A osteoartrite é uma condição comum e incapacitante que representa grave problema de saúde pública, com implicações sérias na vida dos indivíduos afetados e nos sistemas de saúde e custos socioeconômicos crescentes.1-3 Com o envelhecimento das populações e o aumento da incidência de obesidade, a osteoartrite se torna mais prevalente, e as estimativas mundiais sugerem que atualmente cerca de 250 milhões de pessoas tenham a doença.2,3 

 

Nas diretrizes de tratamento, as medidas não farmacológicas, como educação do paciente e estratégias de autocuidado, exercícios físicos, perda de peso (se há sobrepeso ou obesidade) e uso de auxiliadores de marcha, conforme a indicação,4,5 são amplamente recomendadas e consideradas como tratamento de primeira linha.6,7 

 

Médicos e pacientes reconhecem a importância de vários aspectos cruciais da educação do indivíduo, como informações sobre as diferentes abordagens de tratamento (por exemplo a importância da atividade física regular, dos exercícios individualizados e da perda de peso, se houver excesso de peso, por exemplo, mas também a necessidade de cirurgia em casos específicos), além de informações sobre a doença, sua fisiopatologia e achados radiográficos.3 A abordagem não farmacológica tem eficácia clínica e nunca deve ser negligenciada. 

 

As medidas farmacológicas mais frequentemente recomendadas nas diretrizes de tratamento da osteoartrite incluem os analgésicos simples (paracetamol e dipirona) e os anti-inflamatórios não hormonais (AINHs).4 O paracetamol tem sido historicamente o medicamento de primeira linha no alívio da dor na osteoartrite;4 no entanto, em 2017, uma metanálise concluiu que, dado o pequeno tamanho de efeito (inferior a 0,2) em comparação com placebo, em conjunto com as preocupações sobre segurança, o paracetamol é pouco útil como agente isolado no tratamento da osteoartrite.8 Por outro lado, outros agentes de primeira linha, como os AINHs tópicos, mostraram-se eficazes na osteoartrite.9 

 

Os resultados de uma metanálise recente demonstraram que, em comparação com placebo, os AINHs tópicos são efetivos na osteoartrite, com tamanhos de efeito médios (corrigidos) de 0,30 no alívio da dor e de 0,35 na melhora da função.9 Em relação aos AINHs tópicos, até o momento não foram observados eventos adversos gastrointestinais nem renais graves em ensaios clínicos ou na população geral.9 

Os AINHs orais são eficazes, por sua vez, em termos de melhora clinicamente relevante da dor e da função na osteoartrite.8 Os tamanhos de efeito terapêutico variam significativamente entre os diversos AINHs e as doses utilizadas.8 No entanto, a segurança (particularmente relacionada a eventos gastrointestinais e cardiovasculares) é uma preocupação importante na seleção do AINH e da dose a ser utilizada em pacientes individuais.8 O uso de AINHs orais deve ser, de preferência, restrito ao curto prazo (conforme a necessidade) e na menor dose possível.8

 

Os AINHs estão entre os fármacos mais prescritos em todo o mundo.10 Existem atualmente pelo menos 20 AINHs disponíveis para uso clínico, de seis classes diferentes, determinadas pela estrutura química.10 Essas drogas diferem em dose, interações medicamentosas e alguns efeitos colaterais.10 Esses agentes partilham a ação de bloquear a produção de prostaglandinas por meio da inibição das ciclo-oxigenases (COX), expressa habitualmente em duas isoformas, a COX-1 e a COX-2.10-12 As isoformas da COX diferem entre si em relação à distribuição tecidual e aos mecanismos de regulação.10,11 (Figura 1) 

 

A COX-1 é expressa constitutivamente nos tecidos e desempenha diversas funções homeostáticas, enquanto a COX-2 sofre aumento de sua expressão durante o processo inflamatório e em outras situações patológicas.10,11 Os efeitos terapêuticos, bem como os efeitos colaterais dos AINHs, são diretamente decorrentes da inibição das COX, notadamente da COX-1.10 A toxicidade gastrointestinal é um dos efeitos colaterais associados ao uso de AINHs e pode manifestar-se como ulceração e até perfuração gastrointestinal, uma vez que a COX-1 está envolvida nos mecanismos de proteção da mucosa gástrica.10 Da mesma forma, os inibidores seletivos da COX-2, notadamente nos pacientes que fazem uso de ácido acetilsalicílico como profilaxia de doença cardiovascular, podem potencializar o efeito adverso gastrointestinal12 e aumentar o risco cardiovascular. 

 

No caso dos pacientes com risco de evento adverso gastrointestinal devido ao uso de AINHs, a não adesão à terapia gastroprotetora prescrita ainda permanece como um desafio.14 A não adesão aos inibidores da bomba de prótons (IBPs) ou à terapia com antagonistas dos receptores H2 de histamina foi de 44% entre os usuários de AINHs, de acordo com os resultados de um estudo de coorte observacional retrospectivo.15,16 Na mesma linha, o risco de eventos adversos gastrointestinais nos usuários de AINHs aumenta à medida que a adesão à terapia gastroprotetora diminui.14-17

 

Nesse cenário clínico de baixa adesão ao uso de gastroprotetor isolado, observada em mais de 60% dos casos em que os dois fármacos são prescritos em separado, uma formulação combinada de cetoprofeno e omeprazol reduz significativamente o risco de eventos gastrointestinais indesejáveis nos pacientes de risco.15

 

O uso da formulação combinada cetoprofeno/omeprazol tende a aumentar a adesão ao tratamento.15 Isso é particularmente importante para os pacientes com osteoartrite, que habitualmente apresentam múltiplas comorbidades, com necessidade de polifarmácia.15 Quando avaliado em estudos comparativos diretos, o cetoprofeno apresenta perfil de eficácia similar ao de outros AINHs no manejo da osteoartrite.3,8,14,15 

 

A osteoartrite é uma condição comum e incapacitante que representa grave problema de saúde pública, com implicações sérias na vida dos indivíduos afetados e nos sistemas de saúde e custos socioeconômicos crescentes.1-3

Os estudos de bioequivalência demonstraram, por sua vez, que a eficácia clínica da formulação combinada cetoprofeno/omeprazol é similar à observada com o uso de cada um de seus componentes, com a importante vantagem da comodidade posológica de uma dose única diária.15 

 

Profenid® Protect é uma formulação de cetoprofeno de liberação prolongada combinada com uma formulação em grânulos gastrorresistentes de omeprazol.15 A formulação está disponível como uma cápsula única adequada à administração de uma vez ao dia.15 A formulação garante efeito analgésico e anti-inflamatório rápido e sustentado associado à segurança gastrointestinal. 

 

Outras associações de AINHs com gastroprotetor, como diclofenaco e misoprostol, foram relacionadas a efeitos adversos gastrointestinais como diarreia e dor abdominal.18,19

 

Em conclusão, a combinação cetoprofeno/omeprazol (Profenid® Protect) garante a adesão à profilaxia gastroprotetora, pois, sempre que o AINH é tomado, o IBP é coadministrado.15 

 

Além disso, a formulação com posologia uma vez ao dia tem o potencial de melhorar a adesão à terapia anti-inflamatória.15

 

SABR.GKETZ.20.02.0194

REFERÊNCIAS

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