Helicobacter pylori (H. pylori) é o principal agente etiológico da úlcera péptica e é reconhecido como o fator de risco mais importante para adenocarcinoma e linfoma do tecido linfoide associado à mucosa (MALT).1

 

EPIDEMIOLOGIA

Embora o H. pylori infecte mais de 50% da população global, sua prevalência é maior nos países em desenvolvimento (até 90%).2

 

Em todo o mundo, aproximadamente 4,4 bilhões de pessoas estão infectadas com H. pylori, colocando-as em risco de úlcera péptica e câncer gástrico.2

A distribuição geográfica está na FIGURA 1.2

-/media/Sanofi/Conecta/Artigos/2020/07/resistencia-bacteriana-hpylori/Sanofi_766_LightB_Fig1_HPylori_JUL.ashx?w=1299&hash=B41E64E67F6965E01EF9FBA36F9E34C7

RESISTÊNCIA

A terapia tripla, que é a combinação de dois antibióticos (amoxicilina e claritromicina) e um inibidor da bomba de prótons (ibp) é um tratamento eficaz da infecção por H. pylori.

 

Esse esquema, no entanto, exibiu eficácia reduzida nos últimos anos, com taxas de erradicação inferiores a 80%.3

Diversos fatores podem contribuir para a FALHA do tratamento:1

  • Falta de adesão ao tratamento
  • Cepas negativas de Cag
  • Carga bacteriana elevada
  • Hábitos como tabagismo
  • Polimorfismos genéticos do CYP2C19
  • Alteração da imunidade

 

No entanto, o principal fator que causa essa falha é a resistência bacteriana, especialmente à claritromicina, ao metronidazol e às fluoroquinolonas.1

A prevalência mundial de resistência do H. pylori à claritromicina é altamente variável, sendo até 85,5% na Ásia, 72,4% na Europa, 70,6% na América, 29% na África e 9% na Oceania.2

 

Em várias regiões do mundo, a taxa de resistência à claritromicina é declaradamente bastante alta e está aumentando ao longo do tempo.2

 

A prevalência das taxas de resistência à amoxicilina nos continentes chega a 53% na Ásia, 32,9% na América, 10% na Europa, 5% na Oceania e 0% na Africa.2

 

Utilizando métodos moleculares, um estudo brasileiro investigou a resistência bacteriana à claritromicina e às fluoroquinolonas em 490 pacientes adultos recrutados nas cinco regiões do Brasil. Esses pacientes nunca haviam sido previamente tratados para infecção por H. pylori.1

As metanálises demonstraram consistentemente maiores taxas de erradicação em terapias triplas de 14 dias contendo claritromicina do que em terapias de sete dias.

 

Resistência à claritromicina e às fluoroquinolonas foi encontrada em 16,9% e 13,5% dos pacientes, respectivamente. A resistência a ambos os medicamentos foi encontrada em 4,3% dos pacientes.1 (FIGURA 2)

-/media/Sanofi/Conecta/Artigos/2020/07/resistencia-bacteriana-hpylori/Sanofi_766_LightB_Tabela1_HPylori_JUL-Copy.ashx?w=1299&hash=5BA282AA181443466B7A1DBDC059CB4C

Os pesquisadores concluíram que a taxa média de resistência primária à claritromicina por H. pylori no Brasil está no limite para a aplicação da terapia tripla padrão e a taxa de resistência primária à fluoroquinolona é preocupante.1

 

TRATAMENTO

As taxas de erradicação da H. pylori com esquemas de primeira linha têm diminuído nos últimos anos especialmente com o uso de terapia tripla por sete dias.3

 

A terapia tripla, além de dois medicamentos antibióticos, inclui um IBP, que atua na ATPase gástrica (H+/K+) das células parietais. Entre os IBPs, o lansoprazol inibe o crescimento do H. pylori.4

 

As metanálises demonstraram consistentemente maiores taxas de erradicação em terapias triplas de 14 dias contendo claritromicina do que em terapias de sete dias. Uma revisão Cochrane mostrou que, independentemente do tipo e da dose de antibióticos, o aumento da duração da terapia tripla com IBPs de 7 para 14 dias elevou significativamente a taxa de erradicação do H. pylori (45 estudos, 72,9% vs. 81,9%).3,5

 

Considerando essas evidências, a extensão da duração das terapias triplas contendo claritromicina por 14 dias foi incorporada às principais diretrizes sobre o tratamento anti-H. pylori.3,6,7

 

O IV CONSENSO BRASILEIRO SOBRE INFECÇÃO POR HELICOBACTER PYLORI RECOMENDA:3

  • Apesar das crescentes taxas de resistência à claritromicina e às fluoroquinolonas no Brasil, seu uso ainda é recomendado no tratamento da H. pylori.
  • A duração dos tratamentos para erradicação da H. pylori deve ser de 14 dias para atingir altas taxas de erradicação, especialmente com a terapia tripla padrão.3

REFERÊNCIAS

  1. Sanches BS, Martins GM, Lima K, Cota B, Moretzsohn LD, Ribeiro LT, et al.

    Detection of Helicobacter pylori resistance to clarithromycin and fluoroquinolones in Brazil: A national survey. World J Gastroenterol.

    2016 Sep 7;22(33):7587-94.

  2. Flores-Treviño S, Mendoza-Olazarán S, Bocanegra-Ibarias P, Maldonado-Garza HJ, Garza-González E.

    Helicobacter pylori drug resistance: therapy changes and challenges.

    Expert Rev Gastroenterol Hepatol. 2018 Aug;12(8):819-27.

  3. Coelho LGV, Marinho JR, Genta R, Ribeiro LT, Passos MDCF, Zaterka S, et al.

    IVTH Brazilian consensus conference on Helicobacter pylori infection.

    Arq Gastroenterol. 2018 Apr-Jun;55(2):97-121.

  4. Nagata K, Sone N, Tamura T.

    Inhibitory activities of lansoprazole against respiration in Helicobacter pylori.

    Antimicrob Agents Chemother. 2001 May;45(5):1522-7.

  5. Yuan Y, Ford AC, Khan KJ, Gisbert JP, Forman D, Leontiadis GI, et al.

    Optimum duration of regimens for Helicobacter pylori eradication.

    Cochrane Database Syst Rev. 2013;(12):CD008337.

  6. Malfertheiner P, Megraud F, O’Morain CA, Gisbert JP, Kuipers EJ, Axon AT, et al.

    Management of Helicobacter pylori infection-the Maastricht V/Florence Consensus Report.

    Gut. 2017 Jan;66(1):6-30.

  7. Chey WG, Leontiadis GI, Howden CW, Moss SF.

    ACG Clinical Guideline: treatment of Helicobacter pylori infection.

    Am J Gastroenterol. 2017 Feb;112(2):212-39.