1) Dr., quais têm sido os principais desafios que a clínica tem enfrentado nestes tempos de COVID-19?

Estamos nos adaptando ao cenário de insegurança em relação ao contato social. Temos utilizado as ferramentas existentes para comunicação a distância e criando canais para que seja realizada de forma efetiva. A tendência dos serviços de saúde e dos próprios pacientes é procurar atendimento não presencial. Outro desafio é criar um ambiente de segurança para os atendimentos presenciais que sejam necessários.

No aspecto organizacional, como trabalhamos principalmente com consultas e procedimentos eletivos, houve uma diminuição expressiva no número de atendimentos presenciais. Mantemos uma escala para urgências e atendimento ao paciente com dor aguda. Como a maioria dos serviços não ligados diretamente ao controle da crise, enfrentamos uma queda repentina e não planejada no número de atendimentos e serviços prestados e ao mesmo tempo mantemos uma estrutura física e de profissionais.

2) Quais as medidas que o Dr. vem tomando para contornar as dificuldades (parcerias, telemedicina, opta ainda pelo atendimento presencial com adoção de EPIs ou não)?

Iniciamos formalmente o atendimento por telemedicina, conforme regulamentação do Conselho Federal de Medicina.1 Aos pacientes que nos procuram, é oferecida a possibilidade de atendimento a distância. É importante o discernimento do médico sobre os limites da avaliação clínica neste tipo de atendimento. Quando existem dúvidas sobre o diagnóstico ou compreensão do paciente sobre o tratamento, a avaliação presencial é necessária.

Estamos realizando atendimentos presenciais de pacientes com queixas agudas, incluindo lesões traumáticas, e pacientes em reabilitação com fisioterapia, como tratamento pós-operatório. Nestes casos, adotamos medidas de proteção, como uso de máscaras e luvas, cuidados com higienização e atendimento em locais arejados.

3) No caso de ser adepto da telemedicina, qual plataforma adota? Como enxerga o futuro dessa modalidade após este período de pandemia?

A plataforma de software utilizada na clínica disponibilizou um sistema de hangout, que estamos começando a implementar. Utilizamos também os sistemas do Google e Zoom, principalmente para reuniões clínicas e discussão entre profissionais. É importante o registro por escrito ou por gravações, para fins legais, proteção do paciente e defesa profissional.

No meu ponto de vista, essa modalidade vai crescer nos próximos meses e irá representar uma parte relevante dos atendimentos no futuro. É um movimento que vinha sendo discutido pelos órgãos reguladores e agora, devido às circunstâncias, está sendo implementado de forma mais rápida. Minha observação prática é de que é um instrumento válido para orientações e interconsulta entre profissionais, mas, para a maioria das condições médicas, o atendimento presencial é superior.

4) Como proprietário de uma clínica de medicina integrada, como tem sido a interação de sua equipe multiprofissional em determinados tratamentos?

Habitualmente, realizamos integração de informações pelo sistema de software da clínica, além do contato direto entre profissionais por mensagens, ligações e discussões presenciais. No cenário atual, aumentamos o contato remoto e iniciamos uma agenda de reuniões clínicas a distância para discussão de casos, treinamento e capacitação profissional.

5) Quais os principais benefícios (diretos/indiretos) que essas medidas tomadas pela clínica podem trazer aos seus pacientes?

Em primeiro lugar, queremos manter a assistência ao paciente que necessite dos nossos serviços. Neste momento, naturalmente as atenções dos hospitais e clínicas estão voltadas para queixas respiratórias, e o praticante de atividade física e o paciente com queixa osteomuscular encontram menos espaços para tirar suas dúvidas ou encontrar atendimento. Nosso objetivo com estas medidas é manter um canal de assitência a essas pessoas.

Ao mesmo tempo, mantendo um sistema de integração on-line entre profissionais e pela produção de material de orientação ao paciente, esperamos manter um nível de excelência no serviço que prestamos.

6) Como proprietário de uma clínica ortopédica, como você enxerga o cenário pós-quarentena devido à COVID-19? Quais mudanças ou adaptações serão necessárias?

Acredito que vai existir uma retomada gradual dos serviços ao longo de alguns meses. Os pacientes com lesões degenerativas ou lesões que não causem incapacidade irão retomar seus tratamentos à medida que sintam segurança no controle da epidemia e retomem seu ritmo de vida habitual. Os atendimentos de urgência ortopédica também diminuíram e devem normalizar de forma gradual, de acordo com a retomada das atividades econômicas e pessoais.

Os cuidados com higienização e uso de materiais de proteção irão ganhar mais atenção na sociedade como um todo. Nos serviços de saúde, a proximidade entre profissional e paciente durante sessões de reabilitação, procedimentos ambulatoriais médicos e estéticos serão realizados com maior foco na prevenção da transmissão de infecções respiratórias, além das precauções de contato já existentes.


SABR.GKETZ.20.04.0443

REFERÊNCIAS

  1. http://portal.cfm.org.br/images/PDF/2020_oficio_telemedicina.pdf