O sentimento da dor, nos seus mais variados níveis, é algo que pode vir a comprometer o resultado de um tratamento, além de interferir na qualidade de vida das pessoas.1 Diariamente 30 milhões de pessoas tomam anti-inflamatórios não esteroides (AINHs) para tratar dores e doenças inflamatórias agudas e crônicas.2 Por isso, eles constituem o grupo de drogas mais usado em todo o mundo. Assim, novas drogas entram, como verdadeiras promessas, e em curto período saem do mercado por não atingir os resultados desejados ou o fazem com efeitos colaterais não compatíveis. A escolha de medicamentos na terapia da dor deve ser individualizada, dentro do possível, conforme a causa, e há às vezes necessidade de ajustes e de associações para obter melhores resultados.

O cetoprofeno, além da propriedade anti-inflamatória, tem também ação antipirética e analgésica, de modo a impedir a produção de prostaglandinas, além de exercer ação no sistema nervoso central (SNC) como antagonista do receptor N-metil-D-aspartato (NMDA), atuando também na analgesia preemptiva.3 Sua utilização como tratamento inicial no manejo da dor de caráter ortopédico apresenta benefício adicional, uma vez que a dor aguda ortopédica geralmente tem um componente inflamatório em que o poder de ação dos analgésicos comuns é menor que o dos AINHs.4 O cetoprofeno é um dos AINHs mais antigos e estudados do mercado.5 Por ter sido desenvolvido antes da descoberta das isoenzimas COX-1 e COX-2, trata-se de um dos AINHs que apresentam maior proporção de seletividade em relação a COX-1, característica extremamente favorável quando se considera a segurança cardiovascular.6 
Em 2013, uma metanálise da Cochrane de nível 1, feita por Sarzi-Puttini,7 de 13 ensaios clínicos randomizados, com 898 pacientes, comparou a eficácia do cetoprofeno oral (50-200 mg/dia) com a do ibuprofeno (600-1.800 mg/dia, oito estudos) ou com a do diclofenaco (75-150 mg/dia, cinco estudos) no alívio da dor de moderada a grave e melhora da condição/status funcional. Concluiu-se que o cetoprofeno se mostrou significativamente superior ao diclofenaco e ao ibuprofeno em todas as avaliações. O cetoprofeno, por sua meia-vida curta e pelo quimiotactismo positivo nos locais inflamados, presta-se a ser usado em preparações de liberação lenta.7 

O tratamento da dor deve ser realizado de acordo com o grau dos sintomas de cada paciente,8 e para isso o cetoprofeno é uma medicação eficaz como monoterapia em casos de dores leves e moderadas. Nas dores crônicas poderá associar-se com outros fármacos, de acordo com a necessidade do paciente e a preferência do médico, dependendo da intensidade da dor, porém a ação anti-inflamatória permanece ativa. 

Os dados da literatura mostram que, no alívio das dores pós-operatórias, inclusive as moderadas ou intensas, o cetoprofeno representa uma opção efetiva e segura, utilizado isoladamente ou em conjunto, com a finalidade de diminuir a necessidade do uso de opioides.9 

A utilização do cetoprofeno no controle da dor pós-intervenção cirúrgica, principalmente em ortopedia, tem sido a preferência de grande número de cirurgiões em comparação a outras substâncias, contemplando-se a ação analgésica e anti-inflamatória, com menores efeitos colaterais, além da necessidade de menor dose de derivados de morfina. No protocolo perioperatório, nas cirurgias de grande porte, os pacientes recebem 100 mg de cetoprofeno por via intravenosa logo depois do procedimento cirúrgico e 300 mg diários, 100 mg a cada 8 horas,10 após a cirurgia, nos três primeiros dias do período pós-operatório. 

Doses de 50 e de 150 mg forneceram analgesia superior à do acetaminofeno 650 mg mais codeína 60 mg no tratamento da dor de moderada a grave.11 Doses orais de 75 e de 225 mg forneceram analgesia similar à das doses de 5 e 10 mg de morfina parenteral. 

Além disso, os efeitos adversos relacionados ao uso de cetoprofeno foram menores e menos frequentes.11 

Tendo em vista os benefícios dessa classe de medicamentos no pós-operatório e após traumas ortopédicos, devemos ponderar que os AINHs trazem alguns efeitos adversos que devem ser levados em consideração na avaliação de cada paciente. Alguns AINHs podem apresentar efeitos adversos, como os cardiovasculares (mais associados aos inibidores de COX-2).12 

Dessa forma, seu uso e sua dosagem devem ser clinicamente considerados na tentativa de evitar ou diminuir os efeitos adversos associados a cada medicação. Como já foi citado anteriormente, há diversas evidências na literatura que comprovam a eficácia do uso de AINHs nos casos de pós-operatório ou de traumas ortopédicos, com rápido efeito na redução da dor e na manutenção da analgesia no período de tratamento, assim como na regressão do edema e na melhora da função do membro acometido. Entretanto, sua indicação deve ser avaliada clinicamente no caso de cada paciente, levando-se em consideração doenças prévias e patologias associadas, assim como os riscos e os benefícios de sua prescrição.12,13 
A prevenção de complicações gastrintestinais em pacientes de risco sob terapia com anti-inflamatórios é necessária e o uso dos IBPs, por exemplo, o omeprazol, é recomendado, devido à sua efetividade como molécula gastroprotetora.14

Além disso, os efeitos adversos relacionados ao uso de cetoprofeno foram menores e menos frequentes.11 

Conclusão 

A associação cetoprofeno/omeprazol em dose fixa garante a aderência ao gastroprotetor, uma vez que a cada dose do anti-inflamatório a administração do gastroprotetor está garantida.14 Sua administração em uma única dose diária auxilia na aderência ao tratamento.14

REFERÊNCIAS

  1. National Pharmaceutical Council (NPC)

    Pain: Current understanding of assessment, management, and treatments – 2001

    [acesso em 22 fev 2017]. Disponível em: http://www.npcnow.org/system/files/research/download/Pain-Current-Understanding-of-Assessment-Management-and-Treatments.pdf.

  2. Luz TCB, Rozenfeld S; Lopes CS, Faerstein E.

    Fatores associados ao uso de antiinflamatórios não esteróides em população de funcionários de uma universidade no Rio de Janeiro: Estudo Pró-Saúde.

    Rev Bras Epidemiol. 2006;9(4):514-26.

  3. Litalien C, Jacqz-Aigrain E.

    Risks and benefits of nonsteroidal anti-inflammatory drugs in children: a comparison with paracetamol.

    Paediatr Drugs. 2001;3(11):817-58.

  4. Sarzi-Puttini P, et al.

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