Teste da atividade enzimática – DBS
 
O diagnóstico preciso e definitivo da doença de Gaucher é feito com um exame de sangue (ou ensaio) medindo a atividade da enzima. A amostra de sangue pode ser coletada no consultório médico, mas precisa ser enviada a um laboratório especializado para análise. Em pessoas saudáveis, o exame mostra atividade normal da enzima glicocerebrosidase (ou beta-glicosidase ácida) nos leucócitos (glóbulos brancos). Em pessoas com doença de Gaucher, a atividade desta enzima é muito baixa (cerca de 10% da atividade normal).1-4
 
-/media/Sanofi/Conecta/Artigos/2020/05/como-diagnosticar-a-doenca-de-gaucher/DBS.ashx?w=340&hash=666BE579DDBF76A4CC83372EDF08D81F
Figura 1. Imagem de DBS 1-4

Ensaio enzimático:

 

Após o exame físico geral, pode-se incluir um exame de sangue básico para a contagem de glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas (hemograma). Mas o ensaio enzimático é um exame muito mais preciso e especializado, que detecta e mede a atividade da enzima glicocerebrosidase (beta-glicosidase ácida) no sangue. A dosagem da atividade dessa enzima nos leucócitos (glóbulos brancos) dá um diagnóstico definitivo da doença de Gaucher. 1-4

 

Além dos procedimentos de diagnóstico, o médico pode recomendar os seguintes testes para compreender melhor a condição do paciente1-4

 

•    Exames de sangue, que podem mostrar anormalidades, como quantidades elevadas de fosfatase ácida, de enzima conversora de angiotensina no soro do sangue, baixas contagens de plaquetas ou de glóbulos vermelhos; 

•   Radiografias, captura de imagens por ressonância magnética (RNM) ou por varreduras com tomografia computadorizada (TC) para ilustrar anormalidade ósseas; 

•   RNM ou TC para a medida precisa do quanto os órgãos, como fígado e baço, aumentaram;

•   Avaliações de qualidade de vida; 

•   Exames especiais também podem ser necessários para a extensão do envolvimento neurológico no tipo 3 da doença.

 

Importância do diagnóstico precoce 

 

Dados do International Collaborative Gaucher Group – Gaucher Registry (ICGG-GR) demonstram que 48% dos casos de doença de Gaucher tipo 1 são diagnosticados antes dos 6 anos de idade, e sabe-se que quanto mais precoce o surgimento da doença, potencialmente mais grave5,6

 

Quando não tratada, pode haver um avanço das alterações esqueléticas, evoluindo, do ponto de vista fisiopatológico, de lesões reversíveis tardias (baixa estatura com atraso puberal, osteopenia, lesões líticas e afilamento cortical) para as irreversíveis (necrose avascular óssea com crises ósseas, osteomielite séptica ou não séptica, fraturas patológicas e até colapso ósseo com necessidade de uso de próteses)5,6

 

Atraso no diagnóstico

 

Até receber o diagnóstico, os pacientes podem ser consultados por até 8 especialistas (com uma média de três), abaixo os principais motivos que levam o atraso ao diagnóstico: 

 
-/media/Sanofi/Conecta/Artigos/2020/05/como-diagnosticar-a-doenca-de-gaucher/GRAFICO5---Atraso-no-diagn.ashx?w=693&hash=F8ED2AF1C28B26706390CC3C8873E258
Figura 2. Causas de atraso no diagnóstico em pacientes com Doença de Gaucher. Adaptado de Mehta A. et al. Mol Genet Metab. 2017; 122(3): 122-129

 

Assim como o fenótipo, a idade ao diagnóstico também é bastante variável. No Gaucher Registry, quase a metade dos pacientes teve a confirmação da doença antes dos 10 anos.
Entretanto, a outra metade puxa a média da idade ao diagnóstico para 17,4 anos, variando desde o nascimento até 81 anos.8

O diagnóstico precoce torna-se bastante importante, especialmente para um início mais precoce do tratamento, o que melhora sobremaneira a evolução dos pacientes, com uma qualidade de vida muito próxima do normal.

Dentre os pacientes que receberam diagnóstico com até 10 anos de idade, 68% receberam diagnóstico antes dos 5 anos. Esse dado mostra a importância do pediatra no diagnóstico precoce.7

 
-/media/Sanofi/Conecta/Artigos/2020/05/como-diagnosticar-a-doenca-de-gaucher/GRAFICO6---idade-no-diagn.ashx?w=691&hash=A00D3F92B30C9579DA0FF2C9F4A07763

Figura 3. Distribuição das idades ao diagnóstico para pacientes com doença de Gaucher no Gaucher Registry. Adaptado de Charrow J. et al. Arch Intern Med. 2000 Oct 9; 160(18):2835-43

 

GZBR.GD.20.04.0135a/Abril2020

 

REFERÊNCIAS

  1. Mistry KP, et al.

    A reappraisal of Gaucher disease. Diagnosis and disease management algorithms.

    Am J Hematol 2011;86:110–5.

  2. Di Rocco M, et al.

    Early diagnosis of Gaucher disease in pediatric patients: proposal for a diagnostic algorithm.

    Pediatr Blood Cancer. 2014 Nov;61(11):1905-9.

  3. Thomas AS, et al.

    Diagnosing Gaucher disease: an on-going need for increased awareness amongst haematologists.

    lood Cells Mol Dis. 2013.

  4. Cassinerio E, et al.

    Gaucher disease: a diagnostic challenge for internists.

    Eur J Intern Med. 2014 Feb;25(2):117-24.

  5. Camelo Jr JS, Cabello JF, Drelichman GG, Kerstenetzky MM, Sarmiento IC, Ordoñez SS, et al.

    Long-term effect of imiglucerase in Latin American children with Gaucher disease type 1: lessons from International Collaborative Gaucher Group Gaucher Registry.

    BMC Hematology. 2014;14:10.

  6. Charrow J, Scott R.

    Long term treatment outcomes in Gaucher disease.

    American Journal of Hematology. 2015;90(S1):S19.

  7. Stirnemann J et al.

    A Review of Gaucher Disease Pathophysiology, Clinical Presentation and Treatments.

    Int J Mol Sci. 2017 Feb; 18(2): 441.

  8. Charrow J, Andersson HC, Kaplan P et al.

    The Gaucher registry: demographics and disease characteristics of 1698 patients with Gaucher disease.

    Arch Intern Med. 2000 Oct 9;160(18):2835-43.