Duas diretrizes foram recentemente publicadas pela Sociedade Europeia de Cardiologia: uma sobre o manejo e tratamento da dislipidemia e a outra sobre o tratamento do pré-diabetes e diabetes tendo como foco a redução do risco de eventos cardiovasculares.1,2

A International Diabetes Federation (IDF) estima que cerca de 640 milhões de pessoas viverão com diabetes em 2040 no mundo. Dessas pessoas, a mortalidade por causas cardiovasculares chega a 68% dos pacientes com mais de 65 anos. Além das doenças cardiovasculares, os pacientes com diabetes frequentemente têm doença renal e doença cerebrovascular.3

Um estudo publicado por Haffner e colaboradores em 1998 mostrou que o paciente diabético apresenta alto risco de evento macrovascular. Esse risco é semelhante ao do paciente não diabético que já sofreu infarto do miocárdio ou AVC.4

Nessas duas diretrizes, a Sociedade Europeia de Cardiologia expõe a necessidade de estratificação do risco do paciente com diabetes para otimizar o tratamento e os alvos terapêuticos para as metas de LDL-colesterol e de outros fatores de risco. 1,2

Os pacientes de muito alto risco são aqueles diabéticos já com doença cardiovascular estabelecida, ou lesão em órgão-alvo, ou múltiplos fatores de risco. Os pacientes de alto risco seriam os diabéticos com uma duração longa da doença, maior do que 10 anos, sem a presença de lesão em órgão-alvo ou múltiplos fatores de risco. Aqueles pacientes de risco moderado seriam mais jovens, com duração da doença menor do que 10 anos, sem a presença de múltiplos fatores de risco. 1,2

A recomendação de meta para tratamento de pacientes com risco moderado, deve ser LDL menor do que 100 mg/dL; para os pacientes de alto risco, menor que 70 mg/dL; para os pacientes de muito alto risco, menor do que 75 mg/dL e, eventualmente, para aqueles que não alcançam LDL menor do que 55 mg/dL, pode-se almejar a redução de 50% do nível basal. 1,2
Em relação ao tratamento, o primeiro medicamento é a estatina. Na grande maioria das vezes são necessárias estatinas de alta potência e na dose adequada. Se a meta do LDL não for atingida com a máxima dose de uma estatina potente, é possível associar outros medicamentos, como a ezetimiba. Naqueles pacientes em que a meta não foi alcançada mesmo com a dose máxima da estatina de alta potência associada ao ezetimiba, há indicação dos inibidores de PCSK9. 1,2

Um estudo publicado por Haffner e colaboradores em 1998 mostrou que o paciente diabético apresenta alto risco de evento macrovascular. Esse risco é semelhante ao do paciente não diabético que já sofreu infarto do miocárdio ou AVC.4

Além dos tratamentos farmacológicos, os tratamentos não farmacológicos devem ser implementados, como mudança de estilo de vida, principalmente com foco na atividade física, para se atingir não apenas as metas do LDL, mas também do HDL. 1,2

REFERÊNCIAS

  1. Mach F, Baigent C, Catapano AL, Koskinas KC, Casula M, Badimon L, et al.; ESC Scientific Document Group.

    2019 ESC/EAS Guidelines for the management of dyslipidaemias: lipid modification to reduce cardiovascular risk.

    Eur Heart J. 2020 Jan 1;41(1):111-88.

  2. Cosentino F, Grant PJ, Aboyans V, Bailey CJ, Ceriello A, Delgado V, et al.; ESC Scientific Document Group.

    2019 ESC Guidelines on diabetes, pre-diabetes, and cardiovascular diseases developed in collaboration with the EASD.

    Eur Heart J. 2020 Jan 7;41(2):255-323.

  3. IDF Diabetes Atlas.

    Seventh Edition 2015.

    Disponível em: https://www.idf.org/e-library/epidemiology-research/diabetes-atlas/13-diabetes-atlas-seventh-edition.html. Acesso em: 30 mar. 2020.

  4. Haffner SM, Lehto S, Rönnemaa T, Pyörälä K, Laakso M.

    Mortality from coronary heart disease in subjects with type 2 diabetes and in nondiabetic subjects with and without prior myocardial infarction.

    N Engl J Med. 1998 Jul 23;339(4):229-34.