Mensagem principal

- Não foi observada diferença significativa na percepção do risco de doença cardiovascular, crenças sobre redução do colesterol ou eficácia e segurança de terapia com estatina entre pacientes com doença cerebrovascular (DCeV) e doença arterial coronariana (DAC).

- Entretanto, pacientes com DCeV exclusiva apresentaram probabilidade significativamente mais baixa de receber qualquer terapia com estatina ou de atingir um nível de colesterol de lipoproteína de baixa densidade (LDL-C) < 100 mg/dL do que os pacientes com DAC exclusiva.

- Apenas um terço dos pacientes com DCeV exclusiva estava na intensidade de estatina recomendada por diretriz.

Por que isto importa?

- As diretrizes atuais recomendam veementemente o uso de terapia com estatinas na prevenção secundária em pacientes com doença cardiovascular aterosclerótica (DCVAC).

- Apesar de evidências que respaldam os benefícios das estatinas na prevenção de eventos isquêmicos recorrentes, os pacientes em prevenção secundária geralmente não são tratados ou são subtratados em centros de saúde comunitários. 

Desenho do estudo

- O estudo avaliou 3.232 pacientes com DCVAC ou com alto risco de DCVAC inscritos no registro PALM (Patient and Provider Assessment of Lipid Management, Avaliação por Pacientes e Prestadores do Tratamento Lipídico) de 133 centros de cardiologia, atenção primária e endocrinologia que tinham:

- somente DCeV (histórico clínico de acidente vascular cerebral prévio, ataque isquêmico transitório ou estenose da artéria carótida com/sem revascularização), n=403;

- somente DAC (histórico clínico de DAC, infarto do miocárdio prévio, cirurgia de revascularização da artéria coronariana ou intervenção coronária percutânea), n=2.202; ou ambos, DAC e DCeV, n=627.

- Desfecho primário: uso e dosagem de estatina, uso de intensidade de estatina recomendada por diretriz e níveis de LDL-C < 100 mg/dL.

- A intensidade de estatina recomendada por diretriz foi avaliada com base em se o paciente recebeu ou não dose de estatina recomendada por diretriz de acordo com as diretrizes de 2013 da American Heart Association/American College of Cardiology.

- Financiamento: Sanofi Pharmaceuticals e Regeneron Pharmaceuticals.
Resultados principais

- No geral, 84,3% e 48,3% dos pacientes receberam terapia com estatinas e foram tratados com a intensidade de estatina recomendada por diretriz, respectivamente.

- Pacientes com DCeV exclusiva vs. DAC exclusiva apresentaram probabilidade mais baixa de receber:

- qualquer terapia com estatina (76,2% vs. 86,2%; aOR, 0,64 [IC de 95% 0,45-0,91]); ou

- intensidade de estatina recomendada por diretriz (34,6% vs. 50,4%; aOR, 0,60 [IC de 95%, 0,45-0,81]).

- A diferença no uso de estatina e intensidade de estatina não foi significativamente diferente entre os pacientes com DAC e DCeV vs. somente DAC.

- Pacientes somente com DCeV (aOR, 0,79; IC de 95%, 0,64-0,99) ou com DAC e DCeV (aOR, 0,73; IC de 95%, 0,61-0,87) apresentaram probabilidade mais baixa de atingir LDL-C < 100 mg/dL em comparação com pacientes somente com DAC.

- Os pacientes nas três coortes não apresentaram diferenças significativas em suas:

- percepções de risco de doença cardiovascular;

- crenças sobre colesterol;

- eficácia e segurança de terapia com estatina; e

- confiança nas decisões dos médicos com relação à sua assistência médica.

- Entre os pacientes que estavam no momento (P=0,008) ou anteriormente (P=0,04) tomando estatinas, aqueles com DCeV apresentaram probabilidade mais baixa de relatar urticária/prurido.

- Sintomas como dores musculares, perda de memória, fraqueza ou fadiga não foram significativamente diferentes nas três cortes.

Apesar de evidências que respaldam os benefícios das estatinas na prevenção de eventos isquêmicos recorrentes, os pacientes em prevenção secundária geralmente não são tratados ou são subtratados em centros de saúde comunitários.

Limitações

-Não foi possível acesso a dados sobre motivos documentados para não prescrever estatinas.

-Não foi possível determinar o tipo e o momento do evento de AVC prévio.

-Os resultados não podem ser extrapolados para pacientes tratados por neurologistas ou neurologistas vasculares.

 

SABR.SA.20.02.0208e

REFERÊNCIAS

  1. Xian Y, Navar AM, Li S, Li Z, Robinson J, Virani SS, Louie MJ, Koren A, Goldberg A, Roger VL, Wilson PWF, Peterson ED, Wang TY.

    Intensity of Lipid Lowering With Statin Therapy in Patients With Cerebrovascular Disease Versus Coronary Artery Disease: Insights from the PALM Registry. 

    J Am Heart Assoc. 2019;8(19):e013229. doi: 10.1161/JAHA.119.013229. PMID: 31554462