O hipotireoidismo na gestação está associado a efeitos adversos tanto para a gestante quanto para o feto.1

Durante a gravidez, a prevalência estimada de hipotireoidismo clínico é de 0,3% a 0,5% e de hipotireoidismo subclínico é de 2% a 3%.2

Mulheres com hipotireoidismo apresentam maior risco de aborto, hipertensão gestacional, anemia, descolamento de placenta e hemorragia pós-parto. O risco dessas complicações é maior em mulheres com hipotireoidismo clínico, em comparação com o hipotireoidismo subclínico.2

Para o feto, o hipotireoidismo materno não tratado pode levar ao nascimento prematuro, baixo peso ao nascer e comprometimento neurológico.2

Níveis tiroidianos hormonais durante a gestação são essenciais para o desenvolvimento fetal, principalmente do cérebro fetal. Assim, a deficiência durante a gestação afeta a função cognitiva do concepto. Portanto, o tratamento do hipotiroidismo materno é recomendado, realizado pela administração de levotiroxina oral que é semelhante ao hormônio produzido pela tiroide e de administração segura na gravidez e na lactação.3
Normalmente, as necessidades de levotiroxina aumentam durante a gravidez. Mulheres com hipotiroidismo, que fazem uso da levotiroxina, devem aumentar a dose assim que a gravidez for confirmada e notificar o seu médico para avaliação e seguimento durante toda a gestação.1

Assim, a transferência maternal do hormônio tiroidiano não tem impacto significativo nos níveis hormonais da criança. Portanto, para mulheres com hipotiroidismo, o tratamento com levotiroxina oral é seguro no pós parto e na lactação.4

Segundo as diretrizes da American Thyroid Association, após o parto a dose de levotiroxina deve ser reduzida para a dose pré-concepção e serem realizados testes da função tiroidiana aproximadamente seis semanas após o parto. No casos que a levotiroxina oral foi iniciada durante a gestação, pode não exigir a continuidade do tratamento. Se for descontinuado, o TSH sérico também deve ser avaliado em cerca de seis semanas.4   

Normalmente, uma pequena quantidade de hormônio tiroidiano está presente no leite materno de mulheres que amamentam. Para as mulheres que fazem uso da levotiroxina, a quantidade de tiroxina que é transferida para o bebê pela amamentação é de aproximadamente 1% da necessidade diária total.4 

Assim, a transferência maternal do hormônio tiroidiano não tem impacto significativo nos níveis hormonais da criança. Portanto, para mulheres com hipotiroidismo, o tratamento com levotiroxina oral é seguro no pós parto e na lactação.4
          

REFERÊNCIAS

  1. Maciel LMZ, Magalhães PKR.

    Tireóide e gravidez.

    Arq Bras Endocrinol Metab. 2008;52(7):1084-95.

  2. Sahay RK, Nagesh VS.

    Hypothyroidism in pregnancy.

    Indian J Endocrinol Metab. 2012;16(3):364‐70.

  3. Drugs and Lactation Database (LactMed) [Internet].

    Bethesda (MD): National Library of Medicine (US); 2006-. Levothyroxine.

    [Updated 2018 Oct 31]. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK501003/. Acesso em: 9 jun. 2020.

  4. Alexander EK, Pearce EN, Brent GA, Brown RS, Chen H, Dosiou C, et al.

    2017 Guidelines of the American Thyroid Association for the Diagnosis and Management of Thyroid Disease During Pregnancy and the Postpartum.

    Thyroid. 2017;27(3):315-89.