O tromboembolismo venoso associado à hospitalização (HA-VTE, na sigla em inglês) é uma fonte comum de morbidade e mortalidade. Perdem-se muitas oportunidades de profilaxia e de redução dos fatores de risco de TEV em quase todos os hospitais. Este guia tem como alvo os “modos de falha” do processo de prevenção do TEV no hospital, assim como oferece às equipes de melhoria estratégias e ferramentas para aumentar as chances de sucesso.

São necessários diversos elementos na prevenção do TEV, entre eles, montar uma equipe interdisciplinar para padronizar, monitorar e mensurar processos e resultados, implementar políticas institucionais e educar os profissionais de saúde e os pacientes.

Este guia faz a revisão das diretrizes gerais, com foco na implementação e nas etapas para traduzir essas diretrizes em prática na forma de protocolo de prevenção do TEV, que abrange a avaliação do risco de TEV, a análise de risco de sangramento e o suporte à decisão clínica (SDC) sobre as escolhas profiláticas. O SDC deve estar disponível nos momentos críticos do tratamento, na transferência para outros níveis de cuidados e na fase pós-operatória.

Este guia descreve ainda as vantagens e as limitações de diferentes modelos e aborda os princípios de implementação das intervenções de forma eficaz e confiável, incluindo modelos simples e avançados, descreve diversos “modos de falha”, assim como estratégias para abordar potenciais lacunas do tratamento.

A embolia pulmonar (EP) e a trombose venosa profunda (TVP), conhecidas em conjunto como tromboembolismo venoso (TEV), representam um problema de saúde pública importante que afeta de 350.000 a 600.000 americanos por ano. 

O TEV acomete pacientes doentes ou feridos hospitalizados ou que tiveram internação recente, além de ser considerado uma das causas evitáveis mais comuns de morte hospitalar. De modo geral, o TEV requer terapia anticoagulante pelo período mínimo de 3 meses. 

A tromboprofilaxia dos pacientes de risco hospitalizados pode reduzir o TEV em 30%-65%, apresenta baixa incidência de complicações relacionadas a sangramentos e demonstra relação custo-eficácia bem documentada. Embora  diversas diretrizes descrevem a utilização da tromboprofilaxia, estudos refletem taxas baixas do uso desses procedimentos em pacientes de risco.

Em estudo com quase 70.000 participantes em 358 hospitais, observou-se a administração da profilaxia correta em somente 58,5% dos pacientes cirúrgicos e 39,5% dos pacientes clínicos internados com risco de TEV. Esse conjunto de fatos representa a necessidade imperativa de melhoria.

Essa “lacuna de implementação” da profilaxia do TEV está entre as boas práticas baseadas em evidências e o que ocorre não passou despercebido como ótima oportunidade de avanço.

A Agência de Pesquisa e Qualidade em Cuidados de Saúde (AHRQ, na sigla em inglês) designa a tromboprofilaxia como a prática “número 1” na segurança dos pacientes, e a atualização de 2013 continua a listar a melhoria da profilaxia do TEV  como uma das 10 estratégias mais importantes a implementar.

Objetivo do guia

A AHRQ publicou o documento Prevenção do tromboembolismo venoso associado à hospitalização: um guia para a melhoria efetiva da qualidade. O objetivo é ajudar as equipes de melhoria dos hospitais a preencher a implementação da forma mais eficaz e eficiente possível.

Este trabalho fornece informações sobre garantir as boas práticas no ambiente dos pacientes hospitalizados, uma vez que é preciso superar obstáculos e “modos de falha” para fornecer profilaxia confiável aos pacientes de risco.

A profilaxia do TEV é um processo complexo dentro do ambiente hospitalar, pois a melhoria dos cuidados envolve elementos e monitoramento para ajustar as intervenções e garantir a mudança desejada.

 

REFERÊNCIAS

  1. Maynard G.

    Preventing hospital-associated venous thromboembolism: a guide for effective quality improvement, 2nd ed. Rockville, MD: Agency for Healthcare Research and Quality

    October 2015. AHRQ Publication No. 16-0001-EF.