A dor femoropatelar (FP) é multifatorial e pode ocorrer simultaneamente com outras patologias do joelho.1

Etiologia 


São causas primárias de lesões condrais da articulação FP:

  1. Instabilidade patelar: geralmente acompanhada de displasia troclear, aumento do ângulo Q/distância TA-GT (distância entre a tuberosidade tibial e o sulco troclear), patela alta e desequilíbrio do retináculo medial e do lateral;1,2
  2. Mau alinhamento articular sem instabilidade: decorrente de alterações anatômicas da articulação FP, como displasia troclear, aumento da TA-GT e hiperpressão do retináculo lateral;1
  3. Trauma direto articular: geralmente ocorre com o joelho em flexão, em que a lesão condral está localizada no polo superior da patela ou na tróclea distal;1
  4. Microtrauma de repetição: lesões pequenas, que não causam ruptura estrutural da superfície condral, mas que podem ultrapassar a capacidade fisiológica de absorção de impactos da cartilagem articular;1
  5. Causas idiopáticas: predisposição genética à osteoartrite, que pode não estar restrita somente à articulação FP.1

Tratamento 

A abordagem inicial da lesão condral da articulação FP é o tratamento conservador com reabilitação fisioterápica.

A reabilitação concentra-se no alcance de uma amplitude de movimentos adequados de coluna, quadris e joelhos, assim como no ganho de força muscular e na flexibilidade do core abdominal e dos membros inferiores.1 Existem, entretanto, alguns tratamentos complementares que podem ser implementados para facilitar o ganho de força e a estabilização articular.

Corticosteroide, ácido hialurônico ou plasma rico em plaquetas  

As infiltrações articulares podem fornecer alívio temporário da dor e facilitar a reabilitação.1,3 Como tratamento isolado, as injeções são mais indicadas para lesões degenerativas mais difusas em pacientes idosos e de baixa demanda do que em pacientes jovens com lesões traumáticas focais e de alta demanda.1

Os procedimentos mais utilizados na melhora da biomecânica da articulação FP são: alongamento retinacular lateral e osteotomia da tuberosidade anterior da tíbia, com medialização e/ou distalização.1
  • Fixação de fragmentos: os fragmentos viáveis de lesões traumáticas ou de osteocondrite dissecante devem ser fixados, principalmente nos pacientes jovens.1,4
  • Microfraturas: o tratamento da articulação FP com essa técnica tem sido mais desafiador, com resultados clínicos ruins (aumento do edema do osso subcondral e aumento de derrame articular).1,5
  • Transplante autólogo de condrócitos (TAC): considerado um bom tratamento de lesões da articulação FP.1,6 Uma série de casos relatou melhores resultados dessa técnica nas lesões condrais de patela e tróclea.1,7
  • Transplante osteocondral autólogo (TOA): em pacientes cuidadosamente selecionados, com pequenas lesões limitadas a uma faceta articular e que requerem apenas um cilindro osteocondral, pode levar a bons resultados clínicos.1,8
  • Transplante osteocondral a fresco (TOF): duas técnicas podem ser utilizadas, a técnica de cilindros osteocondrais (na qual cilindros circulares são transplantados) e a técnica de superfície (que é uma alternativa para tratar defeitos grandes).1
Reabilitação após cirurgia 

O reparo isolado de lesões da articulação FP não requer período de restrição de carga prolongado. Entretanto, o paciente deve deambular com o joelho em extensão e a utilização de órteses e muletas. A realização simultânea de osteotomia da tuberosidade da tíbia requer restrição de carga por quatro a seis semanas pelo risco de fratura da tíbia.1

As infiltrações articulares podem fornecer alívio temporário da dor e facilitar a reabilitação.1,3


Conclusão 

O tratamento de lesões condrais da articulação FP requer abordagem técnica específica no pós-operatório, diferindo bastante do tratamento de lesões condrais do côndilo femoral. Atentando-se a todos esses detalhes técnicos, os resultados do tratamento de lesões condrais FP são bons e reprodutíveis.

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REFERÊNCIAS

  1. Hinckel BB, Gomoll AH, Farr J 2nd.

    Cartilage restoration in the patellofemoral joint.

    Am J Orthop (Belle Mead NJ). 2017;46(5):217-22.

  2. Steensen RN, Bentley JC, Trinh TQ, Backes JR, Wiltfong RE.

    The prevalence and combined prevalences of anatomic factors associated with recurrent patellar dislocation: a magnetic resonance imaging study.

    Am J Sports Med. 2015;43(4):921-7.

  3. Campbell KA, Erickson BJ, Saltzman BM, Mascarenhas R, Bach BR Jr, Cole BJ, et al.

    Is local viscosupplementation injection clinically superior to other therapies in the treatment of osteoarthritis of the knee: a systematic review of overlapping meta-analyses.

    Arthroscopy. 2015;31(10):2036-45.

  4. Anderson CN, Magnussen RA, Block JJ, Anderson AF, Spindler KP.

    Operative fixation of chondral loose bodies in osteochondritis dissecans in the knee: a report of 5 cases.

    Orthop J Sports Med. 2013;1(2):2325967113496546.

  5. Kreuz PC, Steinwachs MR, Erggelet C, Krause SJ, Konrad G, Uhl M, et al.

    Results after microfracture of full-thickness chondral defects in different compartments in the knee.

    Osteoarthritis Cartilage. 2006;14(11):1119-25.

  6. Gomoll AH, Gillogly SD, Cole BJ, Farr J, Arnold R, Hussey K, et al.

    Autologous chondrocyte implantation in the patella: a multicenter experience.

    Am J Sports Med. 2014;42(5):1074-81.

  7. Vasiliadis HS, Lindahl A, Georgoulis AD, Peterson L.

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    Knee Surg Sports Traumatol Arthrosc. 2011;19(3):452-7.

  8. Astur DC, Arliani GG, Binz M, Astur N, Kaleka CC, Amaro JT, et al.

    Autologous osteochondral transplantation for treating patellar chondral injuries: evaluation, treatment, and outcomes of a two-year follow-up study.

    J Bone Joint Surg Am. 2014;96(10):816-23.

  9. Gigante A, Tagarro I.

    Non-steroidal anti inflammatory drugs and gastroprotection with proton pump inhibitors: a focus on ketoprofen/omeprazole.

    Clin Drug Investig. 2012 Apr 1;32(4):221-33.

  10. Profenid Protect. [Bula do Produto].

    Sanofi Medley Farmacêutica Ltda. Junho de 2019.