As doenças cerebrovasculares são a principal causa de morte no Brasil e, após infarto do miocárdio, as doenças cerebrovasculares são as responsáveis pelo maior número de óbitos. Globalmente, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, esses dados se repetem.1,2

 

O paciente que apresenta um evento cerebrovascular isquêmico, como um AVC menor ou um ataque isquêmico transitório, está em alto risco de um novo evento em um ano. Esses são dados de um estudo do The New England Journal of Medicine, de 2016, que mostram que, no período de um ano, o risco de um novo evento cardiovascular maior como um todo é de 6,2%.3

 

O estudo INTERSTROKE4 mostrou que a dislipidemia, seja ela avaliada pelo valor de LDL-c, pelo valor de apo-B ou pela relação de apo-B/apo-A1, é um importante fator de risco também para o AVC Isquêmico, e não só para doença coronariana. Diferente do enorme números de estudos que nós temos com estatinas pós infarto do miocárdio, por exemplo, são poucos os estudos pós-evento cerebrovasculares isquêmicos, mas o SPARCL5, publicado há mais de 10 anos, mostrou que o uso de uma estatina potente em dose alta reduz o risco de um novo evento após AVC Isquêmico ou ataque isquêmico transitório.

Recentemente, um artigo publicado também no New England comparou duas metas distintas de LDL-colesterol para determinar a dose mais adequada no tratamento desses pacientes. Os pacientes foram randomizados para alcançar uma meta de LDL-c abaixo de 70 mg/dL ou para entre 90 e 110 mg/dL. Como resultado, os pacientes tratados para ficar com a meta de LDL mais baixa, foram os que apresentaram menor recorrência de eventos.6 

As doenças cerebrovasculares são a principal causa de morte no Brasil e, após infarto do miocárdio, as doenças cerebrovasculares são as responsáveis pelo maior número de óbitos.

É importante lembrar que os pacientes com histórico de evento cerebrovascular isquêmico são pacientes de alto risco para um novo evento. As diretrizes brasileiras colocam esses pacientes na categoria de muito alto risco e a redução de risco para esses pacientes deve ser feita com o uso de estatinas potentes como a rosuvastatina, a estatina mais potente do mercado, em dose alta, para atingir as metas mais agressivas de LDL-c e o maior benefício para os pacientes.7

REFERÊNCIAS

  1. Ministério da Saúde. Secretaria Executiva. Datasus. Informações de Saúde.

    Morbidade e informações epidemiológicas.

    [Acesso em 24 mar 2020]. Disponível em: http://www.datasus.gov.br.

  2. World Health Organization.

    Cardiovascular disease.

    [Acesso em 24 mar 2020]. Disponível em: http://origin.who.int/cardiovascular_diseases/en/

  3. Amarenco P, Lavallée PC, Labreuche J, Albers GW, Bornstein NM, Canhão P, et al.

    One-Year Risk of Stroke after Transient Ischemic Attack or Minor Stroke.

    N Engl J Med. 2016 Apr 21;374(16):1533-42.

  4. O'Donnell MJ1, Xavier D, Liu L, Zhang H, Chin SL, Rao-Melacini P,et al.

    INTERSTROKE investigators. Risk factors for ischaemic and intracerebral haemorrhagic stroke in 22 countries (the INTERSTROKE study): a case-control study.

    Lancet. 2010 Jul 10;376(9735):112-23.

  5. Amarenco P, Bogousslavsky J, Callahan A 3rd, Goldstein LB, Hennerici M, Rudolph AE, et al; Stroke Prevention by Aggressive Reduction in Cholesterol Levels (SPARCL) Investigators.

    High-dose atorvastatin after stroke or transient ischemic attack.

    N Engl J Med. 2006 Aug 10;355(6):549-59.

  6. Amarenco P, Kim JS, Labreuche J, Charles H, Abtan J, Béjot Y, et al.

    A Comparison of Two LDL Cholesterol Targets after Ischemic Stroke.

    N Engl J Med. 2020 Jan 2;382(1):9.

  7. Faludi AA, Izar MCO, Saraiva JFK, Chacra APM, Bianco HT, Afiune Neto A, et al.

    Atualização da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2017.

    Arq Bras Cardiol. 2017;109(2Supl.1):1-76.