Introdução e objetivo: A COVID-19 é uma síndrome respiratória com altas taxas de mortalidade, havendo necessidade de marcadores práticos que forneçam informações sobre seu prognóstico. Este estudo procurou determinar se o eletrocardiograma (ECG) na admissão hospitalar poderia fornecer tais informações, especificamente relacionadas à mortalidade.1

 

Métodos: Foi realizado um estudo de coorte retrospectivo em pacientes com COVID-19, confirmados por RT-PCR, que fizeram um eletrocardiograma próximo ao momento da internação hospitalar. Características clínicas e variáveis de ECG foram abstraídas manualmente do prontuário eletrônico e do ECG. O desfecho primário foi a morte. As análises sobre a relação entre características clínicas e eletrocardiográficas e óbito foram realizadas por regressão logística univariada e multivariável.1

 

Resultados: 756 pacientes hospitalizados em um grande hospital universitário da cidade de Nova York com COVID-19 foram submetidos a um eletrocardiograma.1

 

Parâmetros clínicos e eletrocardiográficos que apresentaram diferença significativa entre pacientes que tiveram alta e que evoluíram com óbito:1 

-/media/Sanofi/Conecta/Artigos/2020/06/achados-eletrocardiograficos-na-covid-19/IMAGEM-1-achados-eletrocardiograficos-na-covid.ashx?w=1404&hash=540EFE41A908ED435E62106C9DF9B1F5

Foi constatado que doença arterial coronariana, imunossupressão e hipoxemia nas primeiras 3 horas de internação foram as características clínicas associadas a óbito. As variáveis do eletrocardiograma que aumentaram as chances de morte foram: contrações prematuras atriais [Odds Ratio (OR) = 2,57, IC95% 1,23-5,36, p = 0,01], bloqueio de ramo direito [OR = 2,61, IC95% 1,32-5,18, p = 0,002], inversão da onda T (isquemia) [OR = 3,49, IC95% 1,56-7,80, p = 0,002] e anormalidades na repolarização [OR = 2,31, IC95% 1,27-4,21,p = 0,006].

 

No modelo de regressão logística multivariada utilizada neste estudo as características do ECG que aumentam o risco de morte são:1

-/media/Sanofi/Conecta/Artigos/2020/06/achados-eletrocardiograficos-na-covid-19/IMAGEM-2-achados-eletrocardiograficos-na-covid.ashx?w=1404&hash=3B6950EA5C1CF3F440AE4E9F2F72255F

 

Conclusão: 
Em conclusão, esses dados mostram que o ECG pode ser uma ferramenta prognóstica útil na avaliação da COVID-19, mesmo entre pacientes em ventilação mecânica invasiva. Pacientes com achados de ECG relacionados a doenças cardíacas do lado esquerdo (contração atrial prematura, bloqueio intraventricular, anormalidades de repolarização) e doenças do lado direito (bloqueio de ramo direito) têm maiores chances de morte.1

As variáveis clínicas que aumentaram as chances de morte foram: doença arterial coronariana, imunossupressão e hipoxemia nas primeiras 3 horas de internação; enquanto as variáveis no ECG foram: contrações prematuras atriais, bloqueio de ramo direito, inversão da onda T (isquemia) e anormalidades na repolarização.1

REFERÊNCIAS

  1. McCullough SA, Goyal P, Krishnan U et al.

    Electrocardiographic Findings in COVID-19: Insights on Mortality and Underlying Myocardial Processes.

    J Card Fail. 2020;S1071-9164(20)30605-9. doi:10.1016/j.cardfail.2020.06.005