Objetivo

Relatar os resultados do ensaio clínico de fase 3 sobre o uso de dupilumabe com corticosteroides tópicos em crianças de 6 a 11 anos com dermatite atópica grave controlada inadequadamente com terapias tópicas.1

Introdução
  • A dermatite atópica (D.A.) é uma das doenças de pele mais frequentes em crianças e relacionada a alto ônus para pacientes e cuidadores em todo o mundo. Até a idade de 1 ano, problemas de pele já assumem importância como causas de incapacidades, com impacto ainda maior na adolescência.2
  • O início da D.A. é mais comum entre os 3 e 6 meses de idade, com aproximadamente 60% dos pacientes apresentando eczema no primeiro ano de vida e 90% até 5 anos de idade. Embora a maioria dos indivíduos afetados tenha resolução da doença na idade adulta, 10% a 30% não apresentam remissão, e uma porcentagem menor desenvolve os sintomas pela primeira vez na idade adulta.3
  • A avaliação do paciente quanto ao prurido é crítica, dada sua contribuição central para a morbidade da D.A. A intensidade da coceira se correlaciona significativa e inversamente com a qualidade de vida.3
  • Há vários corticosteroides tópicos (CT) disponíveis e a maioria das crises agudas de D.A. apresenta melhora com esses medicamentos, no entanto essa estratégia não é eficaz no controle a longo prazo da doença.4
  • As diretrizes desencorajam os corticosteroides sistêmicos devido ao risco de rebote após o tratamento de curto prazo, a relação entre benefício e risco desfavorável e vários eventos adversos associados ao seu uso.5
  • Consequentemente, os tratamentos sistêmicos são oferecidos apenas como último recurso para os casos mais recalcitrantes,5 resultando em uma grande necessidade não atendida para crianças com doença inadequadamente controlada com terapia tópica.
  • O dupilumabe é um anticorpo monoclonal totalmente humano que reduz a inflamação do tipo 2 ao bloquear a subunidade alfa do receptor para a interleucina (IL) IL-4 e IL-13, inibindo assim a sinalização de ambas as citocinas. As citocinas IL-4 e IL-13 são mediadores importantes da inflamação Tipo 2, responsável pela patogênese subjacente de doenças atópicas, incluindo D.A.6
  • Em estudo publicado recentemente, o dupilumabe melhorou significativamente os sinais, os sintomas e a qualidade de vida relacionada à D.A. em adolescentes com quadro moderado a grave, com um perfil de segurança adequado.6
Métodos

No LIBERTY AD PEDS, estudo de fase 3 randomizado, duplo-cego, controlado por placebo e com duração de 16 semanas, 367 pacientes foram randomizados em 1:1:1 para placebo, dupilumabe a cada 4 semanas (q4w), dupilumabe 100 mg a cada 2 semanas (q2w) (se peso inicial <30 kg) ou dupilumabe 200 mg q2w (se peso inicial ≥30 kg).

Todos os pacientes receberam CT de potência média uma vez ao dia, com início duas semanas antes da consulta inicial. O tratamento de resgate com CT de alta potência ou terapia sistêmica foi permitido para pacientes com IGA = 4 ou sintomas intoleráveis durante o período de tratamento. Os CT de altíssima potência foram proibidos, mesmo como resgate.1

Resultados

Pacientes

No total, 362 pacientes receberam pelo menos uma dose do tratamento do estudo e foram incluídos no conjunto de análise de segurança; 351 pacientes completaram o período de tratamento.1

Os pacientes apresentaram altas taxas de comorbidades atópicas, incluindo asma, rinite alérgica e alergias alimentares; 91,7% (332/362) apresentavam pelo menos uma comorbidade atópica. Um terço dos pacientes havia recebido tratamento sistêmico prévio para D.A.1

Eficácia

Ambos os esquemas de dupilumabe + CT (100/200 mg-q2w + CT e 300 mg-q4w + CT) em comparação com placebo + CT melhoraram significativamente todos os desfechos de eficácia pré-especificados.1 

Na semana 16, mais pacientes tratados com dupilumabe q2w + CT e q4w + CT em comparação com placebo + CT alcançaram o desfecho primário de IGA 0/1 (q2w + CT, 29,5% [p=0,0004]; q4w + CT, 32,8% [p<0,0001]; placebo + CT, 11,4%) de forma significativa.1

A maior parte dos pacientes tratados com dupilumabe + CT alcançou EASI-75 na semana 16 em comparação com os tratados com placebo + CT (q2w + CT, 67,2%; q4w + CT, 69,7%; placebo + CT, 26,8%; p<0,0001).1

Tanto o IGA 0/1 quanto o EASI-75 mostraram melhora contínua na semana 16, (Figura 1) sugerindo que o efeito máximo ainda não havia sido alcançado.1 
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Ambos os esquemas de tratamento com dupilumabe + CT mostraram maior eficácia do que placebo + CT em medidas adicionais de gravidade da doença, incluindo melhora ≥50%/90% a partir do início do estudos nas pontuações EASI (EASI-50/EASI-90), BSA e SCORing de Dermatite Atópica (SCORAD) (p<0,0001, todas as comparações).1 Na semana 16, mais pacientes tratados com dupilumabe + CT em relação ao placebo + CT apresentaram melhora de pelo menos 3 e 4 pontos na média semanal da escala de avaliação numérica (NRS) do pico de prurido (p<0,0001, todas as comparações), (Figura 2) com proporções consistentemente maiores nos grupos dupilumabe + CT alcançando redução de pelo menos 4 pontos já na Semana 4 (q2w + TCS, p=0,0044; q4w + TCS, p<0,0001).1
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O tratamento com dupilumabe + CT reduziu significativamente os sintomas de D.A. relatados pelo paciente, determinando seu efeito na melhora da qualidade de vida e nos sintomas de ansiedade e depressão. Além disso, o dupilumabe + CT também melhorou significativamente a insônia.1 Uma maior proporção dos pacientes tratados com placebo + CT necessitou de medicação de resgate (19,2%) em relação a qualquer esquema de dupilumabe (q2w + CT, 4,9%; q4w + CT, 2,5%).1

Segurança

A incidência geral de eventos adversos emergentes do tratamento (EAETs) foi menor nos grupos de dupilumabe + CT. As interrupções do tratamento devido aos eventos adversos foram incomuns (placebo + CT, n=2; 100/200 mg-q2w + CT, n=2). Nenhuma morte ou eventos relacionados ao tratamento de hipersensibilidade ou anafilaxia ocorreram durante o estudo.1

A maior incidência de conjuntivite (20,6%) ocorreu no grupo de tratamento com a menor exposição (100 mg-q2w + CT).1  

A maioria dos pacientes com conjuntivite se recuperou com tratamento oftalmológico padrão durante o uso do medicamento em estudo. Apenas um paciente recebendo 200 mg-q2w + CT interrompeu o tratamento devido à conjuntivite bacteriana de gravidade moderada.1

Conclusões
  • O tratamento com dupilumabe resulta em melhora significativa nos sinais e sintomas clínicos da D.A., conforme avaliação pelo EASI, pelo IGA e pelo SCORAD.1
  • Ambos os esquemas de dupilumabe 300 mg-q4w + CT e 100/200 mg-q2w + CT proporcionaram benefício clínico substancial para sinais e sintomas de D.A.1
  • Dupilumabe + CT foi bem tolerado e os dados foram consistentes com o perfil de segurança de dupilumabe observado em adultos e adolescentes.1

INDICAÇÃO E POSOLOGIA EM PACIENTES PEDIÁTRICOS DE 6 A 11 ANOS COM DERMATITE ATÓPICA GRAVE

Indicação

DUPIXENT® é indicado para o tratamento de crianças de 6 a 11 anos de idade com dermatite atópica grave cuja doença não é adequadamente controlada com tratamentos tópicos ou quando estes tratamentos não são aconselhados.

DUPIXENT® pode ser utilizado com ou sem tratamento tópico.1

A maioria dos pacientes com conjuntivite se recuperou com tratamento oftalmológico padrão durante o uso do medicamento em estudo. Apenas um paciente recebendo 200 mg-q2w + CT interrompeu o tratamento devido à conjuntivite bacteriana de gravidade moderada.1

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INDICAÇÃO E POSOLOGIA EM PACIENTES A PARTIR DOS 12 ANOS DE IDADE COM DERMATITE ATÓPICA MODERADA A GRAVE


Indicação

DUPIXENT® é indicado para o tratamento de pacientes a partir de 12 anos com dermatite atópica moderada a grave cuja doença não é adequadamente controlada com tratamentos tópicos ou quando estes tratamentos não são aconselhados.

DUPIXENT® pode ser utilizado com ou sem tratamento tópico.1
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