A rinossinusite crônica (RSC) é uma das condições médicas crônicas mais comuns, com um impacto significativo na qualidade de vida dos pacientes.1 A RSC é amplamente classificada em dois grupos: RSC com pólipo nasal (RSCcPN) e RSC sem pólipo nasal (RSCsPN).1

A RSCcPN é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas superiores, nariz , mais especificamente, cavidade nasal e seios paranasais, de causa desconhecida.2 A doença é caracterizada pela presença de dois ou mais sintomas, como mostra a Tabela 1.3
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A RSCcPN está presente em 2% a 4% da população adulta.2

Na RSCcPN a inflamação tipo 2 não está restrita à cavidade nasal, ela acomete o paciente de forma sistêmica.4,5 Estima-se que cerca de 80% dos pacientes com RSCcPN tenham inflamação do tipo 2.1,5-7 A rinossinusite crônica é um distúrbio inflamatório persistente dos seios paranasais e cavidade nasal e, quando ocorre com pólipos nasais bilaterais está frequentemente associada a inflamação tipo 2, fazendo com que esses pacientes  apresentem várias características clínicas e laboratoriais incluindo: altos níveis séricos de IgE, eosinófilos elevados no sangue e nos tecidos, fração exalada de óxido nítrico elevada em cavidade nasal, hiperplasia das células caliciformes do revestimento mucoso e outros sinais. Notavelmente, foi levantada a hipótese de que os pólipos nasais bilaterais, poderiam servir como um biomarcador visual para identificar pacientes com inflamação do tipo 2.5

Curiosamente, estudos de várias terapias direcionadas à inflamação do tipo 2 estão começando a vincular o fenótipo associado ao início na fase adulta/pólipo nasal com vias de citocinas tipo 2, incluindo vias tradicionalmente associadas à atopia/alergia (IL-4 e IL-13) e eosinófilos (IL-5).8 As IL-4, IL-13 e IL-5 são citocinas-chave e centrais na fisiopatologia da RSCcPN do tipo 2.4,9-11 (Figura 1). Portanto, a inflamação do tipo 2 é caracterizada pelas citocinas IL-4, IL-5 e IL-13 e seus efeitos em cascata, como por exemplo a ativação e recrutamento de eosinófilos e mastócitos.
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Segundo o guideline do European Position Paper on Rhinosinusitis and Nasal Polyps 2020 (EPOS 2020), a pesquisa da rinossinusite crônica revelou que pacientes com um endotipo puro ou misto do tipo 2 tendem a ser muito mais resistentes às terapias atuais, exibindo uma alta taxa de recorrência quando comparados aos endotipos puros do tipo 1 ou 3.3

A inibição simultânea das interleucinas IL-4 e IL-13 mostrou eficácia no tratamento de doenças como: RSCcPN, asma e dermatite atópica. Isto sustenta a hipótese de que a inflamação tipo 2 é o mecanismo fisiopatológico central de várias doenças alérgicas.4

RSCcPN e asma são doenças inflamatórias das vias aéreas do tipo 2 frequentemente coexistentes.1,5-7,12-21 (Figura 2) Pacientes com rinossinusite e asma têm maior escore de gravidade de rinossinusite do que aqueles com rinossinusite que não apresentam asma, além de maior presença de pólipos nasais, independentemente do status atópico – indicativo de uma forte relação entre a gravidade da RSCcPN e as doenças inflamatórias crônicas das vias aéreas.2
-/media/Sanofi/Conecta/Artigos/2020/08/inflamacao-tipo-2-na-rinossinusite-cronica-com-polipo-nasal/Artboard-1Figura_2-1.ashx?w=538&hash=8A93CB9AD6B93190BC379DFA0F477E39
Portanto, pacientes com RSCcPN geralmente apresentam asma coexistente sob o conceito de United Airway Disease, sendo a combinação de ambas as doenças, que é um dos fenótipos mais desafiadores para o tratamento.2

Desde a introdução do conceito United Airway Disease, um grande conjunto de evidências de epidemiologia clínica, fisiopatologia, histologia e resultados do tratamento correlacionou asma e RSCcPN, em que ambas as condições compartilham características semelhantes de inflamação e remodelação.2 Essa associação tem sido apoiada por inúmeras observações de alterações histopatológicas e infiltrações de mediadores inflamatórios em comum.Estima-se que aproximadamente 50% dos pacientes com RSCcPN têm asma coexistente.12,22,23

Achados histopatológicos presentes na RSCcPN, incluindo remodelação das vias aéreas (descamação epitelial e espessamento da membrana basal), infiltração eosinofílica, envolvimento das células T auxiliares e produção de interleucina IL-5, também estão presentes na asma, sugerindo processos fisiopatológicos semelhantes.2
No momento, a combinação de fenótipo, resposta ao tratamento e possivelmente também os marcadores como eosinófilos, periostina e IgE no sangue ou tecido nos levam à uma melhor estimativa do endotipo e reação ao tratamento. Este é um campo em rápida evolução no momento.3

A inibição simultânea das interleucinas IL-4 e IL-13 mostrou eficácia no tratamento de doenças como: RSCcPN, asma e dermatite atópica. Isto sustenta a hipótese de que a inflamação tipo 2 é o mecanismo fisiopatológico central de várias doenças alérgicas.4


Os critérios para classificação de inflamação tipo 2 segundo o EPOS 2020 são mostrados na Tabela 2.3
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É importante ressaltar que atualmente estão disponíveis agentes biológicos direcionados aos aspectos específicos da inflamação do tipo 2.3

O uso de biológicos é recomendado pelo EPOS 2020 para o tratamento da RSCcPN quando se tem a presença de pólipos bilaterais em pacientes com cirurgia endoscópica do seio (exceto em circunstâncias excepcionais, como, por exemplo, quando a cirurgia é contraindicada) associado com três ou mais dos seguintes critérios obrigatórios:3
  • Evidência de inflamação do tipo 2.
  • Necessidade de corticosteroides sistêmicos ou contraindicação a corticosteroides sistêmicos.
  • Qualidade de vida significativamente prejudicada.
  • Perda significativa de olfato.
  • Diagnóstico de asma como comorbidade.
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