Introdução: A pandemia da doença Coronavírus 2019 (COVID-19) resultou em 5.817.385 casos notificados e 362.705 óbitos em todo o mundo até o dia 30 de maio de 2020.1 Nos Estados Unidos, até esta mesma data, um total de 1.761.503 de casos e 103.700 óbitos foram relatados ao Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, Centers for Diseases Control and Prevention). Os dados estatísticos resumidos aqui são essenciais para a tomada de decisão em resposta à pandemia.1

 

Objetivo: Este relatório teve como objetivo analisar os dados de 1.320.488 casos de COVID-19 confirmados através de testes laboratoriais durante o período de 22 de janeiro e 30 de maio. Os resultados foram classificados quanto às características demográficas, condições de saúde subjacentes, sinais e sintomas clínicos e gravidade da doença, incluindo hospitalização, internação em UTI e óbitos.1 

 

Metodologia: Dados sobre o número de casos e óbitos por COVID-19 enviados diariamente pelos Departamentos de Saúde Estaduais e Nacionais para o CDC foram tabulados para análise de tendências no período entre 22 de janeiro e 30 de maio. Além disso, foram contabilizados os casos submetidos ao CDC individualmente via formulário de relato de caso COVID-19 e através do Sistema Nacional de Vigilância de Doenças Notificáveis. Os casos relatados sem a descrição de sexo ou idade foram excluídos da análise, bem como os casos de pacientes repatriados para os Estados Unidos de Wuhan, China, ou que estavam presentes no cruzeiro Diamond Princess.1 

 

Resultados: 
Entre os 1.320.488 casos de COVID-19 confirmados em laboratório e relatados individualmente ao CDC entre 22 de janeiro e 30 de maio de 2020, foi observado:1

  • Incidência acumulada: 403,6 casos por 100.000 pessoas.
  • Incidência semelhantes entre homens (401,1) e mulheres (406,0).*
  • Incidência maior entre as pessoas com idade ≥ 80 anos (902,0).

*Entre 63.896 mulheres com idade entre 15 e 44 anos com status de gravidez conhecido, 6.708 (11%) relataram estar grávidas.1

 

Sintomatologia:

O status dos sintomas (sintomático versus assintomático) foi relatado em 616.541 (47%) casos; destes, 22.007 (4%) eram assintomáticos.

 

Entre 373.883 (28%) casos com dados sobre sintomas individuais:1 

  • 70% observaram febre, tosse ou falta de ar;
  • 36% relataram dores musculares;
  • 34% relataram cefaleia;
  • 8% relataram perda de olfato ou paladar.

Entre os pacientes com idade ≥ 80 anos, 60% relataram febre, tosse ou falta de ar. Nenhum outro sintoma foi relatado por mais de 10% das pessoas nessa faixa etária.1

 

Sintomas relatados entre 373.883 pessoas com COVID-19 confirmada por laboratório e status conhecido dos sintomas:1

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Condições de saúde subjacentes:
Entre 287.320 (22%) casos com dados suficientes sobre as condições de saúde subjacentes, os mais comuns foram:1 

  • Doença cardiovascular (32%).
  • Diabetes (30%).
  • Doença pulmonar crônica (18%).

Desfechos adversos observados:1

  • Pacientes hospitalizados: 184.673 (14%).
  • Pacientes admitidos em unidade de terapia intensiva (UTI): 29.837 (2%).
  • Óbitos: 71.116 (5%).

As hospitalizações foram 6 vezes maiores entre os pacientes com uma condição subjacente relatada (45,4%) do que aqueles sem condições subjacentes relatadas (7,6%).2 Da mesma forma, os óbitos foram 12 vezes maiores entre os pacientes com condições subjacentes relatadas (19,5%) em comparação com aqueles sem condições subjacentes relatadas (1,6%).1 

 

Óbito foi mais comumente relatado entre pessoas com idade ≥ 80 anos, independentemente da presença de condições subjacentes (com condições subjacentes 50%; sem 30%).1  

 

A porcentagem de internações na UTI foi maior entre as pessoas com condições subjacentes relatadas com idades entre 60 e 69 anos (11%) e 70 a 79 anos (12%).1

 

As porcentagens de homens hospitalizados (16%), internados em UTI (3%) e que morreram (6%) foram maiores do que de mulheres (12%, 2% e 5%, respectivamente).1

 

Resumo dos desfechos observados na população geral com COVID-19 confirmada, entre pessoas com e sem uma condição de saúde subjacente e entre homens e mulheres:1

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Conclusão: 
Os dados deste relatório mostram que a prevalência de sintomas foi semelhante entre homens e mulheres. Menos de 5% das pessoas eram assintomáticas, porém pessoas sem sintomas podem ter sido menos testadas para COVID-19, uma vez que a orientação inicial recomendava o teste apenas de pessoas sintomáticas. Entre os sintomáticos, febre, tosse ou dispneia estava presente em 70% dos casos.

 

A prevalência de casos graves aumentou com a idade, com percentuais de hospitalizações, internações em UTI e óbitos maiores entre as pessoas com idade ≥ 70 anos, independentemente das condições subjacentes, e menor entre as pessoas com idade ≤ 19 anos.1

 

As hospitalizações foram 6 vezes maiores e os óbitos 12 vezes maiores entre aqueles com condições subjacentes em comparação com aqueles sem nenhuma destas condições, sendo que as mais comuns foram: doença cardiovascular (32%), diabetes (30%) e doença pulmonar crônica (18%). Além disso, os homens foram mais hospitalizados do que as mulheres.1

 

A vigilância epidemiológica e sua contínua modernização são essenciais para monitorar as tendências da COVID-19, identificando grupos em risco de infecção e de desfechos graves. Os resultados do estudo reforçam a necessidade contínua de estratégias de mitigação da infecção na comunidade, especialmente entre as populações vulneráveis, para retardar a transmissão da doença.1

 

As hospitalizações foram 6 vezes maiores e os óbitos 12 vezes maiores entre pessoas com condições de saúde subjacentes em comparação com aquelas sem nenhuma destas condições. Além disso, os homens foram hospitalizados em uma taxa mais alta do que as mulheres.1

REFERÊNCIAS

  1. Stokes EK, Zambrano LD, Anderson KN, et al.

    Coronavirus Disease 2019 Case Surveillance - United States, January 22-May 30, 2020.

    MMWR Morb Mortal Wkly Rep. 2020 Jun 19; 69(24):759-765. doi:10.15585/mmwr.mm6924e2