresentar problemas do sono.

Segundo os autores da pesquisa, que foi publicada no periódico científico Occupational & Environmental Medicine, os problemas do sono podem surgir devido à falta de tempo para atividades desestressantes e de relaxamento. Também é possível que as pessoas também se sintam cansadas demais para serem fisicamente ativas após um longo dia de trabalho e deslocamento.

A agenda diária da maioria dos adultos é determinada por suas rotinas de trabalho, incluindo quanto tempo gastam na ida e volta de seus empregos. Embora as longas jornadas de trabalho tenham sido previamente relacionadas a comportamentos prejudiciais, como inatividade, tabagismo e maus hábitos alimentares, pouco se conhecia sobre o efeito combinado do excesso de horas de trabalho e do deslocamento ao longo do tempo.

Para o estudo, os pesquisadores analisaram, em ao menos duas ocasiões, os hábitos de mais de 22.000 trabalhadores adultos entre 2008 e 2018. Eles responderam um questionário sobre jornada de trabalho e tempo de deslocamento até o trabalho, consumo de álcool, tabagismo, prática de exercícios e qualidade do sono. Os autores também perguntaram sobre a altura e o peso dos participantes para determinar o índice de massa corporal (IMC).

No início do estudo os participantes tinham, em média, 48 anos. Enquanto muitos indivíduos mantiveram a mesma rota para ir até o trabalho ao longo do estudo, 14% tiveram alterações em seu tempo de deslocamento uma vez, e cerca de 5% mudaram de trajeto pelo menos duas vezes.
 
Na opinião dos autores do estudo, as relações dos efeitos da diminuição do tempo de deslocamento até o trabalho com os comportamentos de saúde, devem ser melhor analisadas.

Acesso em 22 jan 2020.
Disponível em:
https://oem.bmj.com/content/oemed/77/2/77.full.pdf
 

Entre indivíduos que trabalham mais de 40 horas por semana, um deslocamento diário de mais de meia hora até o trabalho foi associado a um risco 25% maior de ter um estilo de vida sedentário e um risco 16% maior de apresentar problemas do sono.

REFERÊNCIAS

  1. Halonen JI, Pulakka A, Vahtera J, Pentti J, Laström H, Stenholm S, et al.

    Commuting time to work and behaviour-related health: a fixed-effect analysis. 

    Occup Environ Med. 2020 Feb;77(2):77-83.