A osteoporose é uma condição que se caracteriza pela redução de massa óssea e fragmentação da arquitetura óssea, resultando em um risco aumentado de fraturas. Cerca de uma em cada duas mulheres, e um em cada cinco homens, com 50 anos ou mais, sofrerão uma fratura osteoporótica na vida. A fratura de quadril é o tipo mais grave de fratura osteoporótica, com um risco aproximado de 30% de morte no ano seguinte à fratura de quadril. A incidência deste tipo de fratura aumenta exponencialmente com a idade, principalmente entre mulheres com mais de 60 anos, ou homens com mais de 70 anos, destacando os altos riscos absolutos de fratura de quadril na velhice extrema.

A vitamina D é essencial para uma saúde músculo-esquelética ideal, pois promove a absorção de cálcio, mineralização da formação de tecido ósseo e manutenção da função muscular. Baixos níveis de vitamina D levam ao hiperparatireoidismo secundário, perda óssea e fraqueza muscular. Estudos revelaram que baixas concentrações sanguíneas de 25-hidroxivitamina D (25[OH]D) estão associadas a maiores riscos de quedas e fraturas.

A suplementação combinada diária de vitamina D e cálcio tem sido recomendada para a prevenção de fraturas em idosos. No entanto, ensaios clínicos randomizados (ECRs) e meta-análises anteriores sobre a suplementação de vitamina D isoladamente ou em combinação com cálcio para a prevenção de fraturas, relataram resultados conflitantes. No entanto, a maioria desses ensaios tinham um poder limitado para detectar diferenças no risco de fratura, em grande parte devido a uma combinação de tamanho pequeno da amostra, baixas doses diárias de vitamina D, regimes de dosagem intermitentes e curta duração do tratamento. Além disso, a interpretação dos resultados de metanálises anteriores desses ECRs podem ter sido baseados em uma metodologia imperfeita.

Assim, para resumir as evidências disponíveis e orientar a prática clínica, pesquisadores realizaram uma meta-análises paralelas de estudos observacionais sobre os riscos de fraturas associadas a diferenças prolongadas nas concentrações sanguíneas de 25(OH)D, de ECRs sobre os efeitos da suplementação de vitamina D isolada, comparada com placebo ou nenhum tratamento, na prevenção de fraturas, e ECRs sobre os efeitos da suplementação vitamina D mais cálcio, comparada com placebo ou nenhum tratamento, na prevenção de fraturas. Além disso, os investigadores revisaram projetos de ECRs em andamento para avaliar os efeitos de doses mais altas de vitamina D isolada ou em combinação com cálcio para prevenção de fraturas.
Para o estudo, que foi publicado no periódico científico JAMA Network Open, foram realizadas buscas nas bases de dados PubMed, EMBASE, Cochrane Library e outros bancos de dados de ECRs. Foram incluídos na análise estudos observacionais envolvendo pelo menos 200 casos de fratura e ECRs envolvendo pelo menos 500 participantes e relatando pelo menos 10 fraturas incidentes. Também foram incluídos ECRs que compararam a suplementação de vitamina D ou vitamina D e cálcio com um controle.

As evidências disponíveis dos ensaios clínicos randomizados não forneceram suporte para os efeitos da vitamina D isoladamente na prevenção de fraturas.

A meta-análise incluiu 11 estudos observacionais, com 39.141 participantes, 6.278 fraturas e 2.367 fraturas de quadril. Os resultados revelaram que para cada aumento de 10,0 ng/mL (25 nmol/L) na concentração de 25(OH)D foi associado a um risco relativo (RR) ajustado para qualquer fratura de 0,93 e um RR ajustado para fratura de quadril de 0,80. A meta-análise de 11 ECRs, com 34.243 participantes, 2.843 fraturas, 740 fraturas de quadril sobre a suplementação de vitamina D isolada não demostrou uma redução no risco de fraturas ou fraturas de quadril, mas esses estudos foram limitados por dosagens intermitentes e pouco frequentes, baixas doses diárias ou número inadequado de participantes. Por outro lado, uma meta-análise de 6 ECRs, com 49.282 participantes, 5.449 fraturas, 730 fraturas do quadril, sobre a suplementação combinada com vitamina D e cálcio revelaram um risco reduzido de 6% de qualquer fratura e um risco reduzido de 16% de fratura de quadril.
Os autores da revisão sistemática e meta-análise concluíram que as evidências disponíveis dos ECRs não forneceram suporte para os efeitos da vitamina D isoladamente na prevenção de fraturas. No entanto, os autores acreditam que a maioria desses ensaios clínicos foi restrita por problemas metodológicos. Segundo os autores, ainda é necessário aguardar os resultados de meta-análises de ECRs em andamento que avaliam os efeitos de doses diárias mais altas de vitamina D no risco de fratura antes de fazer recomendações sobre o uso de vitamina D na prevenção de fraturas. Ainda são necessários ECRs adicionais para avaliar a eficácia e segurança de doses diárias mais altas de vitamina D com cálcio em indivíduos de alto risco para prevenção de fraturas.

Acesso em 21 Fev 2020. Disponível em: https://jamanetwork.com/journals/jamanetworkopen/fullarticle/2757873

SABR.SA.20.02.0241

REFERÊNCIAS

  1. Yao P, Bennett D, Mafham M, Lin X, Chen Z, Armitage J, et al.

    Vitamin D and Calcium for the Prevention of Fracture: A Systematic Review and Meta-analysis.

    JAMA Netw Open. 2019 Dec 2;2(12):e1917789.