Cálcio

 

O cálcio tem papel fundamental na coagulação sanguínea, na contração muscular, no metabolismo celular e na manutenção da massa óssea.1-3 

 

Para crianças e adolescentes, a ingestão suficiente de cálcio é importante para a construção de ossos fortes.Para adultos, é necessária uma ingestão suficiente de cálcio para evitar ou atrasar a incidência de osteoporose.4

 

Dados recentes mostram discreto aumento da ingestão de cálcio no Brasil (de cerca de 400 para 505 mg),5-8 mas ainda insuficiente para as recomendações do Institute of Medicine (1.000-2.000 mg para adultos), apresentadas na tabela 1. 

 
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A baixa ingestão de cálcio está associada a hiperparatireoidismo secundário compensatório e aumento da reabsorção óssea.7


A tabela 2 mostra que os derivados lácteos fornecem o cálcio mais biodisponível, em comparação aos vegetais, pois os ácidos fítico e oxálico presentes nos vegetais diminuem a absorção do cálcio de origem vegetal.9

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A primeira estratégia para adequação é tentar aumentar o aporte de cálcio dietético. Se não for possível, os suplementos de cálcio passam a ser a opção.2 Há vários sais disponíveis, como o carbonato e o citrato.2

 

A ingestão adequada de cálcio mostrou muitos benefícios à saúde, como: 

 

•   redução do risco de pré-eclâmpsia,2 
•   prevenção de adenomas colorretais,2 
•   valores mais baixos de colesterol,
•   pressão arterial mais baixa nos filhos de mães que tomam cálcio suficiente durante a gravidez.2
 

A adequação dos níveis de cálcio e vitamina D reduz o risco de quedas e fraturas.1,2

 

Vitamina D 

 

Embora seja denominada vitamina, conceitualmente se trata de um pré-hormônio que, associado ao paratormônio (PTH), atua como importante regulador da homeostase do cálcio e do metabolismo ósseo.8 Ela pode ser obtida a partir de fontes alimentares, (Tabela 3) porém a síntese cutânea endógena desencadeada pelos raios ultravioleta (UV) é a principal fonte.8 A vitamina D ativa modula a síntese de PTH, aumenta a absorção de cálcio pelo intestino e está relacionada a melhor massa óssea e função muscular.8

 
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Vitamina D e Cálcio

 

Como referido anteriormente, a ação da vitamina D é necessária para que ocorra uma adequada absorção intestinal de cálcio:

 

•   a absorção intestinal ativa de cálcio é primariamente regulada pela 1,25-dihidroxivitamina D;
•   alguns hormônios também podem influenciar a absorção intestinal de cálcio, aumentando-a ou diminuindo-a, via interação com a conversão renal de 25-hidroxivitamina D (25-OHD) a 1,25(OH)2D ou com o efeito da 1,25(OH)2D no intestino, ou ainda por uma ação hormonal direta.

 
Os estudos brasileiros indicam alta prevalência de hipovitaminose D em diversas faixas etárias.8 A maioria dos estudos abordou principalmente idosos e mulheres na pós-menopausa, que são populações de risco para osteoporose e fraturas.8

O cálcio tem papel fundamental na coagulação sanguínea, na contração muscular, no metabolismo celular e na manutenção da massa óssea.1-3 

 

Concentrações de 25(OH)D acima de 30 ng/mL são desejáveis e devem ser as metas para populações de maior risco, (Tabela 4) pois em pacientes com osteoporose, por exemplo, os benefícios da vitamina D são mais evidentes especialmente no que se refere à redução do número de quedas e fraturas.1,8,9
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Em relação às ações não ósseas da vitamina D, a revisão sistemática de metanálises de Autier et al.11 mostrou que sua administração está associada à redução da mortalidade geral e por câncer, de infecções respiratórias altas e da exacerbação de asma.11

 

Conclusões

 

Com base na evidência atual, a suplementação de cálcio, quando necessária, concomitantemente à de vitamina D, é adequada em pacientes com alto risco de insuficiência dietética e naqueles sob tratamento para osteoporose.1,2,8,10

 
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SABR.COSC.20.03.0387

REFERÊNCIAS

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    Osteoporos Int. 2017;28(2):447-62.

  2. Cormick G, Belizán JM.

    Calcium Intake and Health.

    Nutrients. 2019;11(7). pii: E1606.

  3. Palta S, Saroa R, Palta A.

    Overview of the coagulation system.

    Indian J Anaesth. 2014 Sep;58:515-23.

  4. Li K, Wang XF, Li DY, Chen YC, Zhao LJ, Liu XG, et al.

    The good, the bad, and the ugly of calcium supplementation: a review of calcium intake on human health.

    Clin Interv Aging. 2018;13:2443-52.

  5. Pinheiro MM, Schuch NJ, Genaro PS, Ciconelli RM, Ferraz MB, Martini LA.

    Nutrient intakes related to osteoporotic fractures in men and women – the Brazilian Osteoporosis Study (BRAZOS).

    Nutr J. 2009;8:6.

  6. Balk EM, Adam GP, Langberg VN, Earley A, Clark P, Ebeling PR, et al.; International Osteoporosis Foundation Calcium Steering Committee.

    Global dietary calcium intake among adults: a systematic review.

    Osteoporos Int. 2017;28(12):3315-24.

  7. Institute of Medicine (IOM).

    DRIs for calcium and vitamin D. Report at a glance

    [acesso em 26 jan 2020]. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK56070/pdf/Bookshelf_NBK56070.pdf.

  8. Maeda SS, Borba VZ, Camargo MB, Silva DM, Borges JL, Bandeira F, et al.; Brazilian Society of Endocrinology and Metabology (SBEM).

    Recommendations of the Brazilian Society of Endocrinology and Metabology (SBEM) for the diagnosis and treatment of hypovitaminosis D.

    Arq Bras Endocrinol Metabol. 2014;58(5):411-33.

  9. Buzinaro EF, Almeida RN, Mazeto GM.

    Bioavailability of dietary calcium.

    Arq Bras Endocrinol Metabol. 2006 Oct;50(5):852-61.

  10. Ferreira CES, Maeda SS, Batista MC, Lazaretti-Castro M, Vasconcellos LS, Madeira MS, et al.

    Consensus – reference ranges of vitamin D [25(OH)D] from the Brazilian medical societies.

    Brazilian Society of Clinical Pathology/Laboratory Medicine (SBPC/ML) and Brazilian Society of Endocrinology and Metabolism (SBEM). J Bras Patol Med Lab. 2017;53(6):377-81.

  11. Autier P, Mullie P, Macacu A, Dragomir M, Boniol M, Coppens K, et al.

    Effect of vitamin D supplementation on non-skeletal disorders: a systematic review of meta-analyses and randomised trials.

    Lancet Diabetes Endocrinol. 2017;5(12):986-1004.