HIPOTIREOIDISMO SUBCLÍNICO AUMENTA O RISCO CARDIOVASCULAR?

  • Mulher, 58 anos de idade, ganho de peso (5 kg em seis meses)
  • Hipertensão arterial sistêmica, pré-diabetes, dislipidemia
  • Índice de massa corpórea (IMC) = 41 kg/m2, circunferência abdominal = 98 cm
  • Tireoide de 30 g, com consistência levemente aumentada
  • Assintomática
  • Hormônio tireoestimulante (TSH) = 7,3 mU/L, tiroxina livre (T4L) = 1,1 ng/dL
  • Antitireoperoxidase (aTPO) positivo
  • TSH, segunda determinação (três meses) = 8,6 mU/L

Pensando de novo na paciente anteriormente mencionada, que, neste segundo cenário, teria seu hipotireoidismo subclínico (HSC) confirmado por níveis de TSH crescentes e pela presença de anticorpos, a pergunta que se faz imperativa é se essa situação se associa a maior risco cardiovascular e, portanto, merece correção com levotiroxina.

Sabemos que os hormônios tireoidianos têm importantes efeitos sobre o sistema cardiovascular. E o estudo de Rodondi et al (Thyroid Studies Collaboration) mostrou, de forma indubitável, que a elevação de TSH se associa com doença arterial coronariana (DAC) e aumenta em 42% o risco de morte por DAC em indivíduos com TSH entre 7,0 e 9,9 mU/L e em 58% o risco de indivíduos com TSH entre 10 e 19,9 mU/L.1 O mesmo grupo do Thyroid Studies Collaboration também mostrou que o risco de insuficiência cardíaca congestiva se eleva nos dois extremos: quando o TSH tanto está acima do normal quanto nos valores diminuídos de TSH.2 Finalmente, também existem sólidas evidências de que o HSC grau 1 (TSH entre 7,0 e 9,9 mU/L) aumenta a mortalidade por acidente vascular cerebral em indivíduos de menos de 65 anos de idade.3

Nossa paciente, já sendo portadora de outros fatores de risco, incluindo hipertensão arterial, pré-diabetes, dislipidemia e obesidade, com circunferência abdominal aumentada, é forte candidata a receber levotiroxina para diminuir seu risco cardiovascular.

Finalmente, também existem sólidas evidências de que o HSC grau 1 (TSH entre 7,0 e 9,9 mU/L) aumenta a mortalidade por acidente vascular cerebral em indivíduos de menos de 65 anos de idade.3


O esquema na figura 1 sintetiza a atual percepção referente ao risco cardiovascular em portadores de HSC.4,5 
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REFERÊNCIAS

  1. Rodondi N, den Elzen WP, Bauer DC, Cappola AR, Razvi S, Walsh JP, et al.

    Subclinical Hypothyroidism and the Risk of Coronary Heart Disease and Mortality.

    JAMA. 2010;304(12):1365-74.

  2. Gencer B, Collet TH, Virgini V, Bauer DC, Gussekloo J, Cappola AR, et al.

    Subclinical thyroid dysfunction and the risk of heart failure events: an individual participant data analysis from 6 prospective cohorts.

    Circulation. 2012:126(9):1040-9.

  3. Chaker L, Baumgartner C, den Elzen WP, Ikram MA, Blum MR, Collet TH, et al.

    Subclinical Hypothyroidism and the Risk of Stroke Events and Fatal Stroke: An Individual Participant Data Analysis.

    J Clin Endocrinol Metab. 2015;100(6):2181-91.

  4. Sgarbi JA, Teixeira FS, Maciel LMZ, Mazeto GMFS, Vaisman M, Montenegro Junior RM, et al.

    Consenso brasileiro para a abordagem clínica e tratamento do hipotireoidismo subclínico em adultos: recomendações do Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

    Arq Bras Endocrinol Metab. 2013;57(3):166-83.

  5. Biondi B, Cappola AR, Cooper DS.

    Subclinical Hypothyroidism: A Review.

    JAMA. 2019;322(2):153-60.