O QUE É?

A Meningite Meningocócica é uma infecção bacteriana grave das membranas que recobrem o cérebro e a medula espinhal.1

Em alguns casos, a bactéria (Neisseria meningitidis), que causa a meningite meningocócica pode atingir a corrente sanguínea e se multiplicar (Meningococcemia), danificando as paredes dos vasos sanguíneos e causando sangramento na pele e nos órgãos.2 Mesmo com diagnóstico e tratamento, a meningite meningocócica pode resultar em dano cerebral, perda auditiva ou deficiência em 10% a 20% dos sobreviventes.1

QUAIS SÃO OS SINTOMAS?

Os sintomas iniciais podem ser semelhantes ao de uma gripe, piorando rapidamente.2 Ela pode progredir rapidamente para choque, falência de múltiplos órgãos e a morte em 24h se não houver tratamento urgente.3

A meningite meningocócica progride rapidamente para choque, falência de múltiplos órgãos e óbito em 24h se não houver tratamento urgente.3,4

Os primeiros sintomas podem surgir de 0 a 6h após o início da doença: dor de cabeça, febre, náusea, vômito, dor de garganta.3,4
Os sintomas clássicos são geralmente observados entre 13 e 15h após o início da doença: intolerância à luz, dor no pescoço, rigidez na nuca e erupção hemorrágica.3,4

Os sintomas tardios podem aparecer entre 16 e 22h após o início da doença: convulsão, confusão, delírio e inconsciência.3,4
 
Infelizmente, a maioria dos casos é diagnosticado após o aparecimento de sintomas tardios e é bastante comum encontrar pacientes hospitalizadas com diagnóstico inicial incorreto.3
 
COMO ACONTECE A TRANSMISSÃO E QUAIS SÃO OS FATORES DE RISCO?

As bactérias são transmitidas de pessoa para pessoa através de gotículas de secreção respiratória ou da garganta de portadores. Beijar, espirrar, tossir, compartilhar utensílios para comer ou beber com uma pessoa infectada, facilita a propagação da doença. O período médio de incubação é de 4 dias, mas pode variar entre 2 e 10 dias.5

Algumas pessoas podem ter um risco mais elevado para Meningite Meningocócica. Alguns destes riscos são:

A vulnerabilidade social6,7

• Aglomeração, baixa renda, baixa escolaridade materna

Os hábitos8,9

• Fumar cigarros e narguilé

• Frequentar festas, clubes noturnos

• Consumo de álcool

• Cumprimentar com beijo 

• Prática de sexo oral (MSM)

As doenças crônicas6

Em portadores do HIV risco de Doença Meningocócica aumenta 5 a 24 vezes.10

As taxas de letalidade foram altas em adolescentes (10 a 29 anos) entre 2010 e 2018, grupo que está mais exposto aos fatores de risco e que é o principal transmissor das bactérias.11,12

COMO SE PREVENIR?


A vacinação é a principal forma de prevenção da Meningite Meningocócica.14

Também pode-se reduzir a exposição aos fatores de risco através de alguns cuidados como por exemplo: 

• Evitar locais com muitas pessoas, especialmente;

• Manter os cômodos da casa bem ventilados;

• Evitar lugares fechados;

• Ter boa higiene corporal.13

Todas as vacinas meningocócicas são inativadas, ou seja, não contém bactéria viva, o que significa que é impossível infectarem o organismo (humano). As vacinas contra os tipos (sorogrupos) A, B, C, W e Y são seguras e com boa eficácia (em média, mais de 95% dos vacinados ficam protegidos).14

O Ministério da Saúde recomenda esse esquema para a vacina Meningocócica:

• 1ª Dose: 3 meses

• 2ª Dose: 5 meses

• Reforço: 12 meses

• Dose Única ou reforço: 11 a 12 anos (a depender da situação vacinal anterior)15

As vacinas estão disponíveis gratuitamente pelo SUS:

• Men C para bebes e crianças de 3 meses, 5 meses e 12 meses

• Men ACWY para adolescentes de 11 e 12 anos

Para adolescentes e adultos acima de 12 anos, a vacina pode ser encontrada nas clínicas de vacinação da rede privada.

A proteção gerada pelas vacinas conjugadas (meningocócica C e ACWY) não é para toda a vida. O mesmo acontece com quem teve a doença, ou seja, a quantidade de anticorpos cai ao longo do tempo e o indivíduo deixa de estar protegido, daí a importância das doses de reforço conforme as recomendações das sociedades brasileiras de Imunizações (SBIm) e Pediatria (SBP).14

Procure um posto de saúde e proteja o seu filho.
 

REFERÊNCIAS

  1. World Health Organization (WHO). Meningococcal meningitis.

    [Internet] Disponível em: http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs141/en/. 

    Acesso em: 2018 Apr. 10;

  2. Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Meningococcal Disease, Signs and Symptoms. 

    [Internet] Disponível em: https://www.cdc.gov/meningococcal/about/symptoms.html. 

    Acesso em: 2018 Apr. 10.

  3. Branco RG, et al. 

    Meningococcal disease and meningitis. 

    J Pediatr (Rio J). 2007 May;83(2 Suppl):S46-53;

  4. Thompson, et al. 

    Clinical recognition of meningococcal disease in children and adolescents.

    Lancet. 2006; 367 (9508): 397-403;

  5. World Health Organization (WHO). Meningococcal meningitis. 

    Internet] Disponível em: http://www.who.int/emergencies/diseases/meningitis/en/ 

    Acesso em: 2018 Apr. 10;

  6. Olea et al 

    Emerg Infect Dis. 

    2017 Jul;23(7):1070-1078. doi: 10.3201/eid2307.160129;

  7. Norheim G et al. 

    BMJ Open. 

    2014 Feb 10;4(2):e003312. doi: 10.1136/bmjopen-2013-003312;

  8. Moreno et al. 

    PLoS One. 

    2015 Aug 31;10(8):e0135497  doi: 0.1371/journal.pone.0135497. eCollection 2015;

  9. Australia MoH 

    http://www.meningococcal.org.au/new-page-1/ aceso en 16 nov 2017

  10. MacNeil JR, et al. 

    MMWR Morb Mortal Wkly Rep. 

    2016 Nov 4;65(43):1189-1194;

  11. Site do Ministério da Saúde. Portal da Saúde. Situação epidemiológica – dados.

    . Doença Meningocócica. Casos confirmados, óbitos, incidência e letalidade – Brasil 2010-2018 [Internet] Disponível em: 

    https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2019/abril/25/tabela-dados-2010-2018-site.pdf Acesso em: 28 de mar. 2019;

  12. Christensen H, et. Al.

    Meningococcal carriage by age: a systematic review and meta-analysis. 

    Lancet Infect. Dis. 2010 Dec: 10(12):853-61.

  13. Meningite Meningocócica: Sintomas e Tratamento [Internet] Disponível em:

    https://www.tuasaude.com/meningite-meningococica/ 

    Acesso em: 31 de outubro 2019;

  14. Site da Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm), Doença Meningocócica. 

    [Internet] Disponível em: https://familia.sbim.org.br/doencas/doenca-meningococica-dm 

    Acesso em: 31 de outubro 2019;

  15. Site do Ministério da Saúde, Calendário de vacinação. 

    [Internet] Disponível em: http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/vacinacao/calendario-vacinacao 

    Acesso em: 31 de outubro 2019.