1) Dra., quais têm sido os principais desafios que, como médica, tem enfrentado nestes tempos da COVID-19?

Os desafios como médica diante dessa pandemia do COVID-19 que encontramos no momento são inúmeros. Entre eles, a minha exposição diária, a não disponibilização de EPIs [equipamentos de proteção individuais], os riscos que levamos para os meus familiares; além da incerteza, do medo e do conhecimento de colegas internados em estado grave.

2) Dra., diante de toda sua experiência com telemedicina, favor relatar aqui detalhes sobre essa experiência (p. ex.: Onde atua? Que instituições dá suporte) médico-médico e como vê essa aprovação também da interação médico-paciente em tempos de pandemia?

Já atuo na telemedicina há 8 anos e, no início, esta era vista com certo preconceito mesmo por alguns colegas. Como a minha especialidade tem um predomínio grande de idosos, sofria uma certa rejeição no início dos próprios pacientes. Atuo em um convênio do Nordeste que atualmente é o terceiro maior plano de saúde do país. E nessa região existe uma carência muito grande de certas especialidades... Com o passar do tempo, a aceitação foi aumentando e hoje a procura e o grau de satisfação só vêm se expandindo. Fazemos diagnósticos precoces, proporcionamos uma terapia adequada, diminuímos a solicitação de exames desnecessários e conseguimos atingir o prazo solicitado pela ANS [Agência Nacional de Saúde] de atendimento com o especialista de 14 dias.

3) Quais os cuidados extras em relação ao paciente que a Sra. acredita serem de relevância e que devem ser observados pelo médico praticante da telemedicina em relação à consulta presencial?

O único ponto que fica em desvantagem na consulta por telemedicina versus a consulta presencial é a realização do exame físico. Fora isso, a anamnese, a solicitação/visualização dos exames e a prescrição não apresentam diferenças. Dependendo da queixa do paciente, a primeira consulta é necessária com o médico presencial, dando seguimento posteriormente via telemedicina.

4) Considerando a interação médico-paciente por telemedicina, a Dra. acredita ser possível de alguma forma a realização de diagnóstico na reumatologia com o mesmo grau de excelência da consulta presencial? De que forma essa excelência poderia ser atingida?

Diante da minha experiência, nesses 8 anos, afirmo com toda certeza que a realização do diagnóstico por telemedicina na reumatologia tem a mesma precisão que o da consulta presencial. Oitenta por cento do diagnóstico de um paciente é feito por meio de uma boa anamnese, tirando uma história completa dele. O restante é complementado com exames laboratoriais, de imagem e físico. Na consulta por telemedicina o único diferencial é que não palpamos o paciente, fora isso, é uma consulta normal.

5) Como reumatologista com longa trajetória na prática da telemedicina, como a Sra. enxerga o cenário pós-quarentena, devido ao COVID-19? Quais mudanças ou adaptações serão necessárias?

São nos momentos de dificuldades que nascem as oportunidades. E a telemedicina veio para ficar e ultrapassar fronteiras... A era digital veio nos mostrar que temos que aproveitar as coisas boas que ela nos proporciona, como o comodismo, a praticidade, a segurança de não se expor ao trânsito/à violência nas ruas etc. E as mudanças já começaram pela aceitação da sociedade e CRF (Conselho Federal de Medicina)... A ANS já obrigou a cobertura dos planos de saúde para a teleconsulta, por esse motivo já está inclusa no Rol. Além disso, já ocorre uma movimentação de empresas querendo desenvolver sistemas cada vez mais completos para dar o suporte necessário ao paciente e ao médico. Portanto, a telemedicina não é para o futuro e sim para agora...



SABR.GKETZ.20.04.0443