1) Dr., quais têm sido os principais desafios que, como médico, o senhor tem enfrentado nestes tempos da COVID-19?

O maior desafio que estou tendo como médico neste período da COVID-19 é de procurar uma forma de poder seguir ajudando meus pacientes, com especial atenção na prevenção, sem trazer riscos tanto para ele quanto para mim e minha família, bem como achar uma forma adequada de um aporte financeiro para poder seguir honrando os compromissos com os meus funcionários e fornecedores.

2) Para viabilizar os tratamentos e consultas, o Dr. tem feito a utilização da telemedicina? Como cooperado de Plano de Saúde, como tal modalidade tem sido encarada pelo Convênio (p. ex.: pagamento aos médicos, registro dos atendimentos etc.).

Infelizmente não tenho utilizado a telemedicina de maneira regular que neste momento em que estamos vivendo seria de fundamental importância para poder ajudar nossos pacientes. Sou cooperado de um convênio em minha cidade, onde estamos conversando sobre a utilização da telemedicina, mas ainda não foi colocada em prática.

3) Quanto ao receituário eletrônico, o Dr. tem utilizado? Em caso afirmativo, qual o grau de aceitação dos pacientes e facilidade para o acesso/recebimento deste?

Sim, estou introduzindo o prontuário eletrônico, com boa aceitação dos pacientes e fácil acesso no ato da consulta ou de maneira remota, mas seguindo regras que estão sendo estabelecidas pelo CFM [Conselho Federal de Medicina].

4) Quais as suas percepções sobre o futuro dessa modalidade na Ortopedia e nos convênios de saúde, uma vez que na Ortopedia o contato clínico presencial é indispensável na maioria das vezes?

Sem dúvida, a telemedicina veio para ficar, principalmente em locais remotos. Na Ortopedia, já que é uma especialidade dependente, na maioria das vezes, de um exame físico, vejo como um importante atendimento de triagem, e não como definitivo. Podemos auxiliar muito na área ortopédica com a telemedicina, mas muitos casos devem ter posteriormente um atendimento presencial para um exame físico adequado. Em minha opinião, os convênios devem estar atentos a essa nova ferramenta, que veio para ficar, bastando seguir as regulamentações que virão, mas neste momento é de crucial importância uma urgente adaptação dos planos de saúde para sua utilização.

5) Como médico ortopedista cooperado de planos de saúde, como o senhor enxerga o cenário pós-quarentena, devido ao COVID-19? Quais mudanças ou adaptações serão necessárias?

O cenário pós-quarentena será dramático, porque muitos médicos como eu, que sou cirurgião, não terão suas atividades de volta ao normal logo após isso tudo passar. Já estamos no momento há três semanas sem cirurgias, sem a clínica funcionando a todo vapor e com muitos funcionários dependentes do nosso serviço, e, quando essa fase passar, as coisas começarão a voltar ao normal vagarosamente, num período ainda de cuidados, distanciamentos, cuidados extremos em cirurgias, mas ainda não sabemos até quando isso vai durar em nosso país. Penso que os planos de saúde devem agir rápido, buscando uma forma de continuarmos atuando e minimizando riscos.


SABR.GKETZ.20.04.0443