Donna M. Sudak
Jesse H. Wright
Judith Beck


O comportamento suicida é um grande problema de saúde pública, e as taxas de suicídio aumentaram constantemente nas últimas décadas.1
 
A prévia tentativa de suicídio é um dos fatores de risco mais fortes para o suicídio completo em adultos. Uma metanálise dos estudos de mortalidade estimou que os indivíduos que tentaram suicídio tinham uma probabilidade 38 a 40 vezes maior de cometerem suicídio do que aqueles que não tentaram suicídio.2

Um estudo teve como objetivo avaliar a eficácia de 10 sessões de terapia cognitiva, planejada para evitar repetidas tentativas de suicídio em adultos que tentaram suicídio recentemente, e concluiu que a terapia cognitiva foi eficaz na prevenção de tentativas de suicídio nesses pacientes.2

Um plano de segurança reduz o comportamento suicida e pode ser uma ferramenta clínica valiosa nos serviços de saúde, como mostra um estudo de coorte.1 O plano de segurança é um documento com estratégias e recursos de enfrentamento para reduzir o risco de suicídio, como pode ser observado, por exemplo, no site http://suicidesafetyplan.com/.3
Em uma revisão sistemática e metanálise de 28 estudos, foi investigado se a terapia cognitivo-comportamental (TCC) reduziria o comportamento suicida. No geral, houve um efeito altamente significativo para a TCC na redução do comportamento suicida. A análise de subgrupos indicou um efeito significativo do tratamento em adultos (mas não em adolescentes) e em tratamentos individuais (mas não em grupos).4

Uma metanálise de 29 estudos clínicos randomizados concluiu que a TCC parece ser eficaz em pacientes após automutilação.5

Dez sessões de TCC planejadas para evitar tentativas de suicídio, com atenção para desesperança, resolução de problemas, controle de impulsos, adesão ao tratamento e isolamento social, mostraram que, na avaliação inicial aos 18 meses, 13 participantes (24,1%) do grupo da terapia cognitiva e 23 participantes (41,6%) do grupo de atendimento habitual fizeram pelo menos uma tentativa de suicídio.2

Em pacientes diagnosticados com transtorno de personalidade borderline gravemente disfuncionais, a TCC mostrou-se promissora para melhorar o funcionamento interpessoal.6

Foram identificados vários fatores de risco correlacionados com tentativas de suicídio, como o uso de medicamentos, distúrbios psiquiátricos, experiências de vida e isolamento social, e esses pacientes são assombrados por profunda desesperança e desamparo.7

Em pacientes com comportamento suicida, a fixação atencional é um processo cognitivo caracterizado por um estreitamento da atenção e preocupação com o suicídio como a única solução para os problemas.8 Esses indivíduos são mais propensos a sofrer distorções cognitivas, mesmo quando controlam a depressão e a desesperança, com maior probabilidade de demonstrarem rigidez cognitiva, pensamento dicotômico, excesso de generalização e abstração seletiva, altos níveis de desesperança, crenças irracionais, memória generalizada, perfeccionismo e deficiência na solução de problemas.9
A esperança pode atuar como um fator de resiliência que amortece o impacto da desesperança na ideação suicida. Induzir esperança nas pessoas pode ser um caminho promissor para a prevenção do suicídio, como construções psicológicas positivas, resiliência e gratidão, reduzindo ideias suicidas ao longo do tempo. A esperança, portanto, contribui para melhores resultados em diversas situações negativas.10 
 

Em pacientes com comportamento suicida, a fixação atencional é um processo cognitivo caracterizado por um estreitamento da atenção e preocupação com o suicídio como a única solução para os problemas.8

Para construir a esperança, pode-se abordar a experiência afetiva do paciente, dar atenção às crenças e fantasias, recordar boas memórias, melhorar a tolerância, questionar sobre experiências positivas, se interessar pelas “razões para viver”, que podem incluir relacionamentos importantes, e ajudar a explorar novos caminhos. Também é importante entender os motivos que desencadearam a tentativa de suicídio e como o paciente se sente por ter sobrevivido, além de avaliar a depressão e outros fatores de risco (como consumo de álcool, drogas e circunstâncias de gatilho).11,12

REFERÊNCIAS

  1. Stanley B, Brown GK, Brenner LA, Galfalvy HC, Currier GW, Knox KL, et al.

    Comparison of the Safety Planning Intervention With Follow-up vs Usual Care of Suicidal Patients Treated in the Emergency Department.

    JAMA Psychiatry. 2018;75(9):894-900.

  2. Brown GK, Ten Have T, Henriques GR, Xie SX, Hollander JE, Beck AT.

    Cognitive therapy for the prevention of suicide attempts: a randomized controlled trial.

    JAMA. 2005;294(5):563-70.

  3. Safety Planning Intervention.

    Disponível em: suicidesafetyplan.com/Home_Page.html. Acesso em: 3 jul. 2020.

  4. Tarrier N, Taylor K, Gooding P.

    Cognitive-behavioral interventions to reduce suicide behavior: a systematic review and meta-analysis.

    Behav Modif. 2008;32(1):77-108.

  5. Hawton K, Witt KG, Salisbury TLT, Arensman E, Gunnell D, Hazell P, et al.

    Psychosocial interventions following self-harm in adults: a systematic review and meta-analysis.

    Lancet Psychiatry. 2016;3(8):740-50.

  6. Linehan MM, Tutek DA, Heard HL, Armstrong HE.

    Interpersonal outcome of cognitive behavioral treatment for chronically suicidal borderline patients.

    Am J Psychiatry. 1994;151(12):1771-6.

  7. Soreff SM, Basit H, Attia FN.

    Suicide Risk. [Updated 2019 Dec 30].

    In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2020. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK441982/. Acesso em: 3 jul. 2020.

  8. Adler A, Jager-Hyman S, Green KL, Brown GK, Beck AT, Wenzel A.

    Initial Psychometric Properties of the Attentional Fixation on Suicide Experiences Questionnaire.

    Cognit Ther Res. 2015;39(4):492-8.

  9. Jager-Hyman S, Cunningham A, Wenzel A, Mattei S, Brown GK, Beck AT.

    Cognitive Distortions and Suicide Attempts.

    Cognit Ther Res. 2014;38(4):369-74.

  10. Huen JM, Ip BY, Ho SM, Yip PS.

    Hope and Hopelessness: The Role of Hope in Buffering the Impact of Hopelessness on Suicidal Ideation.

    PLoS One. 2015;10(6):e0130073.

  11. Schechter M, Ronningstam E, Herbstman B, Goldblatt MJ.

    Psychotherapy with Suicidal Patients: The Integrative Psychodynamic Approach of the Boston Suicide Study Group.

    Medicina (Kaunas). 2019;55(6):303.

  12. Rothes I, Henriques M.

    Health Professionals Facing Suicidal Patients: What Are Their Clinical Practices?

    Int J Environ Res Public Health. 2018;15(6):1210.