Os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) são comumente usados em todo o mundo tanto na forma de medicamentos sujeitos a receita médica quanto em formulações “sem receita”.1,2 Devido à grande variedade de indicações e propriedades terapêuticas, os AINEs estão entre os produtos farmacêuticos mais utilizados em todo o mundo.1,3 Em 2010, os AINEs foram usados regularmente por cerca de 30 milhões de adultos nos Estados Unidos.1,4 Da mesma forma, quase 45% de uma população de bancos de dados da França utilizou pelo menos um AINE entre os anos de 2009 e 2010.1,5 

Agentes farmacológicos rotineiramente considerados no tratamento de condições dolorosas comuns, os AINEs são também frequentemente prescritos por reumatologistas para o manejo, no curto prazo, de doenças de partes moles, entorses, tendinites, bursites e lombalgia mecânico-postural, bem como para terapia de longo prazo de doenças reumatológicas crônicas, particularmente a osteoartrite, gota e outras doenças associadas à deposição de microcristais, espondiloartrites e artrite reumatoide.5,6 

Os AINEs são um grupo quimicamente heterogêneo de medicamentos que têm propriedades anti-inflamatórias, analgésicas e antipiréticas.1,7-9 Seu principal mecanismo de ação resulta da inibição da biossíntese de prostanoides por meio do bloqueio da ciclo-oxigenase (COX).1,9 Após a descoberta desse mecanismo, duas isoformas de COX foram posteriormente descritas, cada uma com estrutura e funções biológicas distintas.1,7 Isoenzima constitutivamente expressa, a COX-1 tem papel importante em muitos processos fisiológicos, inclusive a citoproteção da mucosa gastrointestinal (GI) e a manutenção da homeostase renal.1,7,10 Em contraste, a expressão da COX-2 é geralmente induzível por mediadores inflamatórios e catalisa a produção de prostaglandinas em condições inflamatórias.1,7,10 

Com eficácia clínica bem demonstrada, a principal desvantagem associada ao uso de AINEs é a ocorrência de eventos adversos variados que podem limitar o uso clínico desses agentes.1,8 A toxicidade GI induzida pelos AINEs compreende eventos leves, como refluxo gastroesofágico e sintomas dispépticos, além de sangramento, perfuração e obstrução, conhecidos como complicações GIs.1 Os inibidores seletivos da COX-2 (coxibes) foram desenvolvidos sob a premissa de minimizar a toxicidade GI relacionada aos AINEs.11 Como as propriedades terapêuticas dos AINEs pareciam ser dependentes da COX-2, a inibição seletiva dessa isoforma manteria sua eficácia, evitando efeitos adversos GIs relacionados à inibição da COX-1.

Essa lógica levantou grandes expectativas sobre os coxibes e acelerou sua comercialização.1 No entanto, esses medicamentos logo foram relacionados à ocorrência de toxicidade cardiovascular (CV), o que levou à retirada de alguns coxibes do mercado.1 

Os inibidores seletivos da COX-2 podem associar-se a incidência mais alta de toxicidade CV, alterando o equilíbrio normal da produção de prostaciclina versus tromboxano por diversos tipos de células no sistema CV.11 
“O cetoprofeno, AINE derivado do ácido propiônico amplamente utilizado nas doenças reumatológicas, tem sido associado a melhor resposta clínica (redução de dor moderada ou grave) e funcional quando comparado, em metanálises, a ibuprofeno ou diclofenaco.”13,14

Dados mais recentes sugerem que a maioria dos coxibes e alguns AINEs convencionais estejam associados a aumento do risco de eventos CV, inclusive infarto do miocárdio, insuficiência cardíaca, hipertensão e acidente vascular cerebral.6,8,10,12 Uma vez que a estratégia de uso dos inibidores seletivos da COX-2 falhou em minimizar a toxicidade dos AINEs, outras abordagens fizeram-se necessárias para melhorar a segurança desses agentes.12

O cetoprofeno, AINE derivado do ácido propiônico amplamente utilizado nas doenças reumatológicas, tem sido associado a melhor resposta clínica (redução de dor moderada ou grave) e funcional quando comparado, em metanálises, a ibuprofeno ou diclofenaco.13,14 

A dose única de liberação prolongada de cetoprofeno, administrada a cada 24 horas, propicia o alcance do estado de equilíbrio do fármaco em quatro dias.15

A segurança da formulação de liberação prolongada do cetoprofeno foi testada em 620 mulheres e 203 homens avaliados prospectivamente em ensaio clínico de 12 meses de duração. Os participantes tinham idade igual ou superior a 65 anos (idade média: 72 anos) e diagnóstico de osteoartrite (n=642) ou de artrite reumatoide (n=181). 

No final do estudo, após o uso de um comprimido de 200 mg de cetoprofeno de liberação sustentada uma vez ao dia, 521 pacientes (63,3%) permaneceram em tratamento, enquanto 302 deles (36,7%) saíram do estudo por reações adversas, falta de eficácia ou perda de seguimento.16 

Um total de 314 pacientes (38,2%) apresentou pelo menos um efeito adverso durante o estudo. A maioria dos efeitos adversos envolveu o trato GI [232 pacientes (28,2%)], o sistema nervoso central [33 pacientes (4,0%)] ou o sistema cardiovascular [26 pacientes (3,2%)]. Catorze pacientes (1,7%) apresentaram efeitos adversos GIs (como ulceração e sangramento. 
A maioria desses efeitos ocorreu durante os primeiros três meses do estudo. Os autores concluíram que a formulação de liberação sustentada de cetoprofeno, 200 mg uma vez ao dia, é segura no tratamento de longo prazo de pacientes idosos com doenças reumatológicas.16 

Os inibidores seletivos da COX-2 podem associar-se a incidência mais alta de toxicidade CV, alterando o equilíbrio normal da produção de prostaciclina versus tromboxano por diversos tipos de células no sistema CV.11 

A proteção contra os efeitos adversos GIs associados aos AINEs ainda é um desafio na prática clínica. Apesar da associação conhecida entre o uso de AINEs e os efeitos adversos GIs, apenas cerca de um terço dos pacientes em risco de toxicidade GI induzida por AINEs recebe gastroproteção adequada. Além disso, há ainda o desafio da adesão ao tratamento, uma vez que a prescrição da gastroproteção pode significar mais um item na polifarmácia a que estão submetidos os pacientes com doenças crônicas. Dentre os pacientes que recebem gastroproteção adequada quando em uso de AINES, até 44% não apresentam adesão.17 

Uma formulação de liberação modificada com cetoprofeno e omeprazol (Profenid® Protect) foi desenvolvida com o objetivo de minimizar os efeitos adversos causados pelo uso desse AINE. Combinação de dose fixa de um AINE e de um inibidor da bomba de prótons, Profenid® Protect consiste em uma formulação de liberação prolongada de cetoprofeno e em uma formulação granular gastrorresistente de omeprazol.15,17 

Disponível em cápsula única adequada para administração de uma vez ao dia, a formulação associa-se a menor risco de efeitos adversos GIs.15,17

“Nesse cenário, a coadministração de agentes supressores da secreção ácida, como os inibidores da bomba de prótons, representa uma forma segura e eficaz de gastroproteção.”17 

Vários estudos demonstraram que a profilaxia com omeprazol é eficaz na prevenção de úlceras gastroduodenais em usuários de AINEs.17 Em comparação com ranitidina ou misoprostol, o omeprazol foi mais efetivo em pacientes que já apresentavam úlceras do trato digestivo quando iniciaram o uso de AINEs.18,19 Além disso, há evidências de que o omeprazol reduz o risco de sangramento digestivo e os sintomas de dispepsia em usuários de AINEs independentemente da presença de úlceras.19-22
Muitos dos pacientes com doenças reumatológicas (osteoartrite, espondiloartrites, gota, condrocalcinose, artrite reumatoide, doenças de partes moles etc.) que requerem o uso de AINEs apresentam fatores de risco de toxicidade com esses agentes. A prevenção de complicações gástricas induzidas por AINEs é fundamental em pacientes de risco. Nesse cenário, a coadministração de agentes supressores da secreção ácida, como os inibidores da bomba de prótons, representa uma forma segura e eficaz de gastroproteção.17 

O uso de uma formulação de liberação modificada com cetoprofeno e omeprazol (Profenid® Protect) garante a adesão adequada à profilaxia gastroprotetora, uma vez que tanto o cetoprofeno quanto o omeprazol são coadministrados em preparação única.15,17 Conveniente e efetiva, a formulação de uma vez ao dia tem o potencial de melhorar a adesão à terapia anti-inflamatória, associando-se a menor risco de efeitos adversos gastrointestinais.17
 

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