Dr. André Guerreiro – CRM-RS 22.650 - RQE Nº: 13043
Membro Titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT). Mestre pela Universidade Católica de Pelotas, RS. Diretor Científico da Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte (SBRATE). Coordenador Médico da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt). Diretor Médico da Clínica Dr. André Guerreiro

Dr. Fabrício Hidetoshi Ueno – CRM-SP 113.117 - RQE Nº: 80939
Ortopedia e traumatologia, Cirurgia da Coluna, Centro Ortopédico Paulistano

Dr. Fernando Brandão de Andrade e Silva – CRM-SP 112.045 – RQE Nº: 11.024
Ortopedia e Traumatologia. Graduação pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Residência em Ortopedia e Traumatologia pelo Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da FMUSP. Doutorado pelo Departamento de Ortopedia e Traumatologia da FMUSP

Dr. Marcelo Tadeu Caiero – CRM-SP 82.072 – RQE Nº 6315
Médico Assistente do Grupo de Oncologia Ortopédica do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP). Doutorado em Ciências da Saúde pela FMUSP

Dr. Valderílio Feijó Azevedo – CRM-PR 12.199 - RQE Nº: 7410
Investigador principal do Centro de pesquisas clínicas Edumed , Curitiba-PR. Professor adjunto em reumatologia da UFPR. Membro da Assessment of SpondyloArthritis International Society (ASAS) e do Group for Research and Assessment of Psoriasis and Psoriatic Arthritis (GRAPPA)

Dra. Luciana Nappo Teixeira – CRM-SP 100.858
Reumatologista pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)


Dr. André Guerreiro

1) Dr., quais têm sido os principais desafios que, como médico, o senhor tem enfrentado nestes tempos da COVID-19?

O maior desafio que estou tendo como médico neste período da COVID-19 é de procurar uma forma de poder seguir ajudando meus pacientes, com especial atenção na prevenção, sem trazer riscos tanto para ele quanto para mim e minha família, bem como achar uma forma adequada de um aporte financeiro para poder seguir honrando os compromissos com os meus funcionários e fornecedores.

2) Para viabilizar os tratamentos e consultas, o Dr. tem feito a utilização da telemedicina? Como cooperado de Plano de Saúde, como tal modalidade tem sido encarada pelo Convênio (p. ex.: pagamento aos médicos, registro dos atendimentos etc.).

Infelizmente não tenho utilizado a telemedicina de maneira regular que neste momento em que estamos vivendo seria de fundamental importância para poder ajudar nossos pacientes. Sou cooperado de um convênio em minha cidade, onde estamos conversando sobre a utilização da telemedicina, mas ainda não foi colocada em prática.
Dr. Fabrício Hidetoshi Ueno

1) Dr., quais têm sido os principais desafios que, como médico, o senhor tem enfrentado nestes tempos da COVID-19, com base em sua atuação em ortopedia no Pronto-Socorro (PS)?

Primeiramente o cuidado para com o paciente. Neste momento, a ida ao PS deve se restringir em casos de trauma, dor de forte intensidade, limitação funcional e pacientes com déficit motor, sensitivo e/ou incontinência vesical e/ou intestinal agudos. Depois em relação aos profissionais de saúde em aumentar o cuidado com a higiene, uso de máscara cirúrgica em ambiente de trabalho.

2) Em seu local de atuação, quais as alterações causadas pela pandemia na rotina de atendimento?

Os consultórios de ortopedia foram remanejados para um local mais distante em relação aos de atendimento da clínica médica. Foram disponibilizadas máscaras cirúrgicas para os profissionais da saúde e pacientes. Observei também um menor intervalo de higienização dos consultórios.
Dr. Fernando Brandão de Andrade e Silva

1) Dr., quais têm sido os principais desafios que a clínica tem enfrentado nestes tempos de COVID-19?

Estamos nos adaptando ao cenário de insegurança em relação ao contato social. Temos utilizado as ferramentas existentes para comunicação a distância e criando canais para que seja realizada de forma efetiva. A tendência dos serviços de saúde e dos próprios pacientes é procurar atendimento não presencial. Outro desafio é criar um ambiente de segurança para os atendimentos presenciais que sejam necessários.

No aspecto organizacional, como trabalhamos principalmente com consultas e procedimentos eletivos, houve uma diminuição expressiva no número de atendimentos presenciais. Mantemos uma escala para urgências e atendimento ao paciente com dor aguda. Como a maioria dos serviços não ligados diretamente ao controle da crise, enfrentamos uma queda repentina e não planejada no número de atendimentos e serviços prestados e ao mesmo tempo mantemos uma estrutura física e de profissionais.

2) Quais as medidas que o Dr. vem tomando para contornar as dificuldades (parcerias, telemedicina, opta ainda pelo atendimento presencial com adoção de EPIs ou não)?

Iniciamos formalmente o atendimento por telemedicina, conforme regulamentação do Conselho Federal de Medicina.1 Aos pacientes que nos procuram, é oferecida a possibilidade de atendimento a distância. É importante o discernimento do médico sobre os limites da avaliação clínica neste tipo de atendimento. Quando existem dúvidas sobre o diagnóstico ou compreensão do paciente sobre o tratamento, a avaliação presencial é necessária.

Estamos realizando atendimentos presenciais de pacientes com queixas agudas, incluindo lesões traumáticas, e pacientes em reabilitação com fisioterapia, como tratamento pós-operatório. Nestes casos, adotamos medidas de proteção, como uso de máscaras e luvas, cuidados com higienização e atendimento em locais arejados.
Dr. Marcelo Tadeu Caiero

1) Dr., quais têm sido os principais desafios que, como médico, o senhor tem enfrentado nestes tempos da COVID-19?

Os desafios são muitos. O primeiro é escolher quais casos podem e quais casos não podem esperar para serem tratados. Os retornos de casos cirúrgicos também estão comprometidos, visto que alguns pacientes preferem permanecer em casa a passar no retorno, especialmente aqueles em grupo etário de risco, ou seja, acima de 60 anos. Isso atrapalha uma reabilitação adequada e atrasa o tratamento. Outra questão é lidar com a angústia e a necessidade de orientação séria para os pacientes com relação ao COVID-19. Mesmo não sendo pneumologista ou infectologista, os pacientes me perguntam vários aspectos da pandemia.

2) Dr., considerando sua atuação na oncologia ortopédica, quais têm sido suas ações para diagnóstico e a continuidade de tratamento, uma vez que esse perfil de paciente não pode aguardar até que as consequências trazidas pelo SARs-CoV-2 desapareçam?

Os casos novos estou atendendo ou de forma presencial ou por teleconsulta, dependendo da disponibilidade e necessidade do paciente. Na teleconsulta, perde-se o exame físico, tão importante na Oncologia ortopédica e na Medicina como um todo. Mas serve como um tipo de triagem, pois os pacientes podem mostrar exames de imagem que porventura tenham. E isso muitas vezes é suficiente para eu saber se o caso é grave e precisa de atenção imediata ou pode esperar. Nos casos de lesões malignas ou benignas agressivas, a minha conduta é marcar uma consulta presencial e iniciar os procedimentos diagnósticos e terapêuticos. O meu consultório está preparado para isolar esses pacientes e atendê-los com os cuidados preconizados de higiene e o uso de máscaras. Se a suspeita é de tumor maligno, marco a biópsia o mais breve possível, bem como a cirurgia, caso indicada. Os casos de fraturas patológicas ou ossos que estão para quebrar também devem ser tratados precocemente. Sempre discuto com o paciente sobre as opções de tratamento e o melhor momento de tratar levando em conta a pandemia.
Dr. Valderílio Feijó Azevedo

1) Dr., quais têm sido os principais desafios que tem enfrentado como médico nestes tempos de COVID-19?


A pandemia do atual coronavírus se iniciou no final do ano passado na província de Wuhan, na China, mas somente em janeiro tomamos conhecimento de sua letalidade e grande capacidade de infecção e possibilidade de rápido alastramento global. Tudo tem ocorrido de forma rápida e estamos nos adaptando. Há vários desafios para os sistemas de saúde e consequentemente para nós, médicos, e, claro, nossos pacientes. Um dos principais desafios interpostos aos profissionais é a necessidade de manutenção de constante atualização científica relacionada à COVID-19. Em meio a tantas e crescentes informações, a filtragem daquelas mais relevantes e importantes para a nossa profissão e para nossos pacientes é crucial. Além disso, muitas medidas de prevenção têm sido tomadas por autoridades sanitárias, cada uma delas tem sua especificidade e sofre a influência de novos conhecimentos sobre características do vírus.
Outro grande desafio é como minimizar, no contexto de nossas profissões, o impacto econômico que a pandemia tem causado a diversos segmentos da economia, incluindo a saúde, com desdobramentos que podem levar a uma grave recessão em muitas áreas. Os profissionais passam por um processo dinâmico de reinvenção de sua atuação no mercado de trabalho. O distanciamento social tem levado entidades médicas, hospitais e clínicas a inovarem processos para sobrevivência e enfrentamento adequado dessa crise.

2) Considerando a cronicidade das doenças que trata, houve alguma alteração na rotina/frequência das consultas? O que tem feito para diminuir possíveis alterações nessa rotina (exemplo: adoção da telemedicina)?

Especialmente em nossa área, a reumatologia, na qual muitas vezes tratamos pacientes crônicos com drogas imunossupressoras, tem havido muitas alterações na rotina e frequência de consultas. Com o isolamento social, os pacientes são orientados pelas autoridades sanitárias a permanecer em casa e só buscar atendimento emergencial ou urgencial. Consultas de pacientes com sintomas gripais têm sido evitadas nos consultórios, e tais pacientes invariavelmente são orientados a buscar atendimento por meio da rotina estabelecida no sistema de saúde brasileiro com a especificidade estabelecida pelos gestores de saúde em cada uma das regiões. A teleconsulta foi recentemente regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina, acelerando um posicionamento que estava ainda em franca discussão pelas entidades médicas. Foi um avanço, e muitos profissionais têm realizado consultas a distância e utilizado diferentes ferramentas para isso. Em nosso caso, na clínica privada, temos usado o vídeo de WhatsApp, facilmente adotado por todos os pacientes. É importante que a consulta seja documentada em prontuário médico e que um termo de consentimento seja assinado por médico e paciente – ambos devem estar cientes das limitações tão características de uma consulta a distância. Entendo que obviamente há casos em que é difícil para o médico decidir sobre um diagnóstico mais preciso ou mesmo eventual mudança de uma estratégia terapêutica só com teleconsulta. Sob essas condições, como exceção, e não como rotina, acreditamos que a consulta presencial com exame físico completo é indispensável. Trata-se de uma decisão avaliada caso a caso e que deve ser compartilhada com o paciente.
Dra. Luciana Nappo Teixeira

1) Dra., quais têm sido os principais desafios que, como médica, tem enfrentado nestes tempos da COVID-19?

Os desafios como médica diante dessa pandemia do COVID-19 que encontramos no momento são inúmeros. Entre eles, a minha exposição diária, a não disponibilização de EPIs [equipamentos de proteção individuais], os riscos que levamos para os meus familiares; além da incerteza, do medo e do conhecimento de colegas internados em estado grave.

2) Dra., diante de toda sua experiência com telemedicina, favor relatar aqui detalhes sobre essa experiência (p. ex.: Onde atua? Que instituições dá suporte) médico-médico e como vê essa aprovação também da interação médico-paciente em tempos de pandemia?

Já atuo na telemedicina há 8 anos e, no início, esta era vista com certo preconceito mesmo por alguns colegas. Como a minha especialidade tem um predomínio grande de idosos, sofria uma certa rejeição no início dos próprios pacientes. Atuo em um convênio do Nordeste que atualmente é o terceiro maior plano de saúde do país. E nessa região existe uma carência muito grande de certas especialidades... Com o passar do tempo, a aceitação foi aumentando e hoje a procura e o grau de satisfação só vêm se expandindo. Fazemos diagnósticos precoces, proporcionamos uma terapia adequada, diminuímos a solicitação de exames desnecessários e conseguimos atingir o prazo solicitado pela ANS [Agência Nacional de Saúde] de atendimento com o especialista de 14 dias.
Dr. André Guerreiro

3) Quanto ao receituário eletrônico, o Dr. tem utilizado? Em caso afirmativo, qual o grau de aceitação dos pacientes e facilidade para o acesso/recebimento deste?

Sim, estou introduzindo o prontuário eletrônico, com boa aceitação dos pacientes e fácil acesso no ato da consulta ou de maneira remota, mas seguindo regras que estão sendo estabelecidas pelo CFM [Conselho Federal de Medicina].

4) Quais as suas percepções sobre o futuro dessa modalidade na Ortopedia e nos convênios de saúde, uma vez que na Ortopedia o contato clínico presencial é indispensável na maioria das vezes?

Sem dúvida, a telemedicina veio para ficar, principalmente em locais remotos. Na Ortopedia, já que é uma especialidade dependente, na maioria das vezes, de um exame físico, vejo como um importante atendimento de triagem, e não como definitivo. Podemos auxiliar muito na área ortopédica com a telemedicina, mas muitos casos devem ter posteriormente um atendimento presencial para um exame físico adequado. Em minha opinião, os convênios devem estar atentos a essa nova ferramenta, que veio para ficar, bastando seguir as regulamentações que virão, mas neste momento é de crucial importância uma urgente adaptação dos planos de saúde para sua utilização.
Dr. Fabrício Hidetoshi Ueno

3) O Dr. considera a adoção de medidas para a separação de pacientes da Ortopedia em relação aos demais como maneira de protegê-los? Existe alguma iniciativa de parcerias com clínicas ortopédicas para desafogar o PS?

Sim, com certeza. Felizmente a população em geral tem tido uma ótima conscientização em relação ao isolamento social, ocorrendo uma substancial diminuição nos atendimentos tráumato-ortopédicos, não sendo necessária, por ora, uma parceria com clínicas ortopédicas.

4) O Dr. considera a possibilidade de algum atendimento remoto nessas situações? Existe algum canal para orientações gerais no contexto de um PS que possa evitar o atendimento presencial?

O Ministério da Saúde autorizou em caráter excepcional e temporário, por meio da Portaria nº 467, de 20 de março de 2020, a utilização da telemedicina. Esse instrumento utilizado de forma a respeitar a privacidade entre médico e paciente e o Código de Ética Médica são ferramentas poderosas para evitar a ida ao PS. Entretanto, é importante salientar que, em casos de trauma, dor de forte de intensidade, limitação funcional e pacientes com déficit motor, sensitivo e/ou incontinência vesical e intestinal agudos é fundamental a ida ao pronto atendimento para um exame físico e, provavelmente, a realização de exames complementares para um diagnóstico e um tratamento adequado.
Dr. Fernando Brandão de Andrade e Silva

3) No caso de ser adepto da telemedicina, qual plataforma adota? Como enxerga o futuro dessa modalidade após este período de pandemia?

A plataforma de software utilizada na clínica disponibilizou um sistema de hangout, que estamos começando a implementar. Utilizamos também os sistemas do Google e Zoom, principalmente para reuniões clínicas e discussão entre profissionais. É importante o registro por escrito ou por gravações, para fins legais, proteção do paciente e defesa profissional.

No meu ponto de vista, essa modalidade vai crescer nos próximos meses e irá representar uma parte relevante dos atendimentos no futuro. É um movimento que vinha sendo discutido pelos órgãos reguladores e agora, devido às circunstâncias, está sendo implementado de forma mais rápida. Minha observação prática é de que é um instrumento válido para orientações e interconsulta entre profissionais, mas, para a maioria das condições médicas, o atendimento presencial é superior.

4) Como proprietário de uma clínica de medicina integrada, como tem sido a interação de sua equipe multiprofissional em determinados tratamentos?

Habitualmente, realizamos integração de informações pelo sistema de software da clínica, além do contato direto entre profissionais por mensagens, ligações e discussões presenciais. No cenário atual, aumentamos o contato remoto e iniciamos uma agenda de reuniões clínicas a distância para discussão de casos, treinamento e capacitação profissional.
Dr. Marcelo Tadeu Caiero

3) Quais condutas/cuidados extras o Dr. recomenda nesses pacientes para evitar a infecção, uma vez que a taxa de fatalidade nos casos de câncer como comorbidade pode ser o dobro da população geral (de acordo com Report of the WHO-China Joint Mission on Coronavirus Disease)?

A infecção é um problema sério em Ortopedia, e mais sério ainda em Oncologia Ortopédica. A infecção pelo COVID-19 piora ainda mais esse quadro, tornando os pacientes oncológicos de risco, independente da idade. Dessa forma, reforço o isolamento social, inclusive evitando as visitas de familiares, quer seja no Hospital, quer seja em casa, e a utilização de máscara para sair de casa, o cuidado com a higiene, a utilização de lavagem das mãos, álcool gel, evitar levar a mão à boca, nariz e olhos. Nos casos pós-operatórios, cuidados redobrados com a ferida cirúrgica, pois uma infecção de sítio cirúrgico pode exigir internação, em um momento complicado devido ao COVID-19.


4) Nos casos em que a radiação é necessária, quais as recomendações (Pode ser interrompida se já iniciada? Deve ser adiada?).

No meu entendimento, a radioterapia para sarcomas de alto grau de malignidade deve ser mantida, já que a recidiva piora a taxa de sobrevida livre de doença e afeta o prognóstico. Os sarcomas de alto grau, se não tratados, têm uma chance de evolução para óbito maior que a do COVID-19. Para os sarcomas de baixo grau de malignidade com margens livres, mas não amplas, o tratamento radioterápico pede ser postergado. Já para os sarcomas de baixo grau com margens comprometidas, creio que o tratamento radioterápico não deve ser postergado. No caso da radioterapia em específico, tem-se preconizado menor fracionamento da dose, a fim de diminuir o número de vezes que o paciente sai de casa para fazer a sessão de radioterapia.
Dr. Valderílio Feijó Azevedo

3) Sabemos também que o reumatologista possui um perfil muitas vezes bem definido de paciente e que temos uma larga utilização de imunossupressores nessa especialidade. Como tem sido essa utilização? Ocorreram algumas mudanças de conduta?

Geralmente, pacientes em uso de imunossupressores têm maior risco de contrair infecções quando comparados com a população geral. Entretanto, os dados gerados até o momento não evidenciam que pacientes reumáticos com enfermidades autoimunes como artrite reumatoide, lúpus, espondilite anquilosante, entre outras, e em uso de medicações imunossupressoras estejam em maior risco de contrair COVID-19 e/ou maior risco de desenvolver formas graves da infecção que são potencialmente letais. Em publicação recente do Lancet, um dos mais prestigiados jornais médicos do mundo, os autores demonstraram que no Serviço do Weill Cornell Medical College, localizado na cidade de Nova Iorque, epicentro da pandemia nos Estados Unidos, até o dia da publicação do paper, nenhum paciente reumático havia sido admitido nas enfermarias que atendem pacientes graves com COVID-19. Isso é relevante e parece estar de acordo com a experiência global até o momento. Assim, nossos pacientes têm sido orientados a não mudar sua terapia e, sobretudo, a não suspender o tratamento neste período, pois o risco de exacerbação de suas enfermidades pode ser tão deletério quanto a infecção por COVID-19. Salientamos aos pacientes que qualquer decisão terapêutica deve ser respaldada pelo médico assistente, desestimulando a automedicação. Curiosamente, duas drogas comumente usadas na nossa área estão sendo ventiladas em publicações como sendo eficazes para o tratamento de COVID-19: cloroquina e sua variante hidroxicloroquina, antimaláricos mais frequentemente usados no tratamento de artrite reumatoide e lúpus, e otocilizumabe, um anticorpo monoclonal anti-IL 6 usado no tratamento de formas adultas e juvenis da artrite reumatoide e certas vasculites. Até o momento não há evidências robustas sobre a eficácia dessas drogas, porém há muitos relatos de séries de casos e muitos estudos estão em andamento. O cenário deve se modificar rapidamente para os esquemas terapêuticos das formas de COVID-19.


4) Com toda sua expertise em pesquisa clínica, os protocolos vigentes nos quais o senhor atua foram prejudicados? Quais medidas têm sido tomadas para diminuir o impacto nesses protocolos e não prejudicar o seguimento do paciente no tratamento?


A indústria farmacêutica de inovação, responsável por muitos ensaios clínicos que estão em andamento globalmente, tem sido muito proativa e tentado se adaptar neste período. Entretanto, percebemos que as orientações não têm sido uniformes entre os diversos patrocinadores de pesquisas clínicas. Percebemos que condutas e orientações em relação a coleta de exames, consultas e mesmo procedimentos específicos de cada estudo têm sido diferentes entre eles. Recebemos diariamente dezenas de mensagens de orientações dos patrocinadores. Por vezes, as condutas relacionadas a um estudo específico podem variar de uma semana para outra. Na verdade, o cenário é muito dinâmico! Nosso centro de investigações clínicas está tendo bastante trabalho no meio da crise, ao mesmo tempo em que diminuímos nossa atividade presencial e aumentamos nossas atividades em domicílio. Atualmente estamos abrindo dois dias por semana para atividades presenciais (exames físicos e coletas). No meio dessas dificuldades, procuramos manter uma rotina para pacientes que já estejam incluídos em estudos em andamento, embora as atividades de recrutamento de novos pacientes estejam prejudicadas.

Dra. Luciana Nappo Teixeira

3) Quais os cuidados extras em relação ao paciente que a Sra. acredita serem de relevância e que devem ser observados pelo médico praticante da telemedicina em relação à consulta presencial?

O único ponto que fica em desvantagem na consulta por telemedicina versus a consulta presencial é a realização do exame físico. Fora isso, a anamnese, a solicitação/visualização dos exames e a prescrição não apresentam diferenças. Dependendo da queixa do paciente, a primeira consulta é necessária com o médico presencial, dando seguimento posteriormente via telemedicina.

4) Considerando a interação médico-paciente por telemedicina, a Dra. acredita ser possível de alguma forma a realização de diagnóstico na reumatologia com o mesmo grau de excelência da consulta presencial? De que forma essa excelência poderia ser atingida?

Diante da minha experiência, nesses 8 anos, afirmo com toda certeza que a realização do diagnóstico por telemedicina na reumatologia tem a mesma precisão que o da consulta presencial. Oitenta por cento do diagnóstico de um paciente é feito por meio de uma boa anamnese, tirando uma história completa dele. O restante é complementado com exames laboratoriais, de imagem e físico. Na consulta por telemedicina o único diferencial é que não palpamos o paciente, fora isso, é uma consulta normal.
Dr. André Guerreiro

5) Como médico ortopedista cooperado de planos de saúde, como o senhor enxerga o cenário pós-quarentena, devido ao COVID-19? Quais mudanças ou adaptações serão necessárias?

O cenário pós-quarentena será dramático, porque muitos médicos como eu, que sou cirurgião, não terão suas atividades de volta ao normal logo após isso tudo passar. Já estamos no momento há três semanas sem cirurgias, sem a clínica funcionando a todo vapor e com muitos funcionários dependentes do nosso serviço, e, quando essa fase passar, as coisas começarão a voltar ao normal vagarosamente, num período ainda de cuidados, distanciamentos, cuidados extremos em cirurgias, mas ainda não sabemos até quando isso vai durar em nosso país. Penso que os planos de saúde devem agir rápido, buscando uma forma de continuarmos atuando e minimizando riscos.
Dr. Fabrício Hidetoshi Ueno

5) Como ortopedista com atuação em PS, como o senhor enxerga o cenário pós-quarentena, devido ao COVID-19? Quais mudanças ou adaptações serão necessárias?

Em relação ao número de atendimentos em ortopedia, não tenho como fazer uma previsão se haverá um aumento ou se continuará com poucos atendimentos, mas acredito que, mesmo após a quarentena, os cuidados em relação a higiene e uso de máscara devem ser mantidos, devendo ocorrer uma alteração de comportamento da população. A conscientização de uma melhor higiene pessoal e a utilização de máscaras com sintomas de gripe devem ser mantidas.
Dr. Fernando Brandão de Andrade e Silva

5) Quais os principais benefícios (diretos/indiretos) que essas medidas tomadas pela clínica podem trazer aos seus pacientes?

Em primeiro lugar, queremos manter a assistência ao paciente que necessite dos nossos serviços. Neste momento, naturalmente as atenções dos hospitais e clínicas estão voltadas para queixas respiratórias, e o praticante de atividade física e o paciente com queixa osteomuscular encontram menos espaços para tirar suas dúvidas ou encontrar atendimento. Nosso objetivo com estas medidas é manter um canal de assitência a essas pessoas.

Ao mesmo tempo, mantendo um sistema de integração on-line entre profissionais e pela produção de material de orientação ao paciente, esperamos manter um nível de excelência no serviço que prestamos.

6) Como proprietário de uma clínica ortopédica, como você enxerga o cenário pós-quarentena devido à COVID-19? Quais mudanças ou adaptações serão necessárias?

Acredito que vai existir uma retomada gradual dos serviços ao longo de alguns meses. Os pacientes com lesões degenerativas ou lesões que não causem incapacidade irão retomar seus tratamentos à medida que sintam segurança no controle da epidemia e retomem seu ritmo de vida habitual. Os atendimentos de urgência ortopédica também diminuíram e devem normalizar de forma gradual, de acordo com a retomada das atividades econômicas e pessoais.

Os cuidados com higienização e uso de materiais de proteção irão ganhar mais atenção na sociedade como um todo. Nos serviços de saúde, a proximidade entre profissional e paciente durante sessões de reabilitação, procedimentos ambulatoriais médicos e estéticos serão realizados com maior foco na prevenção da transmissão de infecções respiratórias, além das precauções de contato já existentes.
Dr. Marcelo Tadeu Caiero

5) Como médico ortopedista especializado em quadros oncológicos, como o senhor enxerga o cenário pós-quarentena, devido ao COVID-19? Quais mudanças ou adaptações serão necessárias?

O cenário pós-quarentena será difícil, pois, mesmo após o fim do isolamento social, as pessoas ainda demorarão um pouco para voltar à ativa completamente. Poderemos ter novas quarentenas pontuais até que se obtenha uma vacina ou tratamento cientificamente comprovado e eficaz para o vírus. A questão econômica também é importante: as pessoas estão perdendo renda, o que trará dificuldades para o pagamento de planos de saúde, sobrecarregando ainda mais o SUS. Os pacientes que tiveram suas cirurgias postergadas vão querer operar o mais breve possível passada a pandemia. Dessa forma, teremos um aumento das cirurgias ditas eletivas. A telemedicina terá um enfoque novo e talvez seja regularizada definitivamente. A população estará mais atenta a sua saúde e aos cuidados com a higiene. E espero que os governantes enxerguem a Saúde como algo que merece respeito e mais investimentos.
Dr. Valderílio Feijó Azevedo

5) Como médico reumatologista, como o senhor enxerga o cenário pós-quarentena devido à COVID-19? Quais mudanças ou adaptações serão necessárias?

Sou um otimista incorrigível, porém devo afirmar que as catástrofes e pandemias trazem avanços e incertezas. Uma recessão global devida à necessidade de isolamento social e à parada de certos serviços comunitários será provavelmente um desdobramento infeliz dessa crise e que deve perdurar. Entretanto, certamente o setor de saúde sairá mais fortalecido e os profissionais de saúde, mais valorizados, especialmente médicos e enfermeiros, pois são a linha de frente do atendimento nessa pandemia. Acredito que em tempo recorde teremos uma vacina disponível e medicamentos mais eficazes no combate à epidemia. A indústria de equipamentos médico-hospitalares e a indústria farmacêutica estão se envolvendo paulatinamente nessa colaboração por avanços no combate ao novo coronavírus.

Tal qual uma guerra, a pandemia do coronavírus deixa mortos e feridos e nós, profissionais da saúde, ainda estamos chorando pelos nossos colegas mortos e não temos tempo e nem escolha de parar atendimentos à população. Sou professor e voluntário no atendimento comunitário e a pacientes com ou sem COVID-19. Precisamos de mais profissionais envolvidos no atendimento e de mais consciência humanitária de todos os cidadãos. A crise deixou muito claro à sociedade que não estávamos preparados para ela: a maior parte dos líderes titubeou em tomar decisões rápidas como se requer numa pandemia e os serviços de saúde, mesmo em países desenvolvidos, demonstraram estar mal equipados e com evidente falta de EPIs para todos os profissionais. Felizmente, creio que uma melhor infraestrutura e uma experiência ímpar na condução de emergências públicas serão desdobramentos positivos para o setor de saúde. A saúde e seus profissionais têm aprendido três palavras importantes: dinamismo, criatividade e reinvenção. Seja como for, enfatizo que nunca mais seremos os mesmos.
Dra. Luciana Nappo Teixeira

5) Como reumatologista com longa trajetória na prática da telemedicina, como a Sra. enxerga o cenário pós-quarentena, devido ao COVID-19? Quais mudanças ou adaptações serão necessárias?

São nos momentos de dificuldades que nascem as oportunidades. E a telemedicina veio para ficar e ultrapassar fronteiras... A era digital veio nos mostrar que temos que aproveitar as coisas boas que ela nos proporciona, como o comodismo, a praticidade, a segurança de não se expor ao trânsito/à violência nas ruas etc. E as mudanças já começaram pela aceitação da sociedade e CRF (Conselho Federal de Medicina)... A ANS já obrigou a cobertura dos planos de saúde para a teleconsulta, por esse motivo já está inclusa no Rol. Além disso, já ocorre uma movimentação de empresas querendo desenvolver sistemas cada vez mais completos para dar o suporte necessário ao paciente e ao médico. Portanto, a telemedicina não é para o futuro e sim para agora...


SABR.GKETZ.20.04.0443

REFERÊNCIAS

  1. http://portal.cfm.org.br/images/PDF/2020_oficio_telemedicina.pdf