A importância do olhar do pediatra nos casos de doenças raras

 

Alguns sinais específicos levantam suspeitas ao longo da infância e requerem avaliação minuciosa.

Esses sinais vão desde distúrbios metabólicos até perda da fala ou marcha, entre outros sintomas neurológicos.1,4

 

Caso a doença rara seja diagnosticada, pode ser necessário recorrer a uma abordagem multidisciplinar5, que inclua especialidades médicas e outros profissionais da saúde habilitados para tratar de forma adequada as comorbidades associadas a essa doença. Mas o ponto de partida para a avaliação e o encaminhamento pode vir do pediatra.

 

A doença de Pompe

 

Pompe é uma doença neuromuscular genética causada por uma deficiência da atividade enzimática da alfa-glicosidase ácida (GAA), resultando em acúmulo intralisossomal de glicogênio nos músculos e, consequentemente, dano irreversível da musculatura.4,6,7

 

Doença de Pompe infantil ou de início precoce:

IOPD (infantile onset pompe disease)

 

A Doença de Pompe infantil progride rapidamente e muitas vezes é fatal já no primeiro ano de vida.1,2

 

Sinais indicativos para IOPD:

  • Fraqueza muscular e hipotonia (floppy baby – dificuldade para sustentar a cabeça e atraso no desenvolvimento motor)1-4
  • Acometimento da sucção (dificuldade para mamar) e dificuldade para se alimentar/ engolir, levando a retardo no desenvolvimento1-4
  • Dificuldades respiratórias (infecções frequentes e desconforto respiratório)1-4

 

 

doenca-de-pompe-texto-fig-1doenca-de-pompe-texto-fig-2doenca-de-pompe-texto-fig-3

 

 

Características do diagnóstico:

 

Análise de sobrevida de Kaplan-Meier desde o nascimento, em estudo retrospectivo de 168 bebês com Doença de Pompe infantil:

  • Os níveis de creatina quinase (CK) podem estar elevados, chegando a 2.000 UI/L1-4
  • Cardiomegalia, detectável por radiografia de tórax, eletrocardiograma ou ecocardiograma1-4
  • Atividade enzimática menor que 1% ou virtualmente ausente em testes de atividade da enzima GAA1,8

 

Histórico natural de bebês com doença de Pompe

-/media/Sanofi/Conecta/Artigos/2020/06/doenca-de-pompe-na-pediatria/Grafico1-doenca-de-pompe-texto.ashx?w=1017&hash=5BEFB7F2ACD457E0A7EB51BA66625BEF

Doença de Pompe juvenil ou de início tardio juvenil

 

Pacientes com Doença de Pompe juvenil ou LOPD pediátrico (de 1 a 18 anos) tipicamente apresentam atraso no desenvolvimento motor e/ou fraqueza muscular da cintura e dos membros.9

 

A função pulmonar pode estar amplamente comprometida e os músculos flexores do pescoço também podem estar gravemente acometidos. Além disso, a Doença de Pompe juvenil pode ser caracterizada por reflexos diminuídos ou ausentes, miopatia facial e escoliose.9

 

A Doença de Pompe em seu aspecto de início tardio (LOPD) pode afetar desde crianças acima de 1 ano de idade até adultos em seus 60 anos.4

A incidência combinada de todas as formas da Doença de Pompe – incluindo a Doença de Pompe de início precoce ou infantil, que pode ser fatal e se manifesta até o primeiro ano de vida – é estimada em 1:40.000.4

 

Os sintomas pediátricos da Doença de Pompe juvenil podem incluir:4,9

-/media/Sanofi/Conecta/Artigos/2020/06/doenca-de-pompe-na-pediatria/lightbox_pompe_grafico_2_iopd.ashx?w=601&hash=FDA3F0B47D61D4043388DC6ABE1F6B13
A Doença de Pompe juvenil deve ser considerada no diagnóstico diferencial de pacientes que apresentem fraqueza desproporcional dos flexores cervicais e fadiga sem causa aparente, com ou sem presença de diarreia persistente.9
-/media/Sanofi/Conecta/Artigos/2020/06/doenca-de-pompe-na-pediatria/lightbox_pompe_grafico_1_iopd.ashx?w=805&hash=71907623FC3948DFF85DD8729DF9E4AC
-/media/Sanofi/Conecta/Artigos/2020/06/doenca-de-pompe-na-pediatria/figura4-doenca-de-pompe.ashx?w=800&hash=CB7AB41E7F4067207F73ADF9EDB62E65

Pacientes com Doença de Pompe juvenil podem ter um diagnóstico tardio.4

 

  • Um estudo observacional com 31 pacientes juvenis com Doença de Pompe ou com Doença de Pompe juvenil, todos com menos de 18 anos de idade, mostrou que os sintomas iniciais se apresentam durante a infância (após 1 ano de idade), em média aos 2,6 anos de idade (faixa de 0,5 a 13 anos), e que o diagnóstico é realizado em média aos 4 anos de idade (faixa de 0 a 16 anos)9
  • O diagnóstico pode demorar até 5,8 anos após o aparecimento dos sintomas9
  • O subdiagnóstico da Doença de Pompe juvenil ocorre, provavelmente, devido à raridade da condição e à variabilidade fenotípica7
  • Crianças e adultos que apresentam doença não clássica podem apresentar sintomas menos graves a curto prazo, mas podem ainda desenvolver grave acometimento da mobilidade e problemas respiratórios4,9

 

Sem intervenção clínica imediata, os pacientes podem enfrentar risco significativo de invalidez e morte prematura9

 

O estudo observacional com 31 pacientes com Doença de Pompe juvenil também gerou os seguintes dados sobre os riscos de invalidez e mortalidade:10

 

  • A necessidade de uso de cadeira de rodas em casos de Doença de Pompe juvenil foi observada em pacientes de 4 a 22 anos, com idade média de início de 7,5 anos (n=8); subsequentemente, o período de tempo médio entre os primeiros sintomas e a perda de locomoção foi de 4,5 anos (n=8, intervalo de 3 a 15 anos de idade)9
  • A duração média desde os primeiros sintomas até qualquer tipo de suporte ventilatório (ou morte por insuficiência respiratória) foi de 4,5 anos (faixa de 0 a 11 anos, n=8); a idade média do início da ventilação mecânica (ou da morte) foi de 9 anos (escala de 5 a 16 anos, n=8)9

Testar pacientes com suspeita de Doença de Pompe juvenil deve ser rápido e confiável: a mensuração da atividade da enzima GAA é o teste padrão-ouro para o diagnóstico6

 

Teste da gota seca em papel de filtro - DBS

Os kits DBS (dried blood spot, ou gota de sangue seca) estão disponíveis para ajudá-lo com a coleta, manuseio e envio adequado das amostras de DBS para um laboratório designado. O resultado positivo para baixa atividade enzimática deve ser confirmado pela análise genética do gene GAA.10

Por isso, a Sanofi está ao seu lado para dar apoio e orientação, contribuindo para um diagnóstico mais assertivo e tratamentos que proporcionarão mais qualidade de vida ao paciente. 

 

Amostra de sangue total

Alternativamente, os laboratórios designados podem realizar um ensaio da atividade da enzima GAA em uma amostra de sangue total.6

 

Testes Genéticos

Após o resultado positivo do teste enzimático, a confirmação deve ser realizada através da atividade enzimática na cultura de fibroblastos ou linfócitos e/ou genotipagem através da análise de DNA.7

 

GZBR.PD.20.02.0031/Junho2020

REFERÊNCIAS

  1. Van Den Hout HM, Hop W, van Diggelen OP, et al.

    The natural course of infantile Pompe’s disease: 20 original cases compared with 133 cases from the literature.

    Pediatrics. 2003;112:332–340

  2. Kishnani PS, Hwu W-L, Mandel H, Nicolino M, Yong F, Corzo D.

    A retrospective, multinational, multicenter study on the natural history of infantile-onset Pompe disease.

    J Pediatr. 2006;148:671–676.

  3. Winkel LP, Hagemans ML, van Doorn PA, et al.

    The natural course of non-classic Pompe’s disease; a review of 225 published cases.

    J Neurol. 2005;252:875–884.

  4. Kishnani PS, Steiner RD, Bali D, et al.

    Pompe disease diagnosis and management guideline.

    Genet Med. 2006 May;8(5):267–288

  5. De Vruer R, et al.

    WHO Background paper 6.19 Rare diseases. 2013 [acesso em 19 set 2018].

    Disponível em: http://www.who.int/medicines/areas/priority_medicines/BP6_19Rare.pdf

  6. American Association of Neuromuscular & Electrodiagnostic Medicine.

    Diagnostic criteria for late-onset (childhood and adult) Pompe disease.

    Muscle Nerve. 2009;40(1):149-60.

  7. Lévesque S, Auray-Blais C, Gravel E, et al.

    Diagnosis of late-onset Pompe disease and other muscle disorders by next-generation sequencing.

    Orphanet J Rare Dis. 2016;11:8. doi:10.1186/s13023-016-0390-6.

  8. Kishnani PS, Amartino HM, Lindberg C, et al.

    Timing of diagnosis of patients with Pompe disease: data from the Pompe registry.

    Am J Med Genet A. 2013.

  9. van Capelle CI, van der Meijden JC, van den Hout JMP, et al.

    Childhood Pompe disease: clinical spectrum and genotype in 31 patients.

    Orphanet J Rare Dis. 2016;11(1):65. doi:10.1186/s13023-016-0442-y

  10. Goldstein JL, Young SP, Changela M, et al.

    Screening for Pompe disease using a rapid dried blood spot method: experience of a clinical diagnostic laboratory.

    Muscle Nerve. 2009;40(1):32-6.