DEFINIÇÃO E ETIOLOGIA 

No hipotireoidismo clínico ou subclínico, há redução da produção dos hormônios tireoidianos pela glândula tireoide, com o consequente aumento de hormônio estimulador da tireoide (TSH, na sigla em inglês), produzido pela hipófise.1-3

Várias formas de tireoidite podem causar hipotireoidismo permanente ou transitório; as doenças infiltrativas ou infecciosas e a radioterapia também podem causar hipotireoidismo.1 A deficiência e o excesso de iodo podem causar hipotireoidismo, assim como o uso de certos fármacos, como amiodarona, lítio, interferon-alfa e inibidores da tirosina quinase, entre outros.1

QUANDO DEVEMOS AVALIAR A FUNÇÃO TIREOIDIANA?
 
A triagem é apropriada para pacientes com aumento de risco de disfunção tireoidiana que apresentam:4
- História prévia de disfunção tireoidiana. 
- Presença de bócio. 
- História prévia de cirurgia tireoidiana. 
- História prévia de radioterapia cervical. 
- Presença de outras doenças autoimunes (como diabetes mellitus tipo 1, vitiligo, anemia perniciosa, insuficiência adrenal primária etc.).
- Uso de medicações como lítio, citocinas, amiodarona e agentes contrastados. 
- História familiar de doença tireoidiana ou de outra doença autoimune. 
- Presença de alterações laboratoriais que sugerem hipotireoidismo: hipercolesterolemia, hiponatremia, anemia, elevações de creatinofosfoquinase e lactato desidrogenase, hiperprolactinemia. 
- Presença de comorbidades como apneia do sono e depressão. 

Na faixa pediátrica, há também condições clínicas que podem refletir risco de disfunção tireoidiana e merecem triagem:4,5    
- Triagem neonatal (teste do pezinho). 
- Crianças e adolescentes de baixa estatura e/ou baixa velocidade de crescimento. 
- Crianças com distúrbios da evolução puberal. 
- Crianças e adolescentes com suspeita de transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) ou queda do rendimento escolar sem causa reconhecida. 
 

Quadro 1

Testes normais de função

Quadro 2

Hipotireoidismo

DIAGNÓSTICO LABORATORIAL 

 

No diagnóstico de hipotireoidismo, devem ser solicitados testes de TSH e de T4 livre. O intervalo normal de valores de TSH em indivíduos sem doença tireoidiana é de 0,4 a 4,5 mU/L.6 (Quadros 1 e 2)

As gestantes no primeiro trimestre com TSH ≥2,5 mU/L e anticorpos positivos são consideradas hipotireóideas e devem ser tratadas com levotiroxina sem intervalo de tempo.4,7 

TRATAMENTO DE HIPOTIREOIDISMO

 

Após a confirmação do diagnóstico de hipotireoidismo clínico ou subclínico, a reposição hormonal deve ser feita com o intuito de deixar o paciente eutireoidiano. Recomenda-se que os níveis-alvo de TSH estejam de acordo com a idade: nos pacientes jovens e de meia idade, o TSH deve ser de 1 a 2,5 mU/L; nos pacientes de 60 a 75 anos de idade, o alvo do TSH deve ser de 3 a 4 mU/L; e nos pacientes com mais de 70 anos, o alvo deve ser de 4 a 6 mU/L.8

 

O tratamento de reposição deve ser feito com levotiroxina sódica (L-tiroxina). A absorção intestinal da L-tiroxina aumenta com jejum e pH gástrico ácido.5

 

No hipotireoidismo clínico, a dose diária deve ser de 1,6 a 1,8 µg/kg de peso corporal ideal. No hipotireoidismo subclínico, deve-se iniciar com dose menor, de 1 a 1,2 µg/kg de peso corporal ideal. No caso dos idosos e dos pacientes com doença cardíaca, deve-se iniciar a terapia com doses mais baixas de L-tiroxina, de 12,5 a 25 µg/dia.4,9

 

A terapia com L-tiroxina deve ser monitorada avaliando-se os níveis séricos de TSH e de T4 livre, no período de seis a oito semanas após cada ajuste de dose. Quando o paciente está eutireoidiano, pode-se aumentar o intervalo de avaliação para seis meses.2,4

- Vale lembrar que a L-tiroxina é uma droga de intervalo terapêutico estreito, ou seja, pequenas variações de dose podem causar efeitos deletérios, em consequência do subtratamento ou do supertratamento.10,11


- A mudança de dose de L-tiroxina durante o tratamento deve ser evitada. Caso ocorra, testes de função tireoidiana devem ser solicitados no período de seis a oito semanas.12

 

No caso dos idosos e dos pacientes com doença cardíaca, deve-se iniciar a terapia com doses mais baixas de L-tiroxina, de 12,5 a 25 µg/dia.4,9

REFERÊNCIAS

  1. Wiersinga W.

    Adult hypothyroidism. In: Thyroid Disease Manager 

    Disponível em: www.thyroidmanager.org/chapter/adult-hypothyroidism/#toc-9-2-definition-and-epidemiology-of-hypothyroidism. 

  2. Rosário PW, et al.  

    Thyroid nodules and differentiated thyroid cancer: update on the Brazilian consensus

    Arq Bras Endocrinol Metab. 2013;57(4):240-264.

  3. Maia AL, et al

    Consenso brasileiro para o diagnóstico e tratamento do hipertireoidismo: recomendações do Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia

    Arq Bras Endocrinol Metab. 2013;57(3). 

  4. Brenta G, et al

    Diretrizes clínicas práticas para o manejo do hipotireoidismo. 

    Arch Brasil Endocrinol Metabol. 2013;57:265-299. 

  5. Sgarbi JA, et al.

    The Brazilian consensus for the clinical approach and treatment of subclinical hypothyroidism in adults: recommendations of the thyroid Department of the Brazilian Society of Endocrinology and Metabolism

    Arq Bras Endocrinol Metab. 2013;57(3):166-183. 

  6. Boucai L, et al. 

    An approach for development of age, gender, and ethnicity-specific thyrotropin reference limits. 

    Thyroid. 2011;21:5-11.

  7. Stagnaro-Green A, et al. 

    Guidelines of the American Thyroid Association for the diagnosis and management of thyroid disease during pregnancy and postpartum. 

    Thyroid.2011;21(10):1081–1125. 

  8. Biondi B. 

    Should we treat all subjects with subclinical thyroid disease the same way? 

    Eur J Endocrinol. 2008;159:343-345. 

  9. Devdhar M, et al. 

    Levothyroxine replacement doses are affected by gender and weight, but not age.

    Thyroid. 2011;21:821-827

  10. Levy G. 

    What are narrow therapeutic index drugs? 

    Clin Pharmacol Ther. 1998;63(5):501-505. 

  11. Food and Drug Administration 

    Department of Health and Human Services. 

    Thursday, Aug 14, 1997. Vol. 62, No 157. p. 43535-8. 

  12. Hennessey JV, et al. 

    Adverse event reporting in patients treated with levothyroxine: results of the pharmacovigilance task force survey of the American thyroid association, American association of clinical endocrinologists, and the endocrine society

    Endocr Pract. 2010;16(3):357-370.