1. Evidências e lacunas

Desde o surgimento do novo coronavírus (SARS-CoV-2), diversos estudos emergiram, colaborando para o entendimento do perfil clínico de indivíduos com COVID-19 no que tange a sintomatologia, susceptibilidade à infecção e gravidade da doença.1

Dentre os acometidos por COVID-19, cerca de 80% manifestam a doença de forma leve, embora aproximadamente 19% apresenta doença grave ou crítica. No caso das formas mais graves, os pacientes frequentemente apresentam complicações, como pneumonia viral, lesões cardíacas e renais agudas, infecção secundária, além de sepse ou choque.1

Evidências científicas relacionadas ao perfil clínico dos pacientes demonstraram que, nos primeiros dias de infecção por SARS-CoV-2, os sintomas da COVID-19 parecem ser semelhantes e independentes da idade ou de comorbidades associadas. Entretanto, no decorrer da infecção, a presença de doença pré-existente pode colaborar para uma evolução insatisfatória.1

Entre as doenças pré-existentes, o diabetes tem sido frequentemente relacionado a casos de COVID-19 que necessitam de internação, sendo sua presença diretamente associada à gravidade e mortalidade de pacientes infectados por SARS-CoV-2.1,2 No entanto, até o momento, não está claro como o diabetes colabora para um prognóstico ruim da infecção por COVID-19.1
2. Principais pontos do posicionamento da SBD
-/media/Sanofi/Conecta/Artigos/2020/04/diabetes-e-covid-19/Principais-pontos.ashx?w=1000&hash=FAC8913261E04DD5DF2C1001356D84E3
Figura 1. Infográfico resumindo informações e orientações destinadas aos cuidados específicos da população diabética, elaboradas pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) em resposta à pandemia de COVID-19. 3-6
2.1. Grupos de Risco

Até o momento, sabe-se que a maior parte dos indivíduos acometidos por COVID-19 são assintomáticos ou apresentam sintomas leves. No entanto, existem fatores de risco associados à mortalidade por esta doença, sendo o diabetes a segunda mais comum comorbidade relacionada a desfechos desfavoráveis, após cardiopatia (Figura 2).2 Entre os indivíduos diabéticos, aqueles com mau controle metabólico, presença de complicações (pacientes cardiopatas ou com doenças cardiorrespiratórias pré-existentes), idosos acima dos 60 anos e/ou longo histórico da doença são mais vulneráveis ao prognóstico ruim relacionado à infecção por SARS-CoV-2, independentemente do tipo de diabetes. Por outro lado, é importante enfatizar que o risco de complicações em diabéticos com níveis glicêmicos controlados é bem menor, tanto para o tipo 1 quanto para o tipo 2.3
-/media/Sanofi/Conecta/Artigos/2020/04/diabetes-e-covid-19/Grafico.ashx?w=1000&hash=C6618015553553923A72589EF613239F
Figura 2. Óbitos por COVID-19 classificados por doenças pré-existentes e por faixa etária (abaixo e acima de 60 anos). Dados até 03/04/2020, Brasil. 5
2.2. Importância do controle glicêmico

O controle glicêmico tem se mostrado um grande aliado na luta contra a COVID-19. Assim, algumas medidas, como o monitoramento frequente da glicemia do paciente diabético, bem como o ajuste de medicações e insulinas, são fundamentais no combate a complicações oriundas tanto da COVID-19 como do próprio diabetes. 3

2.3. Tratamento de comorbidades associadas

Em relação às abordagens terapêuticas para pacientes com diabetes, a SBD reitera que é de suma importância manter ou iniciar, se for o caso, o tratamento com inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueadores dos receptores de angiotensina (BRA), uma vez que estes fármacos promovem, comprovadamente, efeitos benéficos no tratamento da hipertensão arterial, insuficiência cardíaca e infarto agudo do miocárdio, reduzindo significativamente danos cardiovasculares e a mortalidade. Além disso, a SBD reforça que não há comprovação científica em relação a possíveis efeitos deletérios promovidos por tais medicamentos no contexto da COVID-19.4

2.4. Diabetes na gestação e COVID-19

Em relação ao diabetes na gestação, não há muitos dados referentes à infecção por SARS-CoV-2. No entanto, aparentemente, gestantes não apresentam maior susceptibilidade e sintomas mais agressivos de COVID-19 quando comparadas às não grávidas. Nos escassos estudos relacionados ao tema, o vírus foi não foi detectado no líquido amniótico, no sangue do cordão umbilical ou na secreção da garganta do recém nascido, não havendo evidências científicas de transmissão vertical. Entretanto, a hipótese de que exista um maior risco de perda gestacional ou prematuridade não foi descartada.5

2.5. Renovação automática de autorização de procedimentos ambulatoriais (APAC)

Diante da pandemia por COVID-19 e, com o objetivo de evitar a suspensão do tratamento de doentes crônicos, a Nota Informativa n° 1/2020-SCTIE/GAB/SCTIE/MS publicada em 20/03/2020 orienta a renovação automática, por período adicional de três meses, dos tratamentos cuja Autorização de Procedimentos Ambulatoriais (APAC) terminem entre março e maio de 2020. Neste caso, não haverá necessidade de apresentar Laudo de Solicitação, Avaliação e Autorização de Medicamento (LME) e prescrição médica.6

SABR.DIA.20.04.0495

REFERÊNCIAS

  1. SBD - Sociedade Brasileira de Diabetes.

    O Diabetes no cenário da pandemia de SARS-Cov-2.

    27/mar/2020. Disponível em: . Acesso em: 02/abr/2020.

  2. COE - Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública.

    COVID19 - Boletim Epidemiológico 06. Doença pelo coronavírus.

    03/abr/2020.

  3. SBD - Sociedade Brasileira de Diabetes.

    Nota de esclarecimento da Sociedade Brasileira de Diabetes sobre o coronavírus.

    13/mar/2020. Disponível em: Acesso em: 02/abr/2020.

  4. SBD - Sociedade Brasileira de Diabetes.

    Nota sobre inibidores da enzima de conversão da angiotensina (IECA), bloqueadores dos receptores da angiotensina (BRA) e COVID-19.

    20/mar/2020. Disponível em: Acesso em 02/abr/2020.

  5. SBD - Sociedade Brasileira de Diabetes.

    Nota da Sociedade Brasileira de Diabetes sobre o coronavírus e diabetes na gravidez.

    20/mar/2020. Disponível em: Acesso em 02/abr/2020.

  6. SBD - Sociedade Brasileira de Diabetes.

    Ampliação da validade das receitas para pacientes crônicos em todo Brasil.

    20/mar/2020. Disponível em: https://www.diabetes.org.br/publico/notas-de-esclarecimentos-da-sociedade-brasileira-de-diabetes-sobre-o-coronavirus-covid-19/2049-ampliacao-da-validade-das-receitas-para-pacientes-cronicos-em-todo-brasil Acesso em 02/abr/2020.