A asma é uma doença heterogênea composta por múltiplos fenótipos, e as interleucinas IL-4, IL-13 e IL-5 são desencadeadores-chave na inflamação tipo 2, com papéis distintos e que se sobrepõem.1-3 (Figura 1)

A compreensão da fisiopatologia da asma é essencial para o manejo da doença principalmente no paciente grave não controlado.1-3

A asma tipo 2 (ou tipo 2 alta) é assim chamada porque está associada à inflamação do tipo 2 e inclui asma alérgica, asma eosinofílica, asma mista (asma eosinofílica alérgica), asma induzida por exercício físico (AIE) e doença respiratória exacerbada por AINEs (DRE-A).1-6

O conceito atual de inflamação tipo 2 é embasado em pesquisas dos mecanismos de controle no sistema imunológico. Os antígenos interagem com as células dendríticas e, como resultado, as células T são ativadas, promovendo diferenciação e estimulando diferentes vias imunológicas.2,3 
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As células T helper 2 (Th2) são ativadas de forma exacerbada nas reações alérgicas, levando a alergia, eosinofilia e liberação de anticorpos IgE.2,3
Cerca de 50% dos indivíduos com asma grave apresentam inflamação tipo 2, que com frequência se caracteriza pela presença de eosinófilos ou pelo aumento de FeNO e pode ser acompanhada de atopia.7,8 Por outro lado, a inflamação não tipo 2 (ou tipo 2 baixa) pode comumente distinguir-se pela presença de neutrófilos.7

A compreensão da fisiopatologia da asma é essencial para o manejo da doença principalmente no paciente grave não controlado.1-3

Em muitos pacientes com asma, a inflamação tipo 2 melhora rapidamente com a administração regular e correta de dose baixa a média de corticosteroide inalado (CI) e é classificada como asma leve ou moderada. Na asma grave, a inflamação tipo 2 pode ser refratária ao CI em alta dose associada a um segundo controlador. Embora os pacientes nessa condição possam responder aos corticosteroides orais, os efeitos adversos desses medicamentos exigem a busca de tratamentos complementares.7

Nos pacientes com asma grave não controlada, os biomarcadores da inflamação tipo 2 são:7
  • Contagem sérica de eosinófilos ≥150/µL, e/ou;
  • FeNO ≥20 ppb, e/ou;
  • Eosinófilos no escarro ≥2%, e/ou;
  • Asma clinicamente induzida por alérgenos.
Se disponível e acessível, pode-se considerar a adição de terapia biológica nos pacientes com inflamação tipo 2, asma grave não controlada ou que tenham necessidade de manutenção com corticosteroides orais, conforme recomendado pelo GINA.7 O tratamento contínuo do paciente com asma grave envolve a colaboração entre o paciente, o clínico geral, o(s) especialista(s) e outros profissionais de saúde para otimizar os desfechos clínicos e a satisfação do paciente.7
 

REFERÊNCIAS

  1. Robinson D, Humbert M, Buhl R, Cruz AA, Inoue H, Korom S, et al.

    Revisiting Type 2-high and Type 2-low airway inflammation in asthma: current knowledge and therapeutic implications.

    Clin Exp Allergy 2017;47(2):161-75.

  2. Canonica GW, Diamant Z, Dahlén SE.

    Type 2 Inflammation and the Evolving Profile of Uncontrolled Persistent Asthma.

    EMJ. 2018;3(4):24-33.

  3. Hammad H, Lambrecht BN.

    Dendritic cells and epithelial cells: linking innate and adaptive immunity in asthma.

    Nat Rev Immunol. 2008 Mar;8(3):193-204.

  4. Tran TN, et al.

    Overlap of atopic, eosinophilic, and TH2-high asthma phenotypes in ageneral population with current asthma.

    Ann Allergy Asthma Immunol. 2016;116(1):37-42.

  5. Dweik RA, Boggs PB, Erzurum SC, Irvin CG, Leigh MW, Lundberg JO, et al.; American Thoracic Society Committee on Interpretation of Exhaled Nitric Oxide Levels (FENO) for Clinical Applications.

    An official ATS clinical practice guideline: interpretation of exhaled nitric oxide levels (FENO) for clinical applications.

    Am J Respir Crit Care Med. 2011 Sep 1;184(5):602-15.

  6. Wenzel SE.

    Asthma phenotypes: the evolution from clinical to molecular approaches.

    Nat Med. 2012 May 4;18(5):716-25.

  7. Global Initiative for Asthma.

    Difficult-to-treat & severe asthma in adolescent and adult patients, 2019.

    Disponível em: https://ginasthma.org/wp-content/uploads/2019/04/GINA-Severeasthma-Pocket-Guide-v2.0-wms-1.pdf. Acesso em: 31 jan. 2020.

  8. Seys SF, Scheers H, Van den Brande P, et al.

    Cluster analysis of sputum cytokine-high profiles reveals diversity in T(h)2-high asthma patients.

    Respir Res. 2017;18(1):39. doi:10.1186/s12931-017-0524-y.