Um debate que se mantém ainda hoje é sobre qual é a melhor dieta para prevenir doenças cardiovasculares, cânceres e outras condições crônicas. Não há uma resposta convincente até o momento, mas avanços expressivos na compreensão do binômio dieta-doença têm sido publicados com o presente artigo. É fundamental apresentar um breve histórico relativo ao conhecimento da dieta na gênese de doenças ou na manutenção da saúde.

Desde os anos 1950, quando se relacionou o consumo de gorduras saturadas à doença coronariana e, depois, mais recentemente, à associação entre açúcar livre e refinado ao diabetes, houve propostas relativamente antagônicas: baixo teor de gorduras, por um lado, e reduzido teor de açúcares, por outro. Do ponto de vista científico, não havia respaldo suficiente para adotar uma ou outra proposta. A evolução do conhecimento mostrou mais recentemente que não é a proporção de gorduras nem de açúcares (ou carboidratos) o fator determinante da incidência de doenças ou de mortalidade maior, mas sim a qualidade de gorduras e carboidratos na dieta.

Esse artigo avaliou as dietas pela composição baixa em gorduras ou carboidratos e pela qualidade dos componentes em relação à mortalidade geral. Para isso, os autores utilizaram dados de uma pesquisa em domicílio realizada nos Estados Unidos e derivaram escores divididos em cinco categorias para cada dieta. Informações de 37 mil mulheres e homens, com idade mediana de 50 anos, durante oito anos, sem doença cardiovascular ou câncer previamente diagnosticado, foram observadas para verificar o risco de morte por todas as causas.
O primeiro resultado mostrou que, sem qualificar as dietas, tanto aquelas com baixo teor em gorduras como as com baixo teor em carboidratos não se associam diretamente a mais risco de morte, ou seja, tal risco seria indiferente em termos de sobrevida geral. Quando a avaliação qualitativa da dieta passou a ser analisada, houve uma mudança muito importante na associação entre dieta e mortalidade geral.
O consumo de dieta saudável com baixo teor de carboidratos revelou que a cada 20% do escore, ou seja, progressivamente mais saudável, o risco de morte por todas as causas se reduziu em 9%. Em direção oposta, quanto menos saudável era a dieta reduzida em carboidratos, o risco de morte se elevava 7% a cada 20% do escore de avaliação dietética.

O consumo de dieta saudável com baixo teor de gorduras revelou que a cada 20% do escore o risco de morte por todas as causas diminuiu 15%. Em direção oposta, quanto menos saudável era a dieta reduzida em gorduras, o risco de morte se elevava em 6%.

Posteriormente, os autores verificaram que ser hipertenso ou ter dislipidemia não alterou significativamente os resultados gerais do estudo.

Tais resultados estão em concordância com outros estudos que apontam que dietas com gorduras saturadas são muito palatáveis, mas não saciam, estimulando o consumo excessivo e a obesidade. O uso de açúcar refinado apresenta carga glicêmica alta, o que eleva o risco de obesidade e diabetes. O consumo de carnes vermelha e processada foi um dos fatores das dietas pouco saudáveis, tanto as com teores baixos de gorduras quanto as com teores reduzidos de carboidratos.


O fator mais relevante em termos de proposta dietética, além do controle global calórico, é a qualidade da dieta, não sendo relevante o fato de ser escassa em gorduras ou carboidratos.

SABR.SA.20.02.0243

A evolução do conhecimento mostrou mais recentemente que não é a proporção de gorduras nem de açúcares (ou carboidratos) o fator determinante da incidência de doenças ou de mortalidade maior, mas sim a qualidade de gorduras e carboidratos na dieta. 

REFERÊNCIAS

  1. Shan Z, Guo Y, Hu FB, Liu L, Qi Q.

    Association of low-carbohydrate and low-fat diets with mortality among US adults.

    JAMA Intern Med. 2020.