1) Dr., quais têm sido os principais desafios que, como médico, o senhor tem enfrentado nestes tempos da COVID-19, com base em sua atuação em ortopedia no Pronto-Socorro (PS)?

Primeiramente o cuidado para com o paciente. Neste momento, a ida ao PS deve se restringir em casos de trauma, dor de forte intensidade, limitação funcional e pacientes com déficit motor, sensitivo e/ou incontinência vesical e/ou intestinal agudos. Depois em relação aos profissionais de saúde em aumentar o cuidado com a higiene, uso de máscara cirúrgica em ambiente de trabalho.

2) Em seu local de atuação, quais as alterações causadas pela pandemia na rotina de atendimento?

Os consultórios de ortopedia foram remanejados para um local mais distante em relação aos de atendimento da clínica médica. Foram disponibilizadas máscaras cirúrgicas para os profissionais da saúde e pacientes. Observei também um menor intervalo de higienização dos consultórios.

3) O Dr. considera a adoção de medidas para a separação de pacientes da Ortopedia em relação aos demais como maneira de protegê-los? Existe alguma iniciativa de parcerias com clínicas ortopédicas para desafogar o PS?

Sim, com certeza. Felizmente a população em geral tem tido uma ótima conscientização em relação ao isolamento social, ocorrendo uma substancial diminuição nos atendimentos tráumato-ortopédicos, não sendo necessária, por ora, uma parceria com clínicas ortopédicas.

4) O Dr. considera a possibilidade de algum atendimento remoto nessas situações? Existe algum canal para orientações gerais no contexto de um PS que possa evitar o atendimento presencial?

O Ministério da Saúde autorizou em caráter excepcional e temporário, por meio da Portaria nº 467, de 20 de março de 2020, a utilização da telemedicina. Esse instrumento utilizado de forma a respeitar a privacidade entre médico e paciente e o Código de Ética Médica são ferramentas poderosas para evitar a ida ao PS. Entretanto, é importante salientar que, em casos de trauma, dor de forte de intensidade, limitação funcional e pacientes com déficit motor, sensitivo e/ou incontinência vesical e intestinal agudos é fundamental a ida ao pronto atendimento para um exame físico e, provavelmente, a realização de exames complementares para um diagnóstico e um tratamento adequado.

5) Como ortopedista com atuação em PS, como o senhor enxerga o cenário pós-quarentena, devido ao COVID-19? Quais mudanças ou adaptações serão necessárias?

Em relação ao número de atendimentos em ortopedia, não tenho como fazer uma previsão se haverá um aumento ou se continuará com poucos atendimentos, mas acredito que, mesmo após a quarentena, os cuidados em relação a higiene e uso de máscara devem ser mantidos, devendo ocorrer uma alteração de comportamento da população. A conscientização de uma melhor higiene pessoal e a utilização de máscaras com sintomas de gripe devem ser mantidas.

SABR.GKETZ.20.04.0443