O que é depressão1,2?

Transtorno mental caracterizado por tristeza persistente e pela perda de interesse em atividades que normalmente são prazerosas, acompanhadas da incapacidade de realizar atividades diárias, durante pelo menos duas semanas.

 

O que é insônia3,4?

Caracteriza-se por uma dificuldade de iniciar ou manter o sono e despertar precoce. Estudos mostram que os indivíduos com insônia apresentam alterações do humor, ansiedade e redução cognitiva relacionada à concentração, memória e atenção.

 

Depressão e suas comorbidades:

 

A depressão atinge milhões de pessoas no mundo e, desde os anos de 1990, diversos estudos sobre a doença mostram a sua relação com várias doenças físicas, que aparecem em conjunto frequentemente. Dessa forma, a depressão poderia agravar doenças clínicas pré-existentes, assim como as doenças clínicas poderiam desencadear ou piorar o quadro depressivo 5. A seguir, abordamos as doenças clínicas que se relacionam com a depressão.

 

DOENÇAS CARDIOVASCULARES

Nos últimos 30 anos, muitos estudos indicam que a depressão pode ser fator de risco para mortalidade em pacientes com doença cardiovascular 6.

  • Pacientes deprimidos são mais propensos à doença cardiovascular (fatal ou não) do que não deprimidos 6.

 

DIABETES

  • A prevalência de transtornos depressivos em diabéticos varia de 10% a 15%, índice duas vezes maior do que a prevalência de depressão em não diabéticos 7.
  • Fatores de risco para ocorrência de diabetes e depressão3: baixo peso ao nascer, eventos adversos na infância etc.

 

CÂNCER

A taxa de incidência de depressão é DUAS A TRÊS VEZES MAIOR NA POPULAÇÃO COM CÂNCER em comparação às pessoas saudáveis 8,9.

 

DOENÇAS NEUROLÓGICAS

A depressão é frequentemente encontrada em conjunto com DISTÚRBIOS NEUROLÓGICOS, tais como demência, epilepsia, esclerose múltipla, acidente vascular cerebral, consequências de lesão cerebral traumática, síndromes de dor crônica e doença de Parkinson 10,11.

 

DOR CRÔNICA

  • A dor crônica é um dos fatores críticos para determinar a depressão. Sua coexistência tende a AGRAVAR AINDA MAIS ambos os transtornos 12.
  • Estudos clínicos revelaram que, frequentemente, a DOR CRÔNICA INDUZ A DEPRESSÃO e que até 85% DOS PACIENTES COM DOR CRÔNICA são afetados por depressão grave 12.
  • SEROTONINA, DOPAMINA E NOREPINEFRINA são os NEUROTRANSMISSORES estudados para explicar os mecanismos moleculares envolvidos na dor crônica e na depressão 12.

DOENÇAS HEPÁTICAS

  • Em um estudo de 2015, a depressão foi detectada em 62,9% DOS PACIENTES com doenças como hepatite B crônica, hepatite C crônica, doença hepática alcoólica e doença hepática gordurosa não alcoólica 13.
  • Outra constatação dos estudos é que alguns pacientes com doença hepática crônica têm TENDÊNCIAS DEPRESSIVAS MAIS GRAVES do que as pessoas saudáveis 14.

 

HIV

  • A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que existam 36,9 milhões de pessoas com HIV. Se não tratada, a depressão pode acelerar a progressão da doença pelo HIV 15.
  • A depressão é o transtorno psiquiátrico MAIS PREVALENTE em pessoas com HIV, com taxas superiores a 30% detectadas em várias populações 15.
  • Um estudo publicado em 2017 mostrou que pessoas com HIV são frequentemente mais diagnosticadas com transtornos psiquiátricos e abuso de drogas 16.


Insônia e suas comorbidades:

 

Uma noite de sono mal dormida pode ter um forte impacto na qualidade de vida de uma pessoa. A insônia é um dos distúrbios do sono de maior prevalência no mundo e pode ter correlação com várias doenças clínicas. A seguir, mostramos como a insônia se relaciona com algumas dessas comorbidades mais relevantes, como a depressão, a ansiedade, as doenças neurológicas e cardiológicas e a fibromialgia.

Vários estudos indicam que a insônia tem prevalência de 10% A 30% NA POPULAÇÃO, sendo mais comum em IDOSOS, MULHERES E PESSOAS COM DISTÚRBIOS PSIQUIÁTRICOS

DEPRESSÃO

Na depressão, a insônia é um sintoma que ocorre em 85% DOS PACIENTES; os demais têm hipersonia 17.

  • Entre os adultos que preenchem critérios para diagnóstico de depressão maior, 60% DELES QUEIXAM-SE DE INSÔNIA 17.

 

ANSIEDADE

O estado de hiperexcitabilidade dos quadros ansiosos determina um padrão disfuncional de hiperalerta que desencadeia um padrão de desorganização do sono 18. Estudos populacionais revelam que queixas de insônia grave estão presentes em 25% A 45% DOS PACIENTES PORTADORES DE UM TRANSTORNO DE ANSIEDADE 18.

 

DOENÇAS NEUROLÓGICAS

Alterações do sono afetam de 70% a 90% dos pacientes com Parkinson 19.

  • Dificuldades motoras, distonia noturna, hiperatividade da bexiga e tremor contribuem para a insônia 20.

 

DOENÇAS CARDIOVASCULARES E METABÓLICAS

Não há um consenso se a insônia é um fator de risco para doenças cardiovasculares, como hipertensão arterial e infarto, uma vez que os estudos têm resultados controversos 21-23. A insônia também pode estar associada ao maior risco de diabetes e obesidade, além de alteração do metabolismo basal, principalmente no caso de uma redução de tempo total de sono menor ou igual a cinco horas24,25.

SÍNDROME DE APNEIOBSTRUTIVA DO SONO (SAOS)

A SAOS afeta 3% a 7% da população adulta mundial 26. Embora a insônia e a SAOS possam coexistir nos pacientes, não é claro, ainda, se a SAOS é um fator de risco para o transtorno de insônia ou vice-versa 27.

 

FIBROMIALGIA

Entre as queixas dos portadores de fibromialgia, 88,7% DELAS ESTÃO RELACIONADAS AO SONO: dificuldade para adormecer, dificuldade para manter o sono e despertar precoce28.