Viscossuplementação é a injeção intra-articular de ácido hialurônico exógeno.1 No corpo humano, o ácido hialurônico é encontrado em altas concentrações no tecido conectivo, na pele, no cordão umbilical, no líquido sinovial e no humor vítreo.2

O líquido sinovial é basicamente um ultrafiltrado de sangue acrescido de ácido hialurônico. O ácido hialurônico é um polissacarídeo naturalmente produzido pelas células tipo B da membrana sinovial, e suas moléculas de elevado peso molecular formam uma solução de alta viscosidade.1

A injeção intra-articular de ácido hialurônico tem basicamente três objetivos principais: a viscossuplementação propriamente dita, ou seja, a melhora das propriedades reológicas do líquido sinovial, já que serve tanto como lubrificante quanto como amortecedor de choques; analgesia; e melhora da homeostase articular, com redução da inflamação e estímulo positivo dos condrócitos.1,3 
A viscossuplementação é capaz de promover benefícios mecânicos, analgésicos e anti-inflamatórios, além de ter o potencial de retardar a evolução da osteoartrite (OA).1 A literatura demonstra que a injeção intra-articular de ácido hialurônico foi capaz de promover melhor distribuição de forças, diminuir a pressão pelo peso e recuperar as características reológicas do líquido sinovial.1,4 Esse tratamento também atua modulando o ambiente inflamatório encontrado na articulação, diminuindo a expressão cênica das citrinas e enzimas associadas à OA, reduzindo a produção de prostaglandinas e a concentração intra-articular de metaloproteinases.1,5 Foi demonstrado efeito analgésico por meio da diminuição de impulsos nervosos e da sensibilidade de terminações nociceptivas quando da presença de ácido hialurônico.1,6 Por fim, o efeito condroprotetor dá-se pela capacidade de estabilização da matriz cartilaginosa, pelo estímulo da proliferação de condrócitos e pelo aumento da produção de colágeno tipo 2 e de agrecanas pelo condrócito.1 Acredita-se que o resultado, em longo prazo, da viscossuplementação deva-se ao mecanismo modulatório, especialmente por sua interação com os receptores de membrana do grupo de diferenciação 44 (CD44) dos sinoviócitos.1,5

Quanto aos resultados clínicos, a literatura é robusta em relação aos efeitos positivos na dor, função e qualidade de vida obtidos com a viscossuplementação.7,8 Recente revisão publicada no importante periódico Journal of Bone and Joint Surgery (JBJS) analisou 27 revisões sistemáticas e metanálises, além de cinco guide­lines internacionais, e os autores concluíram que a viscossuplementação é uma opção segura, que promove redução clinicamente importante da dor, especialmente em indivíduos mais jovens, nas formulações de maior peso molecular e com cross-links.9 Com base em mais de uma centena de artigos publicados anualmente nos últimos 10 anos, a viscossuplementação é hoje recomendada pelas principais guidelines sobre artrose.3,10,11

CONCLUSÃO


Em resumo, a viscossuplementação é atualmente uma ótima ferramenta no tratamento da osteoartrite, já que oferece diversos benefícios mecânicos, biológicos e sintomáticos.

Com base em mais de uma centena de artigos publicados anualmente nos últimos 10 anos, a viscossuplementação é hoje recomendada pelas principais guidelines sobre artrose.3,10,11

REFERÊNCIAS

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