Introdução

 

A doença de Pompe, ou glicogenose tipo 2 (GSD2), é uma doença metabólica hereditária, autossômica recessiva, que decorre do acúmulo progressivo de glicogênio tecidual (predominantemente na musculatura estriada esquelética) por deficiência da enzima lisossomal alfaglicosidase ácida (GAA). A GSD2 possui ampla margem de início dos sintomas, desde o período neonatal até casos atípicos de início tardio no adulto ou no idoso.1,2

 

O exame de sangue em papel filtro (DBS, do inglês Dried Blood Spot) representa uma etapa inicial importante no rastreio diagnóstico de casos suspeitos de GSD2, sendo necessária a confirmação diagnóstica definitiva por método genético. A maioria dos casos relaciona-se à presença de variantes patogênicas em heterozigose composta ou em homozigose no gene GAA (17q25.3), associada à presença de deficiência da enzima GAA ao exame de DBS.1,3 Contudo há uma proporção bastante relevante de pacientes em que apenas uma das variantes patogênicas é identificada em um dos alelos, sem a presença de outra variante no outro alelo. Dessa forma, permanece importante a suspeição diagnóstica para GSD2, sendo fundamental em tais casos a análise da atividade enzimática tecidual da GAA (em fibroblastos, em leucócitos no sangue periférico ou em músculo esquelético).3-5


Apresentação clínica

 

CTM, sexo feminino, 32 anos, estudante do ensino superior. Queixa clínica de dificuldade progressiva para subir escadas e para deambular distâncias maiores que 100 metros, há 12 anos, eventualmente associada à mialgia durante atividade física. Há cinco anos, apresenta dificuldade para elevar e manter os membros superiores acima dos ombros. Há quatro anos, tem sensação de falta de ar ao deitar-se à noite, necessitando de uso de três travesseiros para dormir melhor, e com diversos despertares noturnos. Há um ano, apresenta dificuldade na deglutição, com engasgos frequentes.

A ocorrência de testagem genética com presença de variante patogênica em heterozigose simples no gene GAA não deve limitar o potencial de investigação de casos suspeitos de GSD2, especialmente nas formas tardias, sendo fundamental em tais casos a realização de estudos de atividade enzimática tecidual (fibroblastos, leucócitos ou músculo esquelético).4,5


Confira o caso clínico completo no vídeo abaixo!

REFERÊNCIAS

  1. Dasouki M, Jawdat O, Almadhoun O, Pasnoor M, McVey AL, Abuzinadah A, et al.

    Pompe disease: literature review and case series.

    Neurol Clin. 2014;32(3):751-9.

  2. Hagemans MLC, Winkel LPF, Van Doorn PA, Hop WJC, Loonen MCB, Reuser AJJ, et al.

    Clinical manifestation and natural course of late-onset Pompe’s disease in 54 Dutch patients.

    Brain. 2005;128:671-7.

  3. Peruzzo P, Pavan E, Dardis A.

    Molecular genetics of Pompe disease: a comprehensive overview.

    Ann Transl Med. 2019;7(13):278.

  4. De Filippi P, Saeidi K, Ravaglia S, Dardis A, Angelini C, Mongini T, et al.

    Genotype-phenotype correlation in Pompe disease, a step forward.

    Orphanet J Rare Dis. 2014;9:102.

  5. Vercelli L, Vittonatto E, Grifoni S, Chiadò-Piat L, Rolle E, Spada M, et al.

    Heterozygous individuals with mild phenotype in late-onset glycogen storage disease type 2: a new cohort of patients?

    BMC Musculoskelet Disord. 2013;14(Suppl 2):P12.

  6. Sharma R, Hughes D, Ramaswami U, Cole D, Roberts M, Hendriksz, et al.

    Enzyme replacement therapy for late-onset Pompe disease.

    Cochrane Database Syst Rev. 2018;2018(4):CD012993.