A Dra. Vania Hungria, hematologista dedicada à área de gamopatias e doenças relacionadas, comentou sobre o evento Sanofi Intercontinental Hematology Academy, realizado em 28 de agosto.

Nesse evento, o professor Mohty abordou a biologia e a heterogeneidade do mieloma múltiplo e comentou sobre a doença residual mínima, mostrando a sua importância como fator prognóstico relacionado à sobrevida dos pacientes e como ela poderá guiar o tratamento do mieloma no futuro. A professora Beksaç apresentou os dados atuais do tratamento em primeira linha dos pacientes com mieloma múltiplo, tanto elegíveis como não elegíveis ao transplante. O professor Fredrik, por sua vez, falou sobre as opções de tratamento na recaída dos pacientes, sugerindo o sequenciamento de tratamento. Já a professora Anna Sureda abordou os subgrupos de pacientes idosos e com insuficiência renal, mostrando dados atuais e a importância de utilizar o escore de fragilidade para melhorar o manejo e a eficácia da terapêutica nessa população que geralmente apresenta um prognóstico desfavorável. 

A Dra. Vania Hungria comentou sobre a diferença que existe entre os dados de estudos clínicos e os dados do mundo real, apontando os fatores que contribuem para essa lacuna. Muitos pacientes do mundo real não são incluídos em estudos clínicos, como idosos e pacientes com comorbidades. Como exemplo, os dados observacionais de vida real do estudo CONNECT1 mostram que 40% dos pacientes com mieloma múltiplo são inelegíveis para os estudos clínicos, e o estudo INSIGHT,2,3 com cerca de 4.200 pacientes, também mostra que uma grande proporção (39,2%) é inelegível aos estudos e que a principal razão são as comorbidades desses pacientes. Isso reforça a importância dos dados de vida real para a avaliação da eficácia das opções de tratamento para os pacientes com mieloma múltiplo. 

Também foram apresentados os dados do estudo HOLA,4 que é um estudo observacional e retrospectivo, realizado na América Latina, que incluiu 1.103 pacientes com diagnóstico de mieloma múltiplo. Os pacientes foram diagnosticados entre os anos de 2008 a 2015, e o principal objetivo desse estudo foi mostrar o padrão de tratamento na nossa região. Esse estudo mostrou que a combinação de tratamento baseada em talidomida foi a mais utilizada no período, declinando com o decorrer dos anos, particularmente entre os pacientes elegíveis ao transplante autólogo da medula óssea e pacientes que recebem tratamentos em clínicas privadas. Nesse grupo, o uso de bortezomibe foi maior nos últimos anos, principalmente nas clínicas privadas, e as combinações com bortezomibe em primeira linha para pacientes elegíveis ao transplante foram associadas a maior sobrevida livre de progressão. O uso de novas drogas foi aumentando ao longo do tempo na América Latina, principalmente nas clínicas privadas.

Há uma grande diferença no padrão de tratamento de cada país e existem muitas áreas com necessidades terapêuticas não atendidas na América Latina.