As infiltrações articulares com ácido hialurônico, conhecidas também como viscossuplementação, são indicadas para a melhora da dor e da função articular do paciente e têm o objetivo de restaurar as propriedades viscoelásticas e mecânicas do líquido sinovial fisiológico, que estão bastante alteradas na osteoartrite.1,2 Existem inúmeros tipos de ácido hialurônico disponíveis no mercado para tratamento da osteoartrite, porém com grande diferença quanto a origem (animal ou fermentação bacteriana), peso molecular (de 0,7 a 3 MDa), estrutura molecular (linear, cross-link ou mista) e comportamento reológico (gel ou fluido).1 Por outro lado, poucos produtos disponíveis no mercado brasileiro apresentam embasamento científico comprovado por ensaios clínicos comparativos que demonstram sua eficácia e segurança. 

Tendo em vista a importância da medicina baseada em evidências na prática médica atual,3,4 fatores como segurança, eficácia, resultados clínicos, tolerabilidade e efeitos na preservação da cartilagem são de suma importância para a decisão terapêutica e a escolha do tipo de viscossuplemento a ser utilizado no tratamento da osteoartrite.

Neste compêndio, elencamos alguns estudos que comprovam a eficácia, a segurança e a tolerabilidade de hilano G-F 20 no tratamento de curto e longo prazo da osteoartrite de joelho,5 inclusive um ensaio prospectivo, randomizado e comparativo6 com hilano G-F 20. Demonstramos também resultados clínicos de centenas de pacientes7,8 tratados com hilano G-F 20 e discutimos as características da distribuição intra-articular e do tempo de permanência articular do hilano após a infiltração no joelho.9

De particular importância para a prática clínica, selecionamos estudos que comprovam a eficácia da viscossuplementação com hilano G-F 20 para postergar a realização de artroplastia total de joelho,10 bem como o efeito na preservação da cartilagem articular do joelho, detectada por imagem de ressonância magnética.11

Neste compêndio, demonstramos que hilano G-F 20 apresenta robustas evidências científicas comprovadas de sua utilização e eficácia, com inúmeros estudos publicados na literatura.6,10,12-14

 

Segurança e eficácia de longo prazo (1 ano) de uma única injeção de 6 mL de hilano G-F 20 em pacientes indianos com osteoartrite (OA) sintomática de joelho1

Objetivo do estudo 


Este estudo foi desenvolvido para avaliar a segurança e a eficácia da dose única, de 6 mL, de injeção intra-articular de hilano G-F 20 em pacientes indianos com OA de joelho ao longo de 52 semanas.1

Métodos e pacientes 

Trata-se de um ensaio clínico de fase 4, aberto e multicêntrico. Os pacientes (N=394), de 30 anos de idade ou mais, apresentavam OA de gravidade 1 a 3, avaliada pelo sistema de graduação Kellgren-Lawrence (sendo 1 = leve e 4 = grave). Desse total, 369 (94%) dos pacientes completaram o estudo. Os escores obtidos nas escalas WOMAC, SF-12, PTGA e COGA, bem como o uso de medicamentos para tratar a OA, foram avaliados nas semanas 1, 4, 12, 26, 39 e 52 (fase de tratamento inicial).1

Nas semanas 26, 39 e 52, os pacientes elegíveis podiam repetir o tratamento, se justificado clinicamente. Os pacientes eleitos para o tratamento repetido receberam a segunda injeção de hilano G-F 20 no dia 0 (dia inicial) do tratamento repetido e depois foram subsequentemente acompanhados por duas outras consultas, nas semanas 1 e 4.1

Resultados
 

Observaram-se, em 26 semanas, alterações estatisticamente significativas, em comparação com a avaliação basal, de todos os desfechos de eficácia, inclusive do desfecho primário de eficácia WOMAC A1 (p<0,0001). Essa melhora continuou por 52 semanas. Nenhuma alteração significativa ocorreu devido ao uso concomitante de medicamentos. No caso de 11 pacientes (2,8%) houve repetição da injeção na semana 26 ou na 52. Após a repetição da injeção, observaram-se reduções estatisticamente significativas dos escores WOMAC A1, WOMAC C e PTGA (p≤0,028).1

Observou-se também melhora significativa dos desfechos secundários da avaliação inicial até todos os momentos considerados (p<0,0001). Vinte e três (5,8%) dos pacientes registraram 26 reações adversas, localizadas no joelho que foi alvo do tratamento. Uma porcentagem significativamente elevada (p<0,0001) de pacientes estimou sua condição global de OA como “boa” ou “muito boa”, em comparação com a avaliação basal, em cada consulta do estudo. Na avaliação basal, apenas 15% dos pacientes estimaram sua condição global de OA como “boa” ou “muito boa” versus quase 60% na semana 26 e 65% na semana 52.1 

Conclusões 

Tomados em conjunto, os dados indicam que a dose única de injeção de hilano de 6 mL foi bem tolerada e eficaz no tratamento de OA sintomática de joelho, com melhora significativa, no longo prazo (1 ano), de vários desfechos quantitativos de eficácia e segurança. Quando necessário, a repetição do tratamento também se mostrou segura e eficaz nas 4 semanas de acompanhamento.1

 

A viscossuplementação com hilano no tratamento de osteoartrite (OA): resultados da prática clínica no Canadá1

Objetivo do estudo 

O levantamento descrito neste estudo teve como objetivo principal determinar a eficácia e a segurança do uso de hilano em variadas condições da prática clínica. Além disso, o estudo comparou diferentes técnicas de injeção intra-articular e determinou as respostas dos pacientes que receberam múltiplos ciclos de hilano.1

Métodos e pacientes 

Foram obtidos dados de pacientes que receberam quatro ciclos de viscossuplementação de hilano num único joelho ao longo de um período de dois anos e meio ou de até cinco ciclos no caso de pacientes tratados bilateralmente, sempre por clínicos de longa experiência, com o uso de hilano como tratamento intra-articular. Cada ciclo consistiu de três injeções intra-articulares de 2 mL de hilano G-F 20 (Synvisc®, Biomatrix Medical Canada, Pointe-Claire, Québec) administradas ao longo de três semanas consecutivas. O tempo mínimo entre dois ciclos foi de dois meses.1 

Dos 336 pacientes tratados (458 joelhos), 3% tinham menos de 40 anos de idade e 56%, acima de 65 anos; 122 receberam tratamento bilateral no primeiro ciclo e 15, no segundo ciclo. Quatro pacientes receberam o terceiro ciclo e então o quarto ciclo, todos aplicados unilateralmente. Os pacientes foram classificados predominantemente (73%) nos graus II-III no compartimento medial, no lateral e no femoropatelar. Os pacientes tinham histórico de OA de joelho de 7 ± 6,2 anos em média, e 47% deles apresentavam tempo de duração da doença de cinco a dez anos.1 

Resultados 

A eficácia e a segurança clínicas foram avaliadas considerando-se o total de 1.537 injeções. Verificou-se que, em termos de respostas gerais, 77% dos casos foram avaliados como “melhores” ou “muito melhores” no primeiro ciclo de tratamento e 87% como “melhores” ou “muito melhores” no segundo ciclo de tratamento com hilano. Em relação ao nível de atividade, 76% e 84% dos casos foram “melhores” ou “muito melhores” em resposta ao primeiro e ao segundo ciclo respectivamente.1 

Não houve diferença estatisticamente significativa entre a eficácia do primeiro e do segundo ciclo de viscossuplementação de hilano.1 

Houve um total de 42 eventos adversos registrados por 28 pacientes (32 joelhos) após o total de 1.537 injeções ao longo de quatro ciclos de tratamento no mesmo joelho e de cinco ciclos no mesmo paciente, com taxa geral de 2,7% de eventos adversos por injeção, de 7,0% por articulação e de 8,3% por paciente. Além disso, 79% dos efeitos adversos foram resolvidos sem deixar sequelas.1 

Conclusões 

O uso de hilano G-F 20 na prática clínica proporciona excelentes benefícios clínicos e um perfil de segurança plenamente aceitável. A ocorrência de reações adversas após a injeção intra-articular é rara e imprevisível, e nenhum dos casos se relaciona ao uso de hilano, ainda que possa estar associado, de algum modo, à técnica de injeção.1 

Eficácia do uso de hilano G-F 20 e do hialuronato de sódio no tratamento de osteoartrite de joelho: ensaio clínico prospectivo e randomizado1

Objetivo do estudo 

Este estudo randomizado e prospectivo independente comparou a eficácia clínica, o desfecho funcional e a satisfação dos pacientes após a administração de dois agentes de viscossuplementação, hilano G-F 20 (n=199) e hialuronato de sódio (n=193), em pacientes com osteoartrite de joelho.1

Método e pacientes 

Todos os pacientes foram avaliados prospectivamente por avaliadores independentes, cegos na pré-injeção, na semana 6 e nos meses 3, 6 e 12 após os tratamentos. O critério de inclusão foi o escore mínimo de 6 na Escala Visual Analógica (EVA) de 0 a 10 categorias, sendo 10 a pior dor possível no joelho afetado. O hilano G-F 20 foi administrado numa série de três injeções semanais, e o hialuronato, numa série de cinco injeções semanais. Qualquer fluido sinovial presente no joelho foi aspirado antes da injeção.1

Resultados 

A dor no joelho foi estimada segundo a EVA, numa escala que variou de 0 a 10, e registrada em cada consulta pelo próprio paciente. O desfecho primário foi a diferença entre os grupos em termos de dor no joelho, mensurada pela EVA aos seis meses. As medidas de eficácia secundária foram os escores da escala WOMAC 3.1 (Likert) e os escores da escala de joelho Oxford. A satisfação dos pacientes foi quantificada pela EVA. A qualidade de vida relacionada à saúde foi aferida segundo o índice da escala EuroQol-5D. A segurança foi avaliada a cada consulta e as reações adversas classificadas de acordo com sua ocorrência no período de 48 horas após a injeção ou em qualquer outro momento. Além disso, foram consideradas de menor ou maior gravidade conforme a gravidade dos sintomas.1

A dor no joelho melhorou, como indicou a redução do escore EVA, de 6,7 para 3,2 na semana 6 (p=0,02), o que se manteve por até 12 meses (3,7; p=0,04) no grupo tratado com hilano G-F 20. No grupo tratado com hialuronato de sódio, a dor melhorou de 6,6 para 5,7 na semana 6 (p>0,05) e para 4,1 em três meses (p=0,04), o que se sustentou apenas por até seis meses (5,9; p>0,05). A melhora indicada na subescala de dor WOMAC foi significativamente superior no grupo de hilano G-F 20 em três meses (p=0,02), seis meses (p=0,01) e 12 meses (p=0,007). Não houve diferença significativa nos escores EQ-5D em seis semanas e três meses entre os dois grupos.1

O número de eventos adversos relacionados ao tratamento foi maior (39 vs. 30) no grupo tratado com hilano G-F 20 (p>0,05); todavia, todas as reações adversas foram leves, exceto uma de maior gravidade. Nenhum efeito adverso sistêmico foi registrado em nenhum dos grupos. A adesão ao tratamento foi de 99,4% no grupo de hilano G-F 20 em comparação a 92,2% no grupo de hialuronato de sódio.1

Conclusões 

Embora ambos os tratamentos mostrassem reduções significativas da intensidade da dor, tais reduções foram alcançadas mais precocemente e sustentadas por período muito maior entre os pacientes tratados com hilano G-F 20. Em termos globais, a eficácia clínica e a satisfação geral dos pacientes foram maiores entre os que receberam hilano G-F 20.1

 
Tolerabilidade e eficácia de hilano G-F 20 na prática clínica em curto prazo em 4.253 pacientes com osteoartrite de joelho1

Objetivo do estudo 

O principal objetivo do estudo foi determinar a tolerabilidade e a eficácia no curto prazo do uso de hilano G-F 20 (Synvisc®) em pacientes com osteoartrite sintomática de joelho na prática clínica padrão.1

Método e delineamento 

O estudo foi prospectivo e observacional e solicitou a mais de 800 cirurgiões ortopedistas da Alemanha que documentassem em detalhes a rotina de tratamento de cinco pacientes consecutivos aos quais se administrou hilano G-F 20 para alívio da dor na osteoartrite de joelho.1O tratamento e o acompanhamento dos pacientes foram documentados ao longo de quatro consultas. Na consulta 1, as características e a história médica de cada paciente foram registradas. Nas consultas 1, 2 e 3, administraram-se injeções intra-articulares de hilano G-F 20. Os pacientes avaliaram, nas consultas 1 e 4, a própria dor numa escala de 4 pontos (nenhuma, leve, moderada e grave) antes e três semanas após a primeira injeção. Na consulta 4, os pacientes estimaram a alteração da dor (muito melhor, melhor, sem alteração, pior, muito pior) após a terapia, e em seguida pacientes e médicos forneceram uma avaliação geral da terapia com hilano G-F 20. Ainda na consulta 4, perguntou-se aos pacientes se haviam percebido alguma alteração na terapia concomitante com hilano G-F 20; em caso de alguma alteração no tratamento concomitante, deveriam registrar se se tratava de descontinuação ou de menor ou maior uso de analgésicos ou de drogas anti-inflamatórias não esteroides (AINEs), entre outras.1

A tolerabilidade foi avaliada pela ocorrência de reações adversas tanto locais quanto sistêmicas, inclusive gravidade e associação ao tratamento, nas consultas 2, 3 e 4 (três semanas após a primeira injeção). Os médicos estimaram a gravidade das reações adversas como leve, moderada ou grave. A associação com a terapia foi classificada como nenhuma, possível, provável ou categoricamente associada ao tratamento.1

Resultados 

Os 4.253 pacientes, divididos em quatro grupos por faixa etária (<50, 50-59, 60-69 e ≥70 anos), foram tratados com 12.699 injeções por 840 médicos em 720 regiões. Observaram-se reações adversas locais, num total de 302, em 180 pacientes (4,2% dos pacientes; 2,4% das injeções). As reações adversas mais frequentemente registradas foram efusão articular (2,4% dos pacientes), inchaço nas articulações (1,3%), artralgia (1,2%), calor nas articulações (0,6%) e eritema no local da injeção (0,3%). A maioria das reações adversas teve natureza leve (21,4%) ou moderada (40,3%). A dor diminuiu significativamente (p=0,0001) em três semanas após a primeira injeção em comparação ao tratamento inicial. Os preditores potenciais de eficácia do uso de hilano foram baixo peso, sexo masculino, menor tempo desde o diagnóstico e dor basal grave.1

Conclusões 


Nessa população de 4.253 pacientes tratados com hilano G-F 20 para alívio da dor na osteoartrite de joelho, a incidência geral de reações adversas locais associadas ao tratamento foi baixa. O estudo confirma que o uso de hilano G-F 20 é geralmente bem tolerado e demonstra eficácia significativa no curto prazo, de acordo com médicos e pacientes, e de fato representa uma experiência clínica de “mundo real”.1

Ensaio prospectivo, randomizado e pragmático sobre desfechos de saúde para avaliar a incorporação de hilano G-F 20 no paradigma de tratamento de pacientes com osteoartrite de joelho (parte 1 de 2): resultados clínicos1

Objetivos do estudo

O primeiro objetivo do estudo foi avaliar a eficácia clínica do uso de hilano G-F 20 num regime de tratamento adequado (conforme definição das diretrizes do Colégio Americano de Reumatologia de 1995) de acordo com a mensuração segundo os desfechos específicos de doenças validados e os desfechos de qualidade de vida relacionados à saúde entre os pacientes com osteoartrite de joelho. O segundo objetivo foi utilizar as medidas de eficácia e de custos numa avaliação econômica.1

Delineamento e pacientes 

Um total de 255 pacientes com osteoartrite de joelho foi requisitado por reumatologistas ou cirurgiões ortopédicos num estudo prospectivo, randomizado, aberto, multicêntrico e de um ano de duração conduzido no Canadá. Os pacientes, maiores de 40 anos, deveriam ter diagnóstico primário, comprovado radiologicamente, de osteoartrite de joelho, além de ser sintomáticos e apresentar escore de mais de 175 mm em 500 mm na escala de dor WOMAC.1 

Os pacientes foram randomizados para receber cuidados apropriados com hilano G-F 20 (AC + H) ou cuidados apropriados sem hilano G-F 20 (AC). O grupo de cuidados apropriados sem hilano apenas diferia do outro no aspecto de que injeções intra-articulares de hilano ou de outros produtos de viscossuplementação não eram permitidas.1Os dados foram coletados em consultas clínicas (início do estudo, 12 meses) e por entrevistas estruturadas por telefone (1, 2, 4, 6, 8, 10 e 12 meses). Após 12 meses, a última consulta foi usada para avaliação geral dos pacientes e para mensuração das alterações ocorridas desde o início do estudo.1

Resultados 

O grupo AC + H se mostrou superior ao grupo AC em todos os desfechos primários (% de redução média na escala WOMAC de dor: 38% vs. 13%; p=0,0001) e nas medidas dos desfechos secundários de eficácia. Essas diferenças, todas estatisticamente significativas, excederam o percentual de 20% entre os grupos, estabelecido a priori pelos pesquisadores como diferença mínima clinicamente importante.1 

A melhora da qualidade de vida relacionada à saúde no grupo AC + H mostrou-se estatisticamente superior pelo escore de dor, rigidez e função física da escala WOMAC (todos com valor de p<0,0001), pelo componente físico agregado da escala SF-36 (p<0,0001) e pelo escore geral de utilidades de saúde Mark 3 do Health Utilities Index (HUI3) (p<0,0001). Em relação à segurança, medida pelas reações adversas e pela avaliação global dos pacientes em termos de efeitos colaterais, as diferenças favoreceram os pacientes do grupo AC + H.1

Conclusões


Os dados analisados no estudo indicam que a inclusão de hilano G-F 20 num regime de tratamento com cuidados apropriados resultou na redução significativa da utilização de outros tratamentos de osteoartrite de joelho. Esse regime de tratamento proporciona benefícios ao joelho, à saúde geral e à qualidade de vida relacionada à saúde, com redução dos níveis de coterapia e de reações adversas sistêmicas.1

Hilano G-F 20 apresenta robustas evidências científicas comprovadas de sua utilização e eficácia, com inúmeros estudos publicados na literatura.

Artroplastia total de joelho (ATJ) postergada com hilano G-F 201

Objetivo do estudo

O objetivo deste estudo foi examinar dados prospectivos sobre a incidência e o tempo da artroplastia total de joelho (ATJ) em: (i) pacientes com osteoartrite de grau IV tratados com hilano G-F 20 de 1997 a 2010 (coorte completa, 1.863 joelhos); (ii) um subconjunto de pacientes tratados de 1997 a 2003 (coorte original, 1.187 joelhos), para determinar qualquer influência continuada do hilano G-F 20 sobre a postergação da ATJ; e finalmente (iii) registrar incidências, probabilidades e tempo até a ATJ, bem como o efeito das variáveis demográficas sobre a probabilidade e o tempo até a ATJ de todos os pacientes.1

Métodos e pacientes

Na revisão retrospectiva analisou-se um total de 1.342 pacientes, de 28 a 98 anos de idade, elegíveis para ATJ, tratados com hilano G-F 20 e atendidos na prática clínica de outubro de 1997 a julho de 2010, inclusive um subconjunto de 863 indivíduos tratados de outubro de 1997 a novembro de 2003. Apenas os pacientes elegíveis para ATJ foram incluídos nas coortes analisadas. Para tornar-se elegíveis, os pacientes deveriam ter diagnóstico de osteoartrite de joelho de grau IV na escala Kellgren-Lawrence (inclusive os que apresentavam osteoartrite patelofemoral e osteoartrite pós-traumática) e ser considerados candidatos à ATJ, mas selecionados para receber tratamento com hilano G-F 20.1

Foram administradas injeções de hilano G-F 20 em dose única (6 mL) ou em aplicações semanais durante três semanas (2 mL), conforme a disponibilidade do produto, via fluoroscopia, para confirmar a colocação da agulha de forma acurada na articulação do joelho-alvo, como foi previamente registrado. Ciclos repetidos de hilano G-F 20 foram administrados, no caso de resposta benéfica, definida como redução ≥20 mm na escala EVA de dor, seguida de piora de 50% na escala EVA com relação aos valores basais.1

Resultados

Em ambas as coortes, de 25 a 28% dos joelhos foram submetidos a ATJ, transcorrendo uma média de 2,8 a 3,1 anos entre o tratamento com hilano G-F 20 e a cirurgia. A idade foi um preditor significativo do tempo até a realização da ATJ. A sinovite de joelho aumentou levemente com a repetição dos ciclos, mas a maioria dos casos foi considerada leve ou moderada. A análise de sobrevida mostrou que a ATJ foi postergada por mais de 7 anos em 75% dos 1.863 joelhos com grau IV de osteoartrite (1.342 pacientes) tratados com hilano G-F 20 na prática ortopédica. Em termos globais, os dados revelam que o tratamento adequado com hilano G-F 20 retarda a necessidade de ATJ.1

Conclusões

No estudo retrospectivo, que envolveu mais de 12 anos, demonstrou-se que o uso de hilano G-F 20 foi eficaz na postergação da necessidade de ATJ em mais de sete anos entre os pacientes com osteoartrite avançada. A incidência de ATJ permaneceu baixa (25%) ao longo do período de observação, o que sugere que hilano G-F 20 alivia os sintomas e permite uma abordagem terapêutica alternativa no caso de pacientes que não são elegíveis para ATJ ou que optam por não fazê-la.1

Distribuição intra-articular e tempo de permanência de hilano A e B: estudo em joelhos de cabras1

Objetivo do estudo 

Este estudo avaliou o material de viscossuplementação de hilano A e B em relação a: (i) distribuição na articulação, tempo de permanência e mecanismo de remoção e/ou degradação; e (ii) resposta dos leucócitos associada ao líquido sinovial em um modelo de cabras.1 

Método 

Um fluoróforo verde foi ligado de forma covalente à molécula de baixo peso molecular de hilano A (fração de fluido viscoso), e um segundo fluoróforo, vermelho, foi ligado de forma covalente à molécula de hilano B de alto peso molecular (fração de tipo gel em glóbulo). As cabras foram anestesiadas, e em seu joelho direito administrou-se 0,5 mL do material de teste ou de corantes fluorofóricos não ligados. Realizaram-se avaliações cruas ou histológicas em séries ao longo de um período de oito semanas. Um total de 36 cabras fêmeas, maduras, foi usado no estudo. As cabras sofreram eutanásia após 0, 3, 6 e 24 horas e 7, 28 e 56 dias depois das injeções. As articulações foram abertas, o líquido sinovial coletado e, em seguida, espécimes de tecido foram retirados e processados para a obtenção de análises histológicas.1 

Resultados 

Após 24 horas, não havia nos tecidos a presença dos marcadores de controle não ligados de forma covalente. Nos marcadores ligados de forma covalente, o fluoróforo verde do hilano A diminuiu rapidamente de intensidade, mas persistiu por até 28 dias dentro das camadas de cartilagem sinovial superficial e articular nas secções histológicas. O hilano B ligado ao fluoróforo vermelho foi visto apenas na forma de glóbulos no fluido sinovial. As células mononucleares permaneceram anexadas a esses glóbulos por 28 dias e mostraram a fagocitose dos glóbulos, assim como ocorreu com o fluoróforo verde do hilano A. Os glóbulos estavam ausentes 56 dias após a injeção. A contagem de leucócitos do líquido sinovial atingiu o pico em 24 horas (média e DP=9.767 células/mm3 ± 8.574) e diminuiu após sete dias.1 

Conclusões

O hilano de peso molecular menor foi removido mais rapidamente do que o hilano de peso molecular mais alto. Os glóbulos foram degradados por um mecanismo diferente que envolveu monócitos/macrófagos na superfície dos glóbulos de peso molecular mais alto. Todo esse processo é similar às respostas comumente observadas nos seres humanos após a administração de hilano.1 

O hilano afeta, aparentemente, uma variedade de mecanismos biológicos, inclusive os efeitos anti-inflamatórios, a restauração transitória da viscoelasticidade e a normalização da síntese do ácido hialurônico.1 

Efeitos da suplementação de hilano G-F 20 na preservação da cartilagem detectada por imagens de ressonância magnética na osteoartrite de joelho: ensaio clínico simples-cego de dois anos1

Objetivo do estudo 

Considerando-se que os efeitos da administração de longo prazo da suplementação de hilano G-F 20 na cartilagem articular ainda não foram completamente explorados, o propósito deste estudo é o exame de tais efeitos sobre a cartilagem do joelho ao longo de dois anos em pacientes com osteoartrite.1

Métodos e pacientes 

Neste estudo prospectivo, simples-cego e com grupo de controle paralelo, 78 pacientes de 18 a 80 anos de idade com osteoartrite sintomática de joelho (de graus II e III na escala de Kellgren-Lawrence) foram alocados para um grupo de intervenção (n=39), que recebeu quatro ciclos de três aplicações de 2,0 mL de injeções de hilano G-F 20 em intervalos de seis meses, ou para um grupo de controle (n=39), que recebeu tratamento usual de osteoartrite de joelho sem injeções.1

Efetuaram-se imagens de ressonância magnética do joelho-alvo por ocasião da entrada no estudo (início do tratamento) e aos 12 e 24 meses. Onze pacientes abandonaram o estudo após a ressonância magnética inicial. Um total de 67 (86%) participantes recebeu até 12 meses de acompanhamento e 55 (71%) completaram os 24 meses de seguimento. O volume da cartilagem e os defeitos foram avaliados segundo métodos validados.1

Resultados 

Os tempos médios entre o início do estudo e as imagens de ressonância magnética foram de 1 ano (DP: 0,06; amplitude: 0,8-1,2) e de 2,2 anos (DP: 0,2; amplitude: 1,9-3,2). Ao longo dos 24 meses, o grupo tratado com suplementação de hilano G-F 20 teve redução da taxa percentual anual de perda de volume da cartilagem tibial medial e lateral (média e DP: -0,3 ± 2,7% e -1,4 ± 4,3%, respectivamente) em comparação ao grupo de controle (2,3 ± 2,6% e 1,4 ± 2,6%; p=0,001 e p=0,005 em relação à diferença respectivamente).1

O grupo tratado também mostrou redução do escore indicativo de defeito da cartilagem no compartimento tibiofemoral medial (0,1 ± 1,3) em comparação ao grupo de controle (0,8 ± 1,5: p=0,05). A taxa de perda anual de cartilagem foi significativamente mais elevada no grupo de controle em comparação ao grupo que recebeu suplementação de hilano G-F 20. Estes resultados foram similares no quesito alteração do volume da cartilagem tibial, mesmo após ajuste por idade, sexo, índice de massa corporal e volume tibial no início do estudo, com 12 e com 24 meses.1

Conclusões 

Os tratamentos intra-articulares de hilano G-F 20, realizados de forma semestral em pacientes com osteoartrite sintomática de joelho, tiveram efeitos benéficos sobre a preservação da cartilagem mensurada tanto pelo volume quanto pelos defeitos da cartilagem. Ao longo de 24 meses, o grupo de controle continuou a perder cartilagem, enquanto houve significativa redução de perda de cartilagem no grupo tratado com hilano G-F 20.1

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