Estudos observacionais relataram uma maior incidência de mortalidade por todas as causas, doenças cardiometabólicas e câncer em pessoas que consomem maiores quantidades de carne vermelha. Consequentemente, a maioria das diretrizes recomenda limitar a ingestão de carne vermelha e processada. No entanto, especialistas consideram que ainda é necessário um exame adicional das evidências para determinar até que ponto as recomendações atuais são justificadas, principalmente considerando as possíveis limitações metodológicas das revisões sistemáticas e outros fatores de confusão.

Nesse sentido, pesquisadores realizaram uma revisão para analisar as recomendações sobre o consumo de carne vermelha e processada, abordando evidências de estudos randomizados sobre os resultados de saúde, cardiometabólicos e câncer. 

Para o estudo, que foi publicado no periódico científico Annals of Internal Medicine, os investigadores realizaram buscas nas bases de dados MEDLINE, EMBASE, Registro Central da Cochrane de Ensaios Controlados, CINAHL, Web of Science e ProQuest Dissertations & Theses Global, sem restrições de ano ou idioma, por estudos de coorte prospectivos com 1.000 ou mais participantes que relataram uma associação entre padrões alimentares e resultados de saúde. 
 
Os estudos analisados acompanharam pacientes por 2 a 34 anos e revelaram evidências de baixa a muito baixa certeza de que os padrões alimentares mais baixos na ingestão de carne vermelha e processada resultaram em reduções muito pequenas ou possivelmente pequenas na mortalidade por todas as causas, mortalidade e incidência de câncer, mortalidade por doenças cardiovasculares, doença coronariana não fatal, infarto do miocárdio fatal e não fatal e diabetes tipo 2. A amostra total para os dados sobre mortalidade por todas as causas, câncer e cardiovascular e para a incidência de alguns tipos de câncer incluiu mais de 400.000 pacientes. Para os outros resultados, o total da amostra incluiu entre 4.000 e mais de 300.000 pacientes.

A adesão a padrões alimentares de baixa ingestão de carne vermelha ou processada pode resultar em menor risco de mortalidade por todas as causas, por doenças cardiometabólicas e morbidade e mortalidade por câncer.

Os autores da revisão concluíram que, a adesão a padrões alimentares de baixa ingestão de carne vermelha ou processada pode resultar em menor risco de mortalidade por todas as causas, por doenças cardiometabólicas e morbidade e mortalidade por câncer. No entanto, segundo os autores, a magnitude desses efeitos para todos os resultados é de pequena a muito pequena, e a certeza das evidências é baixa a muito baixa. Estes resultados, portanto, levantam questões sobre a plausibilidade de carnes vermelhas e processadas estarem causalmente relacionadas a resultados adversos à saúde.

Acesso em 07 Fev 2020. Disponível em: https://annals.org/aim/fullarticle/2752327/patterns-red-processed-meat-consumption-risk-cardiometabolic-cancer-outcomes-systematic
 

SABR.SA.20.02.0196

 

REFERÊNCIAS

  1. Vernooij RWM, Zeraatkar D, Han MA, El Dib R, Zworth M, Milio K, et al

    Patterns of Red and Processed Meat Consumption and Risk for Cardiometabolic and Cancer Outcomes: A Systematic Review and Meta-analysis of Cohort Studies. 

    Ann Intern Med. 2019 Oct 1.