O indivíduo com hipercolesterolemia homozigótica apresenta situação mais grave, em que o colesterol sérico é muito elevado, e há desenvolvimento da doença na primeira infância. No entanto, o indivíduo com hipercolesterolemia heterozigótica também deve ser tratado o mais precocemente possível para evitar o desenvolvimento de complicação cardiovascular.1

 

O tratamento não farmacológico da hipercolesterolemia familiar deve ser realizado com mudanças de estilos de vida como a alimentação, o controle do tabagismo, atividade física e perda de peso, se necessário. Em relação ao tratamento farmacológico estão aprovadas as estatinas, a ezetimiba, a colestiramina e os inibidores da PCSK9, evolocumabe e alirocumabe, para as crianças.1,2

 

O estudo PLUTO [Pediatric Lipid-redUction Trial of rOsuvastatin] envolveu 177 portadores de HF, entre 10 e 17 anos, que receberam placebo ou rosuvastatina em todas as doses todas possíveis (5mg, 10mg ou 20mg). A rosuvastatina produziu reduções importantes do LDL-colesterol com diferença significativa do placebo e, além disso, foi bem tolerada, não havendo qualquer efeito aparente sobre crescimento ou o desenvolvimento dessas crianças.3

 

Outro estudo importante foi o Charon, que também avaliou crianças e adolescentes com hipercolesterolemia familiar, com resultados semelhantes. As crianças apresentavam LDL-c acima de 190mg/dL ou de 158mg/dL com outros fatores de risco. Receberam rosuvastatina nas doses de 5, 10 ou 20 mg/dia, de acordo com o perfil lipídico, por 2 anos. Houve reduções bastante significativas do LDL-c, com boa tolerabilidade, sem efeitos adversos e maturação sexual totalmente normal.4 Ao avaliar as carótidas desses pacientes, os indivíduos com hipercolesterolemia familiar apresentaram espessura intima-média (IMT) das carótidas significativamente maior do que as crianças sem hipercolesterolemia familiar.

O tratamento com a rosuvastatina possibilitou que as crianças apresentassem menor progressão da piora da IMT das carótidas. Depois de dois anos de tratamento com a rosuvastatina, se verificou que a IMT das carótidas dos pacientes com hipercolesterolemia familiar tratados com rosuvastatina foi semelhante ao dos seus irmãos que não eram afetadas pela hipercolesterolemia familiar. Então, os dados suportam o uso de estatina de uma forma precoce nessas crianças.5

O estudo PLUTO [Pediatric Lipid-redUction Trial of rOsuvastatin] envolveu 177 portadores de HF, entre 10 e 17 anos, que receberam placebo ou rosuvastatina em todas as doses todas possíveis (5mg, 10mg ou 20mg).3

 

 

SABRAGE.MDY.20.06.0087

REFERÊNCIAS

  1. Santos RD, Gagliardi ACM, Xavier HZ, Casella Filho A, Araújo DB, Cesena FY, et al.

    I Diretriz Brasileira de Hipercolesterolemia Familiar (HF).

    Arq Bras Cardiol. 2012 Ago;99(2 Supl 2):1-28.

  2. Faludi AA, Izar MCO, Saraiva JFK, Chacra APM, Bianco HT, Afiune Neto A et al.

    Atualização da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2017.

    Arq Bras Cardiol. 2017; 109(2Supl.1):1-76.

  3. Avis HJ, Hutten BA, Gagné C, Langslet G, McCrindle BW, Wiegman A, et al.

    Efficacy and safety of rosuvastatin therapy for children with familial hypercholesterolemia.

    J Am Coll Cardiol. 2010 Mar 16;55(11):1121-6.

  4. Braamskamp MJAM, Langslet G, McCrindle BW, Cassiman D, Francis GA, Gagné C, et al.

    Efficacy and safety of rosuvastatin therapy in children and adolescents with familial hypercholesterolemia: Results from the CHARON study.

    J Clin Lipidol. 2015 Nov-Dec;9(6):741-50.

  5. Braamskamp MJAM, Langslet G, McCrindle BW, Cassiman D, Francis GA, Gagne C, et al.

    Effect of Rosuvastatin on Carotid Intima-Media Thickness in Children With Heterozygous Familial Hypercholesterolemia: The CHARON Study (Hypercholesterolemia in Children and Adolescents Taking Rosuvastatin Open Label).

    Circulation. 2017 Jul 25;136(4):359-66.