A endoscopia digestiva alta pode ser um procedimento de alto risco de infecção pelo SARS-CoV-2 para os profissionais de saúde. Isso ocorre devido aos aerossóis gerados durante o procedimento e pelo possível contato com materiais/fluidos provenientes do trato gastrointestinal.1

 

Recomendações gerais:1,2

- Questionar os pacientes sobre a presença de sintomas da COVID-19 antes do exame e avaliar a temperatura corporal deles;
- Reduzir o número de pessoas que acompanham os pacientes;
- Estimular a autovigilância de sinais e sintomas entre os profissionais de saúde;
- Entrar em contato com os pacientes 14 dias após o exame para verificar se ocorreram sintomas de COVID-19.

 

No agendamento

Realizar adequações no agendamento, permitindo um espaçamento maior entre pacientes é uma medida que pode diminuir a quantidade de pessoas nas salas de espera. 
No dia anterior ao procedimento, deve-se telefonar e checar se o paciente apresenta sintomas de infecção respiratória. De acordo com a doença e a condição do paciente específico, o procedimento pode ser reagendado.2

 

Quando o paciente chegar ao local do procedimento, o protocolo de triagem direcionado por enfermeiros deve estratificar o risco de COVID-19, com as seguintes perguntas:2

- Nos últimos 14 dias você teve febre (>37,5°C), tosse, dor de garganta ou problemas respiratórios?
- Você já teve familiares ou contato próximo com caso suspeito ou confirmado de COVID-19?
- Você vem de áreas com maior risco de COVID-19?

Se um paciente é encaminhado por outro estabelecimento de saúde, o mesmo protocolo de triagem deve ser realizado por telefone no mesmo dia do procedimento, antes que o paciente deixe o estabelecimento. Isso é fundamental para permitir que o pessoal da endoscopia se prepare para o paciente.2

Pacientes admitidos no serviço de endoscopia devem assinar termo de consentimento, preferencialmente, contendo informações de que está ciente de que o exame está sendo realizado durante a pandemia de COVID-19.

 

Na sala de espera

Se o paciente tiver sintomas, forneça uma máscara cirúrgica. Remova o paciente sintomático imediatamente para uma sala de isolamento ou área separada longe dos outros pacientes; se isso não for possível, garanta uma distância espacial de pelo menos 1 metro de outros pacientes.3

 

Durante o exame
Durante o exame, o profissional de saúde deve usar de equipamento de proteção individual – EPI (luvas, máscara, óculos de proteção ou máscara facial, avental e touca; luvas duplas e uso de máscaras N95, FFP2 ou FFP3). A equipe de endoscopia deve ser treinada para o uso e remoção de EPI.1

Reprocessamento de endoscópios flexíveis

Os endoscópios flexíveis devem passar por um procedimento de reprocessamento uniforme e padronizado. Os desinfetantes utilizados devem ser bactericidas, micobactericidas, fungicidas e contra vírus envelopados e não envelopados.1

 

Todos os pacientes candidatos a procedimentos endoscópicos devem ser considerados de RISCO ALTO para a COVID-19.4

REFERÊNCIAS

  1. Castro Filho EC, Castro R, Fernandes FF, Pereira G, Perazzo H.

    Gastrointestinal endoscopy during the COVID-19 pandemic: an updated review of guidelines and statements from international and national societies.

    Gastrointest Endosc. 2020.

  2. Repici A, Maselli R, Colombo M, Gabbiadini R, Spadaccini M, Anderloni A, et al.

    Coronavirus (COVID-19) outbreak: what the department of endoscopy should know.

    Gastrointest Endosc. 2020;S0016-5107(20)30245-5.

  3. Soetikno R, Teoh AY, Kaltenbach T, Lau JY, Asokkumar R, Cabral-Prodigalidad P, et al.

    Considerations in performing endoscopy during the COVID-19 pandemic.

    Gastrointest Endosc. 2020;S0016-5107(20)34033-5.

  4. Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva.

    Recomendações Sobed para endoscopia segura durante a pandemia por coronavírus.

    Documento #004/2020 – 20/04/2020. Disponível em: https://www.sobed.org.br/fileadmin/user_upload/sobed/2020/04/21/ENDOSCOPIA_SEGURA_SOBED__004_20_04_2020_final.pdf. Acesso em: 25 maio 2020.